Marcha Contra a Corrupção é, sim, um sucesso! E se faz enfrentando a sabotagem dos que se venderam ao petismo

Publicado em 12/10/2011 19:56 e atualizado em 13/10/2011 06:38 800 exibições
por Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em veja.com.br

Marcha Contra a Corrupção é, sim, um sucesso! E se faz enfrentando a sabotagem dos que se venderam ao petismo

DE OLHOS BEM ABERTOS - Milhares que participaram da Marcha Contra a Corrrupção protestam em frente ao Palácio da Justiça, em Brasília (Foto: Gustavo Miranda/O Globo)

DE OLHOS BEM ABERTOS - Milhares que participaram da Marcha Contra a Corrrupção protestam em frente ao Palácio da Justiça, em Brasília (Foto: Gustavo Miranda/O Globo)

Em Brasília, estima-se em 20 mil (ver post anterior) os que marcharam contra a corrupção; em São Paulo, 2,5 mil. Havia protestos marcados em outras cidades. Não há um balanço geral. De todo modo, à diferença do que diz a canalha oficialista, é bastante gente, sim! Até porque, sabemos, os ditos “movimentos sociais” e as organizações de caráter sindical, inclusive a UNE, não só estão fora do movimento como o sabotam. “O diferencial é que este é um movimento do povo, sem vinculações com sindicatos ou partidos. A UNE nem nos procurou porque está comprada pelo PT”, afirmou ao jornal O Globo a organizadora do evento em Brasília, Daniela Kalil, de 32 anos, corretora de imóveis.

Na mosca! Como afirmei no dia 8 de setembro, a UNE e os ditos movimentos sociais não comparecem porque estão contando dinheiro. E dinheiro oficial, que sai do bolso dos brasileiros, as vítimas dos corruptos. A lógica cristalina indica, pois, que aquela gente que já foi chamada, um dia, “sociedade civil” é, hoje, sócia da corrupção.

O PT privatizou quase todas as organizações da dita sociedade civil; tornaram-se aparelhos do partido, meros porta-vozes do oficialismo. Isso responde, como sabem, àquela questão já tornada clássica de Juan Arias, correspondente do jornal El País no Brasil: “Por que os brasileiros não se indignam?” Eles se indignam, sim. Ocorre que a “massa na rua” nunca é um fenômeno que se dá por geração espontânea; sempre há os profissionais da organização, que são os líderes de sindicatos e movimentos sociais. Como essa gente toda está no bolso do PT - e com os respectivos bolsos cheios -, então se tem essa impressão de pasmaceira.

É por isso que afirmo que os 20 mil de Brasília - ou mesmo os 2,5 mil de São Paulo - são uma medida de sucesso do movimento. De fato, como fica a cada dia mais evidente, estamos falando de cidadãos não-engajados no melhor sentido que a expressão pode ter: NÃO ESTÃO NA RUA A SERVIÇO DE NINGUÉM, A NÃO SER DA PRÓPRIA INDIGNAÇÃO. Se querem saber, intimamente, os petralhas temem mais uma reação como essa do que um eventual movimento organizado da oposição. Nesse caso, eles catalogariam facilmente o protesto: “É coisa de tucano; é coisa de democratas”. Bem, o que se vê nas ruas é coisa de quem está com o saco cheio da corrupção oficial e do modo como se faz política - é bem possível que os que protestam não morram de amores nem pela oposição, o que seria absolutamente compreensível.

Os petralhas gostam de ironizar os indignados, de submetê-los ao ridículo, porque temem que esse sentimento difuso em defesa da ética, da moralidade e da decência se espalhe. Fica mais difícil combater o que eu chamaria de uma “pauta imaterial”, que tem a ver com valores - a oposição jamais conseguiu trabalhar esse elemento da política; atém-se a uma crítica puramente administrativista do governo, sugerindo que fará mais e melhor quando chegar ao poder… É por isso que não faz verão e que acaba comida pelo PT e seus aparelhos…

Os que têm coragem de ir para as ruas não devem desanimar. Ignorem todas as críticas que sustentarem que o movimento é tímido demais, que não vai dar em nada; ignorem todos os conselhos para que vocês se subordinem a grupos, a partidos ou o que seja. Sua força está justamente em não dever nada a ninguém. Caso alguém lhes pergunte algo assim: “Mas, afinal, o que é que vocês querem?”, não tenham receio de dizer:  “Queremos decência!”

É um bom motivo para tomar as ruas.

Por Reinaldo Azevedo
Sarney e José Dirceu são alvos na marcha contra a corrupção em Brasília, que reúne 20 mil pessoas


Leiam o que informa Luciana Marques, na VEJA Online. Comento no próximo post:

A segunda marcha contra a corrupção realizada este ano em Brasília reuniu cerca de 20.000 pessoas [segundo estimativa final da Polícia Militar do DF] no centro da capital, segundo estimativa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. As vias do Eixo Monumental foram fechadas durante três horas para a passagem dos manifestantes. Eles partiram do Museu da República rumo ao Congresso Nacional por volta das 11 horas munidos de vassouras, apitos e vestindo fantasias ou camisetas pretas, simbolizando luto. A estimativa da organização do movimento, que se declara apartidário, era chegar a 19.000 manifestantes até o fim do protesto - mesma quantidade reunida na primeira manifestação, em 7 de setembro. O número, porém, foi inferior.

Além de protestar contra políticos corruptos O Movimento Todos Juntos Contra a Corrupção tem alvos definidos. Os principais são o fim do voto secreto no Congresso, a aprovação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal (STF) e a manutenção do poder de fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre os juízes, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que participou da caminhada, reclamou da falta de transparência no Judiciário. “A sociedade está pedindo ao Judiciário que cumpra sua parte e seja transparente”, declarou. “Retirar os poderes do CNJ é tornar um passado negro dentro da estrutura do Judiciário, em que tudo era colocado para debaixo do tapete”. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu a aprovação imediata da Lei da Ficha Limpa no STF. “A Ficha Limpa tem que valer para a eleição no ano que vem”, afirmou.

Vaias
As poucas tentativas de partidarizar a manifestação acabaram em vaias. Foi o que aconteceu quando bandeiras do Psol apareceram. Marcus Rodrigues, 20 anos, um dos organizadores, diz que o objetivo imediato do grupo é a aprovação dos projetos anticorrupção no Congresso e a defesa das ações pela transparência no Judiciário. “Ainda não temos condições de apresentar um projeto popular, porque precisamos de um milhão de assinaturas”, observa. “Esse é nosso plano para o futuro. Por enquanto, queremos a aprovação do que permanece engavetado no Congresso”.

“Que País é Esse?”
Um dos alvos dos manifestantes foi o domínio político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). “Sarney, ladrão, devolve o Maranhão”, gritavam. Há uma semana, o ex-presidente da República também foi criticado publicamente durante o Rock in Rio. Outro alvo foi o deputado petista cassado José Dirceu que, embora seja acusado de comandar o mensalão, ainda exerce grande influência em algumas esferas do governo. “Esse movimento é contra essas figuras”, diz a servidora pública Cristia Lima. “É preciso respeitar isso aqui”, completou, apontando para um exemplar da Constituição que trouxe de casa.

Também participaram da marcha dezenas de grupos que protestam contra outros aspectos da roubalheira nacional. É o caso dos mascarados que reclamam da relação promíscua do governo com grandes empresas. “Representamos um sentimento coletivo”, declara um desses manifestantes, recusando-se a dizer o nome para não “personificar” o movimento. “Temos uma única voz e um único rosto”.

A advogada Aline Oliveira levou os filhos, de 10 e 3 anos, com o objetivo de transformar esse Dia das Crianças no início de uma vivência democrática. “Isso vai marcar a formação deles”, acredita. “Meus pais me levaram para ver as Diretas Já, nos anos 80, o que foi muito importante para mim”.

Por Reinaldo Azevedo
da coluna Direto ao Ponto, de Augusto Nunes:

Milhares de brasileiros voltaram às ruas para exigir o fim da corrupção impune

Cinco semanas depois de transbordar da internet para as praças e avenidas do país, o movimento contra a corrupção voltou às ruas para exigir, em nome de milhões de inconformados, o fim da roubalheira impune. Em Brasília, 20 mil pessoas reivindicaram a revogação do voto secreto no Congresso, o respeito à Lei da Ficha Limpa e a preservação das atribuições do Conselho Nacional de Justiça. Em São Paulo, mais de 5 mil brasileiros de todas as idades marcharam entre a Avenida Paulista e o Theatro Municipal gritando as mesmas palavras de ordem e, como ocorreu em todas as passeatas promovidas em 25 cidades distribuídas por 17 Estados, repetindo o coro que transformou José Sarney no traço de união entre os grupos que compõem o movimento.

Voltarei ao assunto em outro post. Enquanto isso, veja o vídeo que registra da passeata em São Paulo, ao som do Hino Nacional. E confira na seção O País quer Saber como foram manifestações deste 12 de outubro.

Direto ao Ponto

Entre 7 de setembro e 12 de outubro, os corruptos não pararam. Precisam ser detidos

Apenas 35 dias separam as primeiras manifestações promovidas pelo movimento contra a corrução em 7 de setembro e a segunda rodada de atos de protesto programada para este 12 de outubro. Pouco mais de um mês. Tanto bastou para que quadrilheiros espalhados pelos três Poderes e por todo o país desafiassem os brasileiros honestos com a ampliação do vastíssimo acervo de bandalheiras. Três exemplos são suficientes para retratar a desenvoltura dos fora-da-lei.

1. Em 15 de setembro, três ministros do Superior Tribunal de Justiça decidiram que não tem validade legal a imensidão de provas colhidas ao longo da Operação Boi Barrica.  Em três anos de investigações, delegados e agentes da Polícia Federal descobriram o suficiente para instalar no banco dos réus dezenas de  parentes, amigos e agregados do senador José Sarney. Em poucas horas, o ministro Sebastião Reis Júnior produziu um relatório que desqualifica os resultados da operação autorizada pelo Judiciário e monitorada pelo Ministério Público.

Excitados com a derrota imposta aos xerifes, os vilões resolveram dispensar-se de cautelas. No momento, até os meirinhos que já morreram sabem que Sarney manobra ostensivamente para infiltrar no STJ a desembargadora federal Assusete Dumont Reis Magalhães. E o inevitável José Dirceu, chefe da quadrilha do mensalão, quer preencher a vaga no Supremo Tribunal Federal aberta pela aposentadoria de Ellen Gracie com a nomeação de uma amiga que o assessorou na Casa Civil. A candidata certamente acha que a maior gatunagem da história republicana não existiu.

2. Em 23 de setembro, o Estadão reproduziu a entrevista concedida a uma emissora de rádio do interior pelo deputado estadual Roque Barbiere, do PTB paulista. Irritado com concorrentes que andam invadindo sua capitania eleitoral, Barbiere contou que há na Assembléia Legislativa um movimentadíssimo balcão de compra e venda de emendas parlamentares. De lá para cá, multiplicaram-se evidências contundentes de que o comércio de dinheiro público é ainda mais repulsivo do que sugeriu a entrevista.

Como o escândalo envolve todos os partidos, o plenário uniu-se para abafá-lo. Nenhum deputado ousou romper o silêncio corporativista. O governador Geraldo Alckmin avisou que só se interessará pela apuração do caso se Barbiere entregar-lhe os nomes dos envolvidos e as quantias recebidas (talvez exija também o CIC e o RG dos acusados). Até agora, ninguém foi preso, indiciado ou processado. Aliás, nenhum dos incontáveis larápios federais presos pela Polícia Federal nos últimos nove anos está na cadeia.

3. Em 28 de setembro, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados absolveu o notório Valdemar Costa Neto, vulgo Boy, de todos os pecados pretéritos e presentes (os futuros ficam para as próximas sessões). O prontuário de bom tamanho informa que o chefão do PR foi um dos sócios fundadores do esquema do mensalão, aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e chefiou o bando que saqueou o Ministério dos Transportes, fora o resto. Para os colegas, Boy é um exemplo de respeito ao decoro parlamentar.

Convencido de que será inocentado também pelo STF, o delinquente irrecuperável informou que, ao contrário do que fez em 2005, desta vez não vai interromper o mandato para antecipar-se à cassação. “Não renuncio nem com reza braba!”, resumiu. Amigo e discípulo de Lula, Valdemar Costa Neto fez o que o mestre recomendou no fim de setembro aos ministros corruptos: só consegue resistir no cargo quem tem “casco duro”. Tradução: só se mantém no emprego quem nega tudo ─ mesmo depois de pilhados em flagrante.

Os três exemplos comprovam que o Executivo, o Judiciário e o Legislativo estão contaminados pela ladroagem endêmica e impune que o fundador do Brasil Maravilha transformou em instrumento político. Cabe ao movimento contra a corrupção transformá-los em três ultrajes, três estímulos, três bandeiras e três motivos adicionais para outros atos de protesto. Insaciáveis, os assaltantes de cofres públicos não vão parar espontaneamente. Precisam ser detidos pelos brasileiros que respeitam os códigos morais, desprezam ladrões e não capitulam.

Esses tampouco cruzaram os braços depois do Sete de Setembro, atestaram os memoráveis momentos do Rock in Rio em que a multidão cuidou de fazer um perfeito contraponto para o Capital Inicial e os Detonautas. Estimuladas pelos vocalistas Dinho Ouro Preto e Tico Santa Cruz, dezenas de milhares de vozes resumiram o que pensam dos corruptos no coro desmoralizante endereçado a José Sarney. Sarney é, merecidamente, um dos símbolos da impunidade. Mas, como lembrou Tico Santa Cruz (que estará nos atos de protesto desta quarta-feira, informa o vídeo abaixo), a Marcha contra a Corrupção tem muitos alvos. Também por isso, não vai acabar tão cedo.

O importante é que começou. O caminho se faz ao andar.

Afinal, por que os petistas têm tanto ódio das pessoas que marcham contra a corrupção? Ou: O PT vomita porque está com medo, como o urubu!

O PT apóia, sim, manifestações de rua. Em Nova York!
O PT apóia, sim, o povo na praça. No Egito!
O PT apóia, sim, atos contra a corrupção. Na Bulgária! Ooops! Na Bulgária, não, companheiro!

Chega a ser fascinante o que está em curso. As várias marchas contra a corrupção país afora têm uma característica comum: o baixo grau de partidarização. Não se vêem as bandeiras de sempre nem se ouve aquela rima-chichê em “ido”: “O povo unido/ jamais será vencido”. Isso se tornou marca registrada de quem tinha um projeto de poder, que está em plena vigência. O petismo queria, em suma, isso que vemos hoje: corrupção, impunidade, maracatuaia, mas com o partido no comando. Os males antes a serem vencidos se tornaram instrumentos da luta política. “Se a gente não os emprega, os nossos adversários farão uso deles primeiro”, explicam. Essa é a justificativa (i)moral de todo canalha.

Mas retomo o fio: os que marcham nem sequer recorrem a palavras de ordem contra o PT. Ao contrário até: não deixa de haver certo apelo governista nos protestos quando se exibem as vassouras, numa alusão à faxina que a presidente Dilma Rousseff começou a fazer no governo. Depois ela descobriu que era mais confortável esconder a sujeita debaixo do tapete. Ou seja: a população apoiou a sua iniciativa. Ela é que decidiu não mais levá-la, e se levar, a sério.

Se o PT nem mesmo é um dos alvos dos protestos, por que, afinal de contas, os petistas e petralhas odeiam tanto as manifestações e os manifestantes e dirigem, nas redes sociais, palavras violentas, de baixo calão até, contra aqueles que se mobilizam? Não há outra resposta possível: diante de uma marcha contra a corrupção, eles se sentem discriminados, pessoalmente atingidos, ameaçados. Ou por outra: eles se tornaram beneficiários da corrupção, da malversação do dinheiro público, da roubalheira. Não me espanto que tenham chegado a tal ponto. Revelam a sua natureza. Agem à moda dos urubus.

Até um ator do terceiro ou quarto escalão da TV Globo, que vive de braços dados com notórios detratores da emissora, um desclassificado que deve estar lá por conta de alguma cota (partidária talvez), um mamador asqueroso de dinheiro público, até esse vagabundo petralha decidiu atacar as marchas contra a corrupção. E, de quebra, me xingou também porque, como é público e notório, apóio os protestos. Urubus quando se sentem ameaçados vomitam e começam a soprar nervosamente. É o caso desse asqueroso: sempre fazendo o trabalho de sopro. Um ladrão que vive de joelhos!

Ao se voltar contra os protestos, especialmente nas redes sociais - já que não têm nem coragem moral nem física para dar pinta da praça e combater gente decente cara a cara -, esses vadios revelam qual era o seu anseio, o seu horizonte utópico, o seu ideal. Lembram-se da expressão “um outro mundo possível”? Para eles, já chegou; é esse que está aí. Eles eram contra homens que roubavam homens porque achavam que o certo seria fazer o contrário…

Muita gente apostou que as convocações de ontem não dariam em nada. Em Brasília, havia pelo menos 20 mil pessoas na praça, que se mobilizaram para aquele fim  (não houve público-carona de qualquer outro evento). Em São Paulo, Rio e Goiânia, mas de 2 mil manifestantes foram as ruas; centenas mandaram seu recado em muitas outras cidades. Como já escrevi em outro texto, ignorem aqueles que tentam caracterizar os protestos como manifestações de uma rebeldia sem causa, sem alvo, sem organização. Esses não são defeitos, mas qualidades.

Em décadas, essa é a primeira vez que UMA PARTE DO POVO DE VERDADE está saindo às ruas. Chamo de “povo de verdade” o indivíduo, o homem-célula, o cidadão-em-si-mesmo, o homem-sem-partido, o homem-sem-sindicato, o homem-sem-movimento-social, o homem-sem-ONG, o homem-sem-chefe-político, o homem-sem-cabresto-ideológico, o homem-sem-projeto-de-poder, o homem-sem-um-apedeuta-pra-chamar-de-seu. As diretas-já e o impeachment de Collor foram importantes, sim, para o Brasil, mas tinham uma marca ideológica muito clara e obedeciam a comandos partidários.

É por isso que os petistas e seus porta-vozes ou amiguinhos na imprensa fazem pouco dos protestos. Na verdade, eles os temem. Essas pessoas que se manifestam refletem a boa consciência conservadora dos brasileiros. E não me refiro necessariamente àquele conservadorismo ideológico; falo de um outro, de que o ideológico até pode ser uma expressão política: a maioria das pessoas é decente, direita e luta para ganhar a vida honestamente.

E isso, sem dúvida, embrulha o estômago dos urubus. Os petistas e petralhas hostilizam as marchas contra a corrupção porque não suportam a idéia de que o povo possa fazer algo por si mesmo sem precisar pagar o caríssimo pedágio cobrado pelo PT - inclusive o pedágio institucional.

E não se enganem. Os 30 mil nas ruas são muitos milhões operando em suas respectivas casas, em seu trabalho, nas escolas, na rede.

O PT vomita nos manifestantes porque está com medo. Como o urubu.

Por Reinaldo Azevedo
E Jean Wyllys, a Natalie Lamour da Câmara, ataca as marchas contra a corrupção!


O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a celebridade que virou deputado, a Natalie Lamour da Câmara, resolveu, também ele, atacar as marchas contra a corrupção. O rapaz tuitou o seguinte:
“Esses ‘cansados da corrupção’ mostram que, na verdade, só ’sabem’ da corrupção aquilo que a velha mídia noticia e pauta.”

É de uma vigarice intelectual ímpar! Se ele acha que os motivos apontados pela “velha mídia” são parcos ou irrelevantes, por que, então, não denuncia os grandes ou verdadeiros motivos, em vez de se comportar como um sabotador? E o mais engraçado é que, em outros tuites, ele faz algumas “exigências” para participar da marcha… É o complexo de celebridade!

Não deixa de ser interessante ver um deputado do PSOL - o tal “Partido Socialismo e Liberdade” (podem rir!!!) - a atacar manifestações populares. Ele sabe muito bem por que se comporta assim. Os protestos são dirigidos também contra o Congresso, pelos menos contra a sua parte podre. Natalie se deu muito bem por lá. Encontrou seu espaço em comissões disso e daquilo e é respeitado como “celebridade que pensa”. E isso só quer dizer que está cercado de gente que pensa ainda menos do que ele próprio.

É de lascar que ataque “a velha mídia” um sujeito que ganhou uma bolada num reality show e que só foi eleito por conta de sua exposição desabrida num programa dessa natureza e por causa do voto proporcional. Eis uma boa razão para se ter o voto distrital no Brasil: gente assim seria mantida longe do Parlamento e poderia se dedicar a seu ofício: o setor, digamos, de “espetáculos”.

“Gente assim, como? Gay?” Ora… O que Jean faz com os instrumentos que lhe facultou a natureza não é da minha conta. Ele que se divirta como gosta e pode. Eu me refiro à sua ignorância propositiva, à altivez com que costuma dizer bobagens clamorosas, à sua tolice. Eu já o critiquei aqui, e ele andou falando mal de mim em palestras por aí… Quem o chama para palestrar merece ouvir o que ele tem a dizer… À época, afirmaram que eu estava exagerando. Pois é. Tenho faro para certos tipos.

A Natalie Lamour que defende com unhas e dentes a tal da lei que criminaliza a homofobia (que é, na verdade, uma lei de censura), em nome da igualdade, trata com desdém pessoas decentes, que protestam contra a corrupção.

E só para arrematar: notícias da “velha mídia” derrubaram quatro ministros de estado e mais de 20 pessoas do Dnit.

Quando ataca a velha mídia, Jean Wyllys se alinha com a nova corrupção.

PS - Mandaram-me um vídeo em que um garotinho, fazendo as vezes de repórter mirim, pergunta a Jean Wyllys quanto é 7 vezes 9. Ele ri nervosamente e não consegue responder. Foi reprovado também na tabuada da democracia.

PS2 - Os tuítes do moço estão recheados daquela falsa sapiência pseudo-universitária para pegar os trouxas (”Nossa! Como ele é sabido!”). É, assim, um Gabriel Chalita mais, sei lá como definir, ousado talvez. Seu perfil resume: “Jornalista, professor e escritor baiano. Deputado federal eleito pelo PSOL-RJ”. Huuummm… Nada de Big Brother. Daquela experiência, ele só ficou com a grana, hehe… Mas é verdade: ele foi eleito pelo PSOL, não pelo povo. Teve apenas 13.018 votos. Está na Câmara por causa da votação do deputado Chico Alencar. Deveria tratar com mais respeito uma massa de pessoas que é superior ao dobro dos votos que ele teve.

Por Reinaldo Azevedo
Os oposicionistas precisam aprender a falar aos homens livres


O PSDB, como naquela piada antiga, parece estar sempre umas duas doses a menos, não é mesmo? O programa do partido na TV, que vai ao ar hoje, com uns dez anos de atraso, vai listar as conquistas históricas da legenda - e há mesmo motivo para se orgulhar delas -, apresentar alguns de seus feitos presentes nos estados e coisa e tal. Falo com base no que leio em notinhas aqui e ali.

Vamos ver. Em princípio, parece-me tudo um pouquinho velho e meramente reativo. Até gostaria de me surpreender porque a idéia de que petistas percam eleições sempre me encanta. Mas com quais instrumentos? Os partidos de oposição precisam é procurar se afinar com essa parcela do povo que sai às ruas. Não para lhes dar direção porque essas pessoas não aceitam mais esse tipo de procedimento. Precisam é se alinhar com os seus valores. Mesmo esse negócio de se aproximar de sindicatos, sindicalistas, centrais… Tudo isso, reitero, parece-me já um tantinho bolorento.

É preciso aprender a falar a homens livres, aquela gente que vota e que está engajada, principalmente, em cuidar bem de si e de sua família, como fazem as pessoas de bem. Enquanto as oposições ficarem disputando com o PT o voto dos “engajados”, demonstrando que também sabe ser “progressista”, vai continuar a apanhar dos petralhas porque estes já privatizaram o engajamento.

Por Reinaldo Azevedo
Igreja Católica estimula fiéis a protestar contra corrupção


Por Bernanrdo Mello Franco e Matheus Magenta, na Folha:
No feriado de Nossa Senhora Aparecida, líderes da Igreja Católica discursaram contra a corrupção e usaram a data religiosa para incentivar os fiéis a participar das manifestações realizadas ontem em diversas cidades do país. O tema marcou as falas dos cardeais dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, e dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Eles criticaram os políticos e disseram que a sociedade deve se mobilizar e fiscalizar o uso do dinheiro público. Na igreja de São Luiz Gonzaga, em Pirituba (zona norte de SP), dom Odilo elogiou os protestos e disse que a corrupção “está em toda parte, afligindo o povo brasileiro”.

“Quando não somos mais capazes de reagir e nos indignar diante da corrupção, é porque nosso senso ético também ficou corrompido”, afirmou, em sermão. “Quando o povo começa a se manifestar, a coisa melhora. É isso que precisa acontecer.” Depois de chamar o rio Tietê de “rio da morte” e “esgoto a céu aberto”, o cardeal comparou a situação de suas águas aos desvios na política. “A corrupção é como a água suja do Tietê. Não gera vida, não é coisa boa”, disse. Em seguida, ele pediu à santa que “interceda por todos os responsáveis pelo governo”. “Nossa Senhora Aparecida é a Padroeira do Brasil. Queremos que o Brasil melhore, que seja um país mais digno e decente.” No Santuário Nacional de Aparecida (180 km de SP), o presidente da CNBB disse, em entrevista após a missa solene, que a entidade defende os atos contra a corrupção. “Sabemos de manifestações organizadas por redes sociais e defendemos que a população deve acompanhar os nossos homens públicos, sejam do Executivo ou do Legislativo”, afirmou dom Raymundo Damasceno. “Quando há denúncias de corrupção, que sejam investigadas, [que se investigue] se há responsáveis ou não. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Para Serra, discutir 2014 agora é “pôr o carro adiante 
dos bois”


Por Andrea Jubé Vianna e João Domingos, no Estadão:
O ex-governador José Serra utilizou nesta quarta-feira, 12, o microblog Twitter para dizer que não é o momento de a oposição discutir a sucessão da presidente Dilma Rousseff, numa aparente resposta à declaração do senador Aécio Neves (MG), que em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, no último domingo, afirmou que está pronto para disputar com qualquer candidato do PT, “seja Lula ou Dilma”.

Serra afirmou, no Twitter: “2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”. O senador Aécio Neves, no entanto, não quis entrar em polêmica. Por meio de sua assessoria, ele afirmou que pensa exatamente desta forma, de que não é o momento de discutir a sucessão presidencial. De acordo com informações de políticos ligados a Serra, o ex-governador sonha em disputar a eleição presidencial pela terceira vez, em 2014. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Buenos Aires reforça segurança depois de rumor de atentado


Por Sylvia Colombo, na Folha:
A suposta tentativa do Irã de assassinar o embaixador saudita em Washington, denunciada anteontem pelos EUA, incluiria também outros ataques, entre eles às embaixadas da Arábia Saudita e de Israel em Buenos Aires. A informação, a princípio dada por funcionários do governo à cadeia norte-americana ABC, repercutiu fortemente na imprensa argentina durante todo o dia.
Segundo a France Presse, o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, ligou ontem para autoridades argentinas para passar detalhes sobre a operação e suas prováveis ramificações internacionais. A porta-voz Victoria Nuland confirmou o contato do subsecretário Burns com o governo argentino, mas não quis dar mais informações nem mencionou outros países supostamente envolvidos na trama iraniana.

O governo argentino não se pronunciou sobre o tema até o fechamento desta edição. A presidente do país, Cristina Kirchner, passou mal anteontem e está com sua agenda de campanha eleitoral suspensa, devido a um quadro de lipotimia (queda de pressão, com eventual perda de consciência). Já o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, ofereceu ajuda à Casa Rosada e disse que os possíveis alvos na capital argentina já estão com monitoração reforçada. “Temos que continuar na luta contra o terrorismo”, disse, em entrevista a jornalistas. “Nós, argentinos, temos um grau de sensibilidade maior porque já sofremos dois atentados terroristas”, afirmou Macri, uma das principais vozes da oposição a Cristina -que tenta se reeleger e, segundo as pesquisas, deve obter novo mandato de quatro anos já no primeiro turno, em 23 de outubro. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Em tempos da Internacional do Terror, Brasil continua sem lei que puna o terrorismo


Na Constituição, o terrorismo é crime imprescritível e inafiançável, mas deve ser punido na forma da lei. Ocorre que inexiste a tal lei, e o governo petista se nega a votá-la. A razão é simples: para que se possa punir uma ação terrorista, é preciso caracterizar o que é terrorismo - e isso, acreditem, alcançaria alguns ditos “movimentos sociais”, como o MST, por exemplo.

Assim, pessoas com notórias ligações com movimentos terroristas, como a Al Qaeda, por exemplo, já foram presas no Brasil e soltas em seguida porque não existe uma lei que possa puni-las.

Em abril deste ano, a VEJA publicou uma reportagem de 14 páginas, de autoria de Leonardo Coutinho, sobre a presença de células terroristas no Brasil. É claro que o Irã estava presente. Leiam um trecho:
(…)
Acusado de arquitetar atentados contra instituições judaicas que vitimaram 114 pessoas em Buenos Aires, nos anos de 1992 e 1994, o iraniano Mohsen Rabbani é procurado pela Interpol, mas entra e sai do Brasil com freqüência sem ser incomodado. Funcionário do governo iraniano, ele usa passaportes emitidos com nomes falsos para visitar um irmão que mora em Curitiba. A última vez que isso ocorreu foi em setembro do ano passado. Quando a Interpol alertou a Polícia Federal para sua presença no Brasil, ele já tinha fugido. Mas não são apenas os laços familiares que trazem esse terrorista ao país. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) descobriu que Rabbani já recrutou, pelo menos, duas dezenas de jovens do interior de São Paulo, Pernambuco e Paraná para cursos de “formação religiosa” em Teerã. “Sem que ninguém perceba, está surgindo uma geração de extremistas islâmicos no Brasil”, diz o procurador da República Alexandre Camanho de Assis, que coordena o Ministério Público em treze estados e no Distrito Federal.
(…)
Em 2009, o Jornal O Globo dava a seguinte notícia:
A Venezuela tornou-se uma base aliada do movimento xiita libanês Hezbollah, que pretende atacar países sul-americanos, inclusive o Brasil, publicou nesta quinta-feira o jornal israelense “Yedioth Ahronoth”, um dos principais periódicos do país. A publicação de Tel-Aviv, que cita uma fonte governamental do Estado israelense, afirma que, durante o governo do presidente Hugo Chávez, as relações com o grupo islâmico se estreitaram, de modo que existem até células do Hezbollah na Venezuela, pertencentes ao braço operativo da organização, usado para atentados no exterior e denominado “órgão de pesquisas especiais”. De acordo com o jornal, os serviços secretos israelenses acreditam que o movimento xiita esteja trabalhando para atacar alvos israelenses na Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Peru.

Voltei
O Hezbollah é um satélite do Irã. Às vésperas de sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, o Brasil segue sendo uma das poucas, se não for a única, democracias do mundo que se negam sistematicamente a votar uma lei contra o terrorismo. Logo, passa a ser um território propício à ação desses humanistas… O Irã (leia post abaixo), como se viu, espalha seus tentáculos mundo afora. No Brasil, como informou a reportagem de VEJA, a canalha não encontra nenhuma dificuldade.

Por Reinaldo Azevedo
Um país governado por terroristas


O mundo reage com perplexidade - e quase silêncio - à informação de que as forças de segurança dos EUA desbarataram um plano do governo iraniano de assassinar o embaixador saudita em Washington, Abdel al-Jubeir. Havia ainda a intenção de explodir a representação diplomática de Israel nos EUA e na Argentina. Mansor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA. Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. E agora?

Pois é. Fontes da área de segurança dos EUA informam que há a suspeita de que o próprio Mahmoud Ahmadinejad, o tirano do “zóio junto“, não soubesse do plano. Já o aiatolá Khamenei, que controla a brigada de elite, estaria ciente de tudo e teria dado sinal verde para a operação. Aí as coisas assumem um contorno verdadeiramente dramático, perigoso.

Aqui e ali, alguns tratam com certa desconfiança a informação. Não entendo por quê. O Irã dos aiatolás se encarregou de eliminar, de maneira sistemática, seus dissidentes no exterior, violando, obviamente, as leis locais. Bem poucas pessoas escaparam. Os que sobraram vivem sob estrita proteção porque se dá como certo que os agentes da Guarda Revolucionária se espalham mundo afora para eliminar os “inimigos da revolução islâmica”. A única estranheza é que nunca tiveram como alvo um embaixador estrangeiro. E daí? Se o plano tivesse dado certo, dificilmente se chegaria à autoria. Sempre poderia restar a suspeita de que fosse coisa de alguma célula da Al Qaeda, que também tem o governo saudita como inimigo.

O Irã financia os terroristas do Hazbollah no Líbano, os do Hamas na Faixa de Gaza e o extremismo xiita no Iraque. Suas pegadas no atentado terrorista contra a Amia, entidade beneficente judaica instalada na Argentina, no dia 18 de julho de 1994, são claríssimas. A explosão matou 85 pessoas (boa parte crianças) e deixou 200 feridos. Um dos mentores do ataque é Ahmad Vahidi, que é, hoje, nada menos do que ministro da Defesa do governo Ahmadinejad. O que esperar dessa gente?

O governo do Irã, como sempre, reagiu com indignação e acusou um grande complô contra o país, liderado pelos EUA. Nada que não esteja no script. É o que esses valentes fazem sempre. Estamos falando de uma escória que toca um programa nuclear secreto, com a mais do que declarada intenção de destruir um outro país - no caso, Israel, que Ahmadinejad já prometeu “varrer do mapa”. As sanções em curso, como se vê, têm sido insuficientes para que freiem a loucura atômica, para que ponham um fim ao financiamento do terrorismo e para que recolham seus tentáculos homicidas mundo afora. Qual deve ser o próximo passo?

É com essa gente que o governo Lula e o Itamaraty de Celso Amorim quiseram celebrar uma aliança; foi o representante desse governo que o Apedeuta chamou de “querido amigo”. Como tratar o Irã? O que fazer com um país que a tanto se atreve? Notem: a situação dos EUA já é de tal sorte difícil hoje - com uma guerra ainda não concluída no Iraque, outra no Afeganistão e, por que não?, uma terceira na Líbia (para falar das questões externas…) - que uma deterioração das relações com o Irã, que já são péssimas, seria a última coisa desejada pela Casa Branca e por Obama em particular. Mas há o peso tenebroso dos fatos.

Qual é a pauta?
O episódio demonstra como é falsa a tese segundo a qual, resolvido o “problema palestino”, todas dificuldades se diluem no Oriente Médio. Bobagem! O confronto entre Irã e Arábia Saudita tem uma forte marca religiosa, é expressão da disputa pela liderança regional e tem caráter também geopolítico: os sauditas são os principais, e mais fiéis, aliados dos EUA no Oriente Médio. Para o Irã, os palestinos terem ou não um estado não faz grande diferença. O país continuará a ser governado por uma elite terrorista até que essa gente não seja corrida de lá a vara.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo

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