O que a foto de Dilma sugere, revela e esconde, por Reinaldo Azevedo

Publicado em 04/12/2011 09:46 831 exibições
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O que a foto de Dilma sugere, revela e esconde

Como disse Voltaire, o segredo de aborrecer é dizer tudo. Então vamos lá.

foto-dilma-depoimento-justica-militarA foto acima circulou bastante na Internet ontem. Vemos ali Dilma Rousseff, aos 22 anos, em novembro de 1970, quando depunha numa auditoria militar, no Rio. A imagem está no livro “A Vida quer coragem”, de Ricardo Amaral, que foi assessor da Casa Civil quando Dilma era ministra. Ele trabalhou depois na campanha eleitoral da então candidata do PT à Presidência. A petezada está excitadíssima — uma estranha e mórbida excitação, acho eu. Já falo a respeito. Antes, algumas considerações.

A hagiografia lulística exalta o nordestino tangido pela seca, o menino pobre, depois operário e sindicalista, que venceu todas as vicissitudes do destino — sua mãe nasceu analfabeta; fosse rica, já viria à luz citando Schopenhauer — até se tornar presidente da República e inventar o Brasil. Antes dele, eram trevas. Em palanque, o homem já chegou a se comparar a Cristo. O analfabetismo de nascimento de Dona Lindu é, então, uma espécie de metáfora da virgindade de Maria. Dilma, cuja família era rica, tem de ser santificada por outro caminho. Em tempos de instalação de uma “Comissão da Verdade” — que será a verdade dos que perderam a luta, mas ganharam a guerra de versões , é preciso ressuscitar a têmpera da heroína. Os grupos a que ela pertenceu praticavam, na verdade, ações terroristas. E daí? Isso não vai interessar à tal comissão.

Segundo se informa, Dilma havia sido torturada durante 22 dias antes de ser apresentada ao tribunal. Não vou pôr isso em dúvida. É coisa séria demais! Noto apenas que alguém que se deixa torturar pela lógica se vê obrigado a indagar por que os trogloditas que a seviciaram interromperam o serviço sujo para dar curso ao aspecto legal e formal da prisão. Adiante. O fato é que a imagem reúne um coquetel de clichês que serve à hagiografia dilmista.

Vemos ali uma mocinha magriça, bonita, cabelo meio à la garçonne, socialista por dentro (mas isso não se vê, só se sabe) e existencialista por fora. Embora, consta, ela desse aula de marxismo para a sua turma e cuidasse de parte das finanças da VAR-Palmares, há a sugestão de uma intensa vida interior, mais para“A Náusea”, de Sartre, do que para a literatura leninista. Olha para o vazio, com uma firmeza triste. Atrás dela, fora do foco, militares devidamente fardados consultam papéis. As mãos escondem o rosto. O contraste resta óbvio: na narrativa fantasiosa, a vítima, de cara limpa, estaria enfrentando seus algozes, que tentariam se esconder da história. A justiça, firme e frágil, contra os brutamontes acovardados. Davi contra Golias. O Bem contra o Mal. A democracia contra a ditadura. O título do livro não deixa dúvida sobre o desfecho: “A Vida quer coragem”.

Em tempos de “Comissão da Verdade”, essa é a grande falácia alimentada por esse coquetel de clichês. Não eram democratas os militares que estavam no poder. Tampouco eram democratas aqueles que tentavam derrubar os militares do poder. Os poderosos de então tinham dado um golpe de estado. Os atentados terroristas não buscavam derrubá-los para instituir, então, um regime democrático no país. Os ditos “revolucionários” queriam também uma ditadura, só que a socialista.

Morreram 424 pessoas combatendo o regime militar — algumas delas com armas na mão, trocando tiros com as forças de segurança ou tentando articular as guerrilhas. Outras foram assassinadas depois de rendidas pelo Estado, o que é um absurdo. Os grupos de esquerda no Brasil, não obstante, embora com um contingente muito menor e muito menos armados do que o estado repressor, mataram 119! E, como é sabido, ninguém acende velas para esses cadáveres porque não têm o pedigree esquerdista. Contam-se nos dedos os “mortos pela ditadura” que não estavam efetivamente envolvidos com a “luta” para derrubar o regime. Não estou justificando nada. Apenas destaco, até em reconhecimento à sua própria coragem, que elas sabiam, a exemplo de Dilma, o risco que corriam. Já a esmagadora maioria dos indivíduos assassinados pelos grupos de esquerda — sim, também pelos grupos de Dilma — eram pessoas que nada tinham a ver com a “luta”, nem de um lado nem de outro: apenas estavam no lugar errado na hora errada: comerciantes, transeuntes, taxistas, correntistas de banco, guardas…

Apelando à pura lógica, isso é uma indicação do que teria acontecido se os movimentos ditos revolucionários tivessem realmente conseguido se armar para valer, atraindo milhares de brasileiros para a sua aventura. Teria sido uma carnificina, como é, ou foi, a história do comunismo. Dada a brutal diferença de aparato, fôssemos criar um “Índice de Letalidade” das esquerdas armadas e das forças do regime, elas ganhariam de muito longe. No campeonato na morte, as esquerdas são sempre invencíveis. É inútil competir.

Esses são fatos que a foto esconde. A luta dos democratas — não a dos partidários de ditaduras — nos restituiu um regime de liberdades públicas e respeito ao estado de direito. Felizmente, Dilma sobreviveu e é hoje umas das beneficiárias, em certa medida, de sua própria derrota, já que é a democracia que a conduziu ao posto máximo do país.  Este garoto, no entanto, não teve igual sorte.

mariokozelfilho11Trata-se de Mário Kozel Filho, que morreu num atentado praticado pela VPR no dia 28 de junho de 1968. A organização terrorista lançou um carro sem motorista contra o QG do II Exército, em São Paulo. Os soldados que estavam na guarda dispararam contra o veículo, que parou no muro. Kozel foi em sua direção para ver o que tinha acontecido. O carro estava carregado com presumíveis 50 quilos de dinamite. A explosão fez em pedaços o corpo do garoto, que tinha 18 anos. Treze meses depois, a VPR se fundiu com o Colina, o grupo a que pertencia Dilma, e surgiu a VAR-Palmares. Os assassinos de Kozel foram, pois, companheiros de utopia daquela moça que lembra uma musa existencialista na foto que agora serve à hagiografia.

Este homem também não teve a mesma sorte de Dilma.

capitao-alberto-mendes-juniorTrata-se do capitão da PM Alberto Mendes Júnior, assassinado por Carlos Lamarca e seus comparsas da VPR no dia 10 de maio de 1970. Àquela altura, o grupo já havia se separado da VAR-Palmares. Mendes havia sido feito prisioneiro do grupo. Como julgassem que ele estava atrapalhando a fuga, um “tribunal revolucionário” decretou a sua morte. Teve o crânio esmagado com a coronha de um fuzil. Dia desses, vi um ator na televisão exaltando a “dimensão da figura histórica de Lamarca”. Entenderam???

Caminhando para a conclusão
Alguns bobalhões — os que me detestam, mas não vivem sem mim — enviaram-me vários links com a foto de Dilma, fazendo indagações mais ou menos como esta: “E aí? Quero ver o que você vai dizer agora”. Pois é… Já disse! Alguns preferem ficar com as ilusões que a imagem inspira. Eu prefiro revelar os fatos que ela esconde.

A presidente Dilma Rousseff — que se fez presidente justamente porque as utopias daquela mocinha frágil, felizmente, não se cumpriram — assinou anteontem a carta da tal Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). Trata-se apenas de uma iniciativa para dar voz a delinqüentes como Raúl Castro, Hugo Chávez, Rafael Correa, Daniel Ortega e Evo Morales. A carta democrática não toca em eleições e imprensa livre porque isso feriria as susceptibilidades desses “democratas diferenciados”. Na cerimônia, o orelhudo Daniel Ortega identificou um grande mal na América Latina: A IMPRENSA.

De certo modo, Dilma assinou aquela carta com os olhos voltados para o passado. E ela só é presidente porque os democratas lhe deram um futuro.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:09

Comissão de Anistia faz homenagem, acreditem!, a autor de manual que prega abertamente o terrorismo. Eis a isenção dessa gente!

A Comissão de Anistia, acreditem!, vai homenagear Carlos Marighella. E já prepara a indenização. Segue texto de Sérgio Roxo, no Globo, em que o líder terrorista é chamado de “guerrilheiro”. Leiam. Volto depois.
*
Considerado inimigo público número um da ditadura militar, o guerrilheiro Carlos Marighella será homenageado na segunda-feira, dia do centenário de seu nascimento, pela Comissão de Anistia. A família dele receberá, em Salvador, cidade natal do ex-líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) , o pedido formal de desculpas do Estado brasileiro por causa da perseguição política que sofreu ao longo de toda a vida. Entre parentes e ex-companheiros, o evento, em que será concedida a anistia política ao guerrilheiro, é visto como símbolo de resgate de sua figura. “Pode fazer com que novas gerações se interessem em conhecer a importância do Marighella ao país”, diz Clara Charf, viúva do líder da ALN.

“É o coroamento de 40 anos de luta para fazer com que o país conheça uma figura que viveu condenada a um silêncio total por todo esse período”, afirma Carlos Augusto Marighella, filho do guerrilheiro com Elza Sento Sé. “Não permitiram que a família tivesse o direito de sepultá-lo. Ele era apresentado como um facínora, um terrorista. O inimigo da pátria.” Sueli Bellato, uma das vice-presidentes da Comissão de Anistia, acredita que a concessão da anistia pode ajudar a sociedade a ter mais informações sobre o papel do guerrilheiro na História. ” A concessão da anistia traz a possibilidade, aos que não tiveram acesso na academia a esse período histórico, de saber o que aconteceu e reconhece qual foi a contribuição que pessoas como Marighella quiseram dar ao nosso país”, afirma.

A homenagem acontecerá no Teatro Vila Velha, a partir das 15h. A família entrara com o pedido de anistia política neste ano, e o processo será julgado no evento. Não houve pedido de indenização. Na ocasião, também será lançado o Pró Memorial Marighella Vive, que irá reunir acervo sobre o ex-líder da ALN. Ainda em razão do centenário, no dia 15 dezembro ocorrerá um evento na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio. Vão participar também a OAB , o MST, o Grupo Tortura Nunca Mais, a Fundação Dinarco Reis (ligada ao PCB) e a Rede Democrática.

A idéia dos organizadores é dar início ao Ano Marighella, com atividades, palestras, debates e seminários pelo país. Sindicatos de professores também serão procurados para que a história do guerrilheiro seja levada à sala de aula.

Voltei
Depois dizem que trato com má vontade a Comissão da Verdade! Vejam o que faz a da Anistia, que deveria preservar a sua capacidade de fazer julgamentos objetivos e isentos. Essa gente é uma piada. Carlos Marighella é autor de “Minimanual da Guerrilha Urbana” que faz a pregação aberta do terrorismo e do assassinato de soldados apenas porque são… soldados! É esse o “herói” que a comissão está aplaudindo.

Seguem trechos do manual, escrito por aquele grande humanista:

Já na abertura

A acusação de “violência” ou “terrorismo” sem demora tem um significado negativo. Ele tem adquirido uma nova roupagem, uma nova cor. Ele não divide, ele não desacredita, pelo contrário, ele representa o centro da atração. Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.

Missão

O guerrilheiro urbano é um inimigo implacável do governo e infringe dano sistemático às autoridades e aos homens que dominam e exercem o poder. O trabalho principal do guerrilheiro urbano é de distrair, cansar e desmoralizar os militares, a ditadura militar e as forças repressivas, como também atacar e destruir as riquezas dos norte-americanos, os gerentes estrangeiros, e a alta classe brasileira.
(…)
é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:
a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.

É pra matar

No Brasil, o número de ações violentas realizadas pelos guerrilheiros urbanos, incluindo mortes, explosões, capturas de armas, munições, e explosivos, assaltos a bancos e prisões, etc., é o suficientemente significativo como para não deixar dúvida em relação as verdadeiras intenções dos revolucionários.
A execução do espião da CIA Charles Chandler, um membro do Exército dos EUA que venho da guerra do Vietnã para se infiltrar no movimento estudantil brasileiro, os lacaios dos militares mortos em encontros sangrentos com os guerrilheiros urbanos, todos são testemunhas do fato que estamos em uma guerra revolucionária completa e que a guerra somente pode ser livrada por meios violentos.
Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão, e a dedicar 24 horas do dia à expropriação dos exploradores da população.

Razão de ser
A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para qual atua e sobrevive, é o de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate.
Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o faze um tipo especial de guerrilheiro urbano - ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo.

Espalhando o terror
[a guerrilha deve] provar sua combatividade, decisão, firmeza, determinação, e persistência no ataque contra a ditadura militar para permitir que todos os inconformados sigam nosso exemplo e lutem com táticas de guerrilha urbana. Enquanto tanto, o governo (…) [terá de retirar] suas tropas para poder vigiar os bancos, indústrias, armarias, barracas militares, televisão, escritórios norte-americanas, tanques de armazenamento de gás, refinarias de petróleo, barcos, aviões, portos, aeroportos, hospitais, centros de saúde, bancos de sangue, lojas, garagens, embaixadas, residências de membros proeminentes do regime, tais como ministros e generais, estações de policia, e organizações oficiais, etc.
[a guerrilha deve] aumentar os distúrbios dos guerrilheiros urbanos gradualmente, em ascendência interminável, de tal maneira que as tropas do governo não possam deixar a área urbana para perseguir o guerrilheiro sem arriscar abandonar a cidade, e permitir que aumente a rebelião na costa como também no interior do pais.

PS - Compreendo que o filho gosta dele. Também amavam seus respectivos pais os filhos das vítimas de Marighella.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:07

Petismo de resultados - Ministro Fernando Pimentel recebeu R$ 2 milhões por consultorias

Por Thiago Herdy, no Globo
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa de consultoria, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda., em 2009 e 2010, entre sua saída da Prefeitura de Belo Horizonte e a chegada ao governo Dilma Rousseff. Os dois principais clientes do então ex-prefeito foram a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o grupo da construtora mineira Convap. A federação pagou R$ 1 milhão por nove meses de consultoria de Pimentel, em 2009, e a construtora, outros R$ 514 mil, no ano seguinte.

A consultoria de Pimentel à Fiemg foi contratada quando o presidente da entidade era Robson Andrade, atualmente à frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e se resumiu, de acordo com o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, a “consultoria econômica e em sustentabilidade”. No entanto, dirigentes da própria entidade desconhecem qualquer trabalho realizado pelo ministro.

O serviço à Convap durou de fevereiro a agosto de 2010, época em que Pimentel era um dos coordenadores da campanha de Dilma e viajava o Brasil com a candidata. Após a consultoria, a Convap assinou com a prefeitura do aliado de primeira hora de Pimentel, Márcio Lacerda (PSB), dois contratos que somam R$ 95,3 milhões.

Em maio deste ano, ao ser questionado durante viagem a Ipatinga (MG) a respeito das atividades da P-21 Consultoria e Projetos Ltda., já na condição de ministro, o petista não quis dizer quem eram os seus clientes e classificou o rendimento da empresa como “compatível com a atividade dela” e “nada extraordinário”.

A Convap contratou Pimentel por meio de outra empresa do grupo que a controla, a Vitória Engenharia, atual Mineração Vitória Ltda., cujo endereço é o mesmo da construtora, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Menos de um ano após pagar a última parcela pela consultoria do petista, a Convap foi escolhida no governo Lacerda para tocar obras viárias de implantação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Cristiano Machado, para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 36,3 milhões), e da Via 210, na região Oeste da capital mineira (R$ 59 milhões). As duas obras são em consórcio com a construtora Constran.

Fernando Pimentel deixou a prefeitura há três anos; ainda assim seu grupo permanece no controle da Secretaria municipal de Obras e Infraestrutura no governo Lacerda. A pasta foi responsável pela contratação da Convap e continua nas mãos do engenheiro Murilo Valadares, petista que cuidava da secretaria no governo de Pimentel. De 2000 a 2008, período em que o atual ministro foi prefeito de Belo Horizonte, não há registro de contrato do município com a Convap.

Perguntado se via conflito de interesses na assinatura de contratos de quase R$ 100 milhões com uma empresa que tinha como consultor um de seus padrinhos políticos, Valadares disse que não. Ele alegou que os contratos foram assinados por meio de licitação e que, nos dois casos, o consórcio apresentou o menor preço.

“O secretário sempre pautou suas ações pela transparência e pela ética. As licitações seguem os parâmetros legais. Diante da suspeita de quaisquer irregularidades, cabe aos órgãos competentes realizarem suas fiscalizações, bem como à imprensa republicana registrar os fatos e evitar suposições”, disse a assessoria de Valadares, por meio de nota oficial.

Procurado por e-mail e pessoalmente para dizer que tipo de consultoria Pimentel prestou à sua empresa por mais de R$ 500 mil, o diretor-presidente da Convap, Flávio de Lima Vieira, não deu entrevista. Pelo telefone, repetiu quatro vezes a frase “nada a declarar” e desligou.

Já o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, disse ter pago por “análise, avaliação e aconselhamento sobre aspectos da economia local e mundial”, “discussões socioeconômicas com base em experiência técnica, universitária e administrativa”, e “dimensionamento de mercados para empresas, aspectos de meio ambiente e sustentabilidade”.

Consultoria na Fiemg desconhecida
Em 2009, a Fiemg pagou R$ 1 milhão por informações que, em linhas gerais, o ex-prefeito ofereceu de graça pelo menos 13 vezes em palestras para estudantes, políticos e comerciantes locais em viagens por Minas naquele mesmo ano, de acordo com o site “Amigos do Pimentel”. O tema era “Perspectivas econômicas e sociais de Minas e do Brasil no atual cenário mundial”, e o ex-prefeito viajava para articular sua pré-candidatura ao governo de Minas para o ano seguinte, plano que não se concretizou. No site, há referência a um encontro promovido pela Fiemg, em agosto daquele ano.

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:05

No mundo Lupi - Chegam a quase R$ 300 milhões os convênios sem prestação de contas

Por Jaílton de Carvalho e Geraldo Doca, no Globo:
A fartura de dinheiro repassado pelo Ministério do Trabalho, de Carlos Lupi (PDT), para organizações não governamentais contrasta com a precária estrutura de controle da boa aplicação dos recursos destinados a programas de qualificação de mecânicos, garçons, marceneiros, entre outros trabalhadores. Levantamento com dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) informa que o ministério acumula R$ 282 milhões em prestações de contas de ONGs, fundações e prefeituras não analisadas.

Isso significa que o ministério liberou o dinheiro, mas não sabe se os serviços foram executados. As pilhas de prestações de contas estão acumulando poeira desde 2004. Entre as contas pendentes estão os processos do Instituto Brasil Voluntário - Bravo, ONG indicada pelo deputado Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais assessores de Lupi à época da assinatura do convênio entre a entidade e o ministério. A entidade firmou, em dezembro de 2007, um convênio de R$ 2.184.870,00 com o pretexto de qualificar jovens para o primeiro emprego. Mas, segundo um fiscal, depois de receber o dinheiro, desapareceu. Esse fiscal relata que a entidade entregou a prestação de contas da primeira parcela (aproximadamente R$ 800 mil) e simplesmente sumiu.

Nos documentos apresentados ao ministério, a Brasil Voluntário informa como endereço um escritório em Timon, no Maranhão, uma das bases eleitorais de Weverton. Em 2008, ano seguinte à assinatura do convênio, dirigentes da entidade teriam ajudado a campanha do ex-deputado Chico Leitoa (PDT) à prefeitura local. Leitoa é um dos principais aliados de Weverton Rocha.

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta graves irregularidades no convênio. Entre outras ilegalidades, os fiscais verificaram “indícios de fraude na formulação de planilhas de custos de cursos de qualificação específica” e “pagamentos indevidos a servidores públicos”.

Nos papéis relegados a segundo plano estão ainda uma das prestações de contas da Fundação Pro-Cerrado, do empresário Adair Lima, o mesmo que providenciou um avião para Lupi fazer uma viagem ao Maranhão no final de 2009. Em 2007, a ONG fez convênio de R$ 2.379.282,62 também para qualificar trabalhadores, mas as contas da entidade não foram analisadas. A ONG já caiu na malha fina da CGU e está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:03

Vai ser desta vez? Governo indica a Lupi que sua situação é insustentável

Por Natuza Nery e Cátia Seabra, na Folha:
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já recebeu de interlocutores do governo a sinalização de que não há mais condições políticas de sua manutenção no cargo. A presidente Dilma Rousseff, que retornou ontem de uma viagem à Venezuela, deve chamá-lo para uma conversa definitiva entre hoje e amanhã. Em conversas com integrantes do Executivo, o próprio titular da pasta aparenta ter perdido as esperanças de permanecer e reconhece que está causando constrangimento à presidente da República. Em nenhum momento, porém, admitiu que pedirá demissão. Nas conversas, o ministro do PDT ouviu a avaliação de que sua situação tornou-se insustentável após a Folha revelar que ele acumulou dois empregos públicos por quase cinco anos, em Estados diferentes, o que é vedado pela Constituição.

Ainda que o fato tenha ocorrido antes de seu ingresso na Esplanada, a avaliação é que sua permanência desmoralizaria o governo. Na quinta, a Comissão de Ética da Presidência recomendou a exoneração do ministro, aumentando a pressão para sua derrubada. Setores do PDT que vêm publicamente defendendo Lupi admitiam ontem perder a pasta, desde que ela não vá parar nas mãos do PT. Isso porque há uma disputa entre as duas principais centrais sindicais do país: a Força Sindical, ligada a pedetistas, e a CUT, ao PT. Uma das propostas é a indicação de um nome sem vínculo partidário, como um magistrado da área.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

04/12/2011

 às 7:01

Governo abandona transposição do São Francisco após eleição de Dilma

Entre Betânia e Custódia, obras estão paralisadas e placas de concreto começam a se soltar (Wilson Pedrosa/AE)

Entre Betânia e Custódia, obras estão paralisadas e placas de concreto começam a se soltar (Wilson Pedrosa/AE)

Por Eduardo Bresciani, no Estadão:
Cenário de propaganda eleitoral da presidente Dilma Rousseff e responsável por parte de sua expressiva votação recebida no Nordeste, a transposição do Rio São Francisco foi abandonada por construtoras e o trabalho feito começa a se perder. O Estado percorreu alguns trechos da obra em Pernambuco na semana passada e encontrou estruturas de concreto estouradas e com rachaduras, vergalhões de aço abandonados e diversos trechos em que o concreto fica lado a lado com a terra seca do sertão nordestino.

O Ministério da Integração Nacional afirma que é de responsabilidade das empresas contratadas a conservação do que já foi feito e que caberá a elas refazer o que está se deteriorando. Informa ainda que vai promover novas licitações em 2012 para as chamadas obras complementares, trechos em que a pasta e as empreiteiras não conseguiram chegar a um acordo sobre preço. Segundo o ministério, as obras estão paralisadas em 6 dos 14 lotes e em um deles o serviço ainda será licitado.

Marcada por controvérsias, a obra da transposição começou a sair do papel em 2007 e, no ano seguinte, com os canteiros em pleno funcionamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua então ministra-chefe da Casa Civil e mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fizeram uma vistoria pela região para fazer propaganda da ação. Os dividendos eleitorais foram colhidos no ano passado por Dilma. Em Pernambuco, Estado onde começa o desvio das águas, ela obteve mais de 75% dos votos válidos no segundo turno da eleição. Nas cidades visitadas pelo Estado, onde as obras estão agora abandonadas, o desempenho foi ainda melhor. Em Floresta, a presidente obteve 86,3%; em Cabrobó e Custódia, 90,7%; e em Betânia, 95,4%.

Prometida para o final do governo Lula, a obra tem seu prazo de entrega sucessivamente adiado. A nova previsão é concluir os 220 quilômetros do eixo leste, de Floresta a Monteiro (PB), até o fim de 2014 e terminar no ano seguinte os 402 quilômetros do eixo norte, que sai de Cabrobó para levar água ao Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A obra está atualmente orçada em R$ 6,8 bilhões, 36% a mais do que a projeção inicial. Segundo o ministério, foram empenhados R$ 3,8 bilhões para a obra e pagos R$ 2,7 bilhões às construtoras.

Abandono
Durante três dias, a reportagem percorreu cerca de 100 quilômetros da extensão dos canais da obra. O abandono foi a tônica da viagem, com canteiros completamente parados. As únicas exceções foram as partes da transposição sob responsabilidade do Exército.

Em um dos trechos visitados, na divisa das cidades pernambucanas de Betânia e Custódia, cerca de 500 metros de concreto estão totalmente quebrados, com pedaços se soltando do solo. Esse trecho terá de ser refeito para a água do São Francisco passar. O padre Sebastião Gonçalves, da diocese de Floresta, foi quem encontrou o trecho destruído durante vistoria frequente que faz pelas obras. “As empresas abandonaram as obras e já começou a se perder o trabalho feito. É um desperdício inexplicável.”

A parte que aparece com as maiores avarias está no lote 10 da obra, que teve as obras iniciadas pelas construtoras Emsa e Mendes Júnior.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Na Venezuela, Dilma mete a sua assinatura num papelão que falsifica a democracia

Ai, ai, que pregui…

Em 2010, decidiu-se criar uma estrovenga chamada Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez lutaram muito por ela. O ditador venezuelano, por exemplo, afirma que a nova entidade vai tornar caduca a OEA (Organização dos Estados Americanos). A tal Celac tem de assinar uma declaração sobre democracia. Mas como fazê-lo sem ferir os, digamos, sentimentos dos governos de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia ou Nicarágua, países governados pelas esquerdas em que ou há ditadura escancarada ou mecanismos típicos de regimes ditatoriais, como censura à imprensa?

Dilma está na Venezuela tratando do assunto. O governo brasileiro, que acaba de aprovar a “Comissão da Verdade” porque, vocês sabem, repugna-o a ditadura, foi lá dar piscadelas para tiranetes. Leiam o que informa Lisandra Paraguassu, noEstadão. Volto em seguida com algumas indagações de cunho puramente lógicos.
*
A declaração sobre democracia que será assinada pelos 33 países da recém-criada Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) teve de ficar no genérico. Para não ferir sensibilidades e ser aprovada por todos, a declaração, apoiada pelo Brasil, se concentra na condenação a tentativas de golpe e de “subverter o Estado de Direito”, mas deixa de lado questões como eleições diretas livres ou liberdade de expressão, pilares da democracia.

A cláusula democrática prevê que o país onde haja um golpe de Estado seja excluído da Celac e só possa voltar quando a situação tenha retornado à normalidade política.

No entanto, a não realização de eleições, o controle do Estado sobre a mídia e uma divisão nebulosa entre os poderes - características de países vistos como “democracias duvidosas” - não vão ser consideradas, pois poderiam causar constrangimento para países como Cuba e a própria Venezuela, anfitriã do encontro de cúpula.

Suspensão. “A declaração é calcada na cláusula da Ibero-Americana (cúpula que reúne América Latina, Portugal e Espanha) e prevê que, se houver violação da democracia, o país pode ser suspenso da organização”, explicou o subsecretário-geral da América do Sul, embaixador Antonio Simões. Uma versão muito mais fraca, por exemplo, do que a cláusula democrática da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

A declaração constitutiva do grupo de países trata claramente da necessidade de respeito “as liberdade fundamentais, incluindo a liberdade de opinião e expressão” e o “exercício pleno das instituições democráticas e o respeito irrestrito dos direitos humanos”. “Com mais países, a tendência é que o mecanismo não fique tão forte”, reconheceu o embaixador. “Mas, dentro da expectativa que temos, é absolutamente adequada. Não se pode prever cada coisa. Situações específicas tem de ser enquadradas nas situações genéricas”, ponderou Simões.

Voltei
Antônio Simões é diplomata e coisa e tal. Entre as suas funções, está tentar dar nó em pingo d’água e usar as palavras mais para esconder do que para revelar. Como é? Se houver violação à democracia, o país pode ser suspenso, é? E quem já entra nela com a democracia violada, como Cuba e Venezuela? O que se entende por democracia está em prática no Equador, na Bolívia ou na Nicarágua, em que a imprensa vive sob constante assédio do estado? Que diabo de “declaração democrática” é essa que não pode fazer referência a eleições para não deixar zangados os irmãos carniceiros que governam Cuba, onde o Granma, jornal oficial, é usado como papel (anti)higiênico — e isso não é metáfora? Há a possibilidade, para, poucos, de consultar a versão virtual emwww.granma.cubaweb.cu/; na edição internacional, basta www.granma.cu

Golpe não pode, mas ditadura pode! Venham cá: e se for um “golpe democrático” numa ditadura? Pode ou não? É claro que estou fazendo uma ironia. É preciso tomar cuidado quando gente como Chávez, Raúl Castro, Evo Morales, Rafael Correa e o orelhudo Daniel Ortega falam em “estado de direito”. A China, à sua maneira, é um estado de direito, né? Tem leis. Seus tribunais a aplicam. O Brasil escravocrata era um “estado de direito”. Romper a ordem de direito de uma ditadura é coisa desejável, não?

Diz o embaixador que “não se pode prever cada coisa”. É verdade! Esse negócio de tentar misturar democracia com eleições, dados esses parceiros, parece um excesso de rigor… A Celac nasce para ser uma vitrine de democratas exóticos. Dilma está pondo a sua assinatura num papelão.

PS - “Ah, mas ela não tinha o que fazer, né? Tinha de assinar. Não é pessoal!” Eu sei. Claro que não é pessoal! A Celac nasce de uma visão de mundo da qual ela faz parte.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:19

Dilma assina acordos mais favoráveis à Venezuela que ao Brasil

No Estadão:
Em sua primeira visita à Venezuela, a presidente Dilma Rousseff manteve o script brasileiro de benfeitor regional. A reunião de quase cinco horas entre os presidentes Hugo Chávez e Dilma Rousseff terminou em 11 acordos, protocolos de intenção e memorandos.

Na maioria deles, o governo brasileiro dá apoio técnico, desenvolve projetos, transfere tecnologias. Em troca, apenas promessas de negócios futuros e um contrato entre a construtora brasileira Odebrecht e a Corporação Venezuelana de Petróleo (CVP) para a criação de uma empresa mista para exploração nos campos Mara Oeste, Mara Este e La Paz.

Entre os acordos assinados, o Brasil se comprometeu a ajudar a Venezuela em um projeto de transformação de favelas. Também dará apoio técnico e bancário para que o país maneje melhor os recursos do projeto Gran Misión Viviendas - o Minha Casa, Minha Vida venezuelano - e fará intercâmbio para repasse de informações para controle e combate a fraudes bancárias.

Bolívia
Roteiro parecido foi seguido na primeira reunião bilateral entre Dilma e Evo Morales, presidente da Bolívia. A própria presidente revelou que, no encontro, o Brasil deixou clara a importância que dá à relação com La Paz e “e se dispôs a auxiliar em tudo o que for necessário, especialmente na área de energia”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:17

DENÚNCIA GRAVE: EXTREMISTAS DE ESQUERDA DA USP ACUSAM INTEGRANTE DA CHAPA “REAÇÃO”, AQUELA DOS ESTUDANTES QUE ESTUDAM, DE FREQÜENTAR LIVRARIAS!!!

Espalhem este post. Enviem-no, muito especialmente, a estudantes da USP!

O quê?

Vocês acham que me esqueci dos dinossauros e os pterodáctilos que enchem o saco dos estudantes que querem estudar da USP e das universidades públicas? Não mesmo!!! Até porque eles são loucos por mim! Eu lhes ofereço, ao menos, a chance de ter uma causa.

Os estudantes que estudam já venceram na UnB!
Os estudantes que estudam já venceram na UFMG!
Os estudantes que estudam — a chapa “REAÇÃO” — teriam vencido na USP não fosse o golpe desfechado pelas esquerdas unidas, incluindo os petistas de Fernando Gugu Dadá Haddad.

Muito bem! As tendências que compõem o comando de greve na universidade — UMA GREVE QUE NÃO EXISTE!!! — editam um jornaleco xexelento. Uma remelenta lá escreve um texto contra mim. Sei lá por quê, me chama de “Renato Azevedo”. Deve ser medo de processo. Ela também aproveita para falar mal da VEJA. Entendo a alma da coitada. Uma revista que publica reportagens que resultam na queda de cinco ministros — o sexto está indo… — não pode servir mesmo de referência para essa gente. Ou bem se está com a moralidade pública ou bem se está contra a VEJA! Se essa moça estivesse com a moralidade pública, não estaria defendendo a invasão de um patrimônio do povo paulista por meia-dúzia de extremistas.

Ela usa como referência um único texto meu — e escrevi dezenas, talvez centenas — em que ironizo o estilo dos “revolucionários do sucrilho e do toddynho”. Parecem todos caídos do caminhão de mudança de Woodstock… Não exalassem outros odores, cheirariam a naftalina ideológica. A remelenta dá a entender que a minha única restrição a eles é essa. Não é, não!
- Repudio também sua ignorância;
- repudio também seu autoritarismo;
- repudio também seu ódio à democracia;
- repudio também seu atraso mental.

A roupa, ô remelenta, é o de menos! Ela só entra, assim, como um elemento a compor um perfil. A dita-cuja seria estudante de Letras. Imagino a sua sensibilidade para a literatura, para ler Proust, por exemplo, e seu apego à descrição…

O jornaleco também resolveu fazer o que deve considerar uma grave denúncia. Publicou esta foto.

usp-jose-oswaldo-e-reinaldo-azevedoEste senhor de chapéu aí sou eu. O rapaz que está ao lado é José Oswaldo Neto, que integra a chapa “Reação”. Estamos numa livraria, no lançamento de um dos meus livros, “O País dos Petralhas”. Essa foto, junto com outras centenas, está no site da Editora Record. Eu nem sabia que José Oswaldo tinha ido. Simpatizei mais com ele agora, hehe…

Atenção, alunos da USP! José Oswaldo, da chapa Reação, não freqüenta boca de fumo. Prefere freqüentar livrarias. Isso é realmente muito grave para um estudante! Passem adiante essa denúncia.

Atenção, alunos da USP! José Oswaldo, da chapa Reação, não consome maconha. Prefere consumir livros. Isso é realmente muito grave para um estudante! Passem adiante essa denúncia.

Atenção, alunos da USP! José Oswaldo, da chapa Reação, não depreda a universidade. Prefere preservá-la. Isso realmente é muito grave para um estudante! Passem adiante essa denúncia.

Uma pena a remelenta não ter uma foto minha mais recente. À época, eu andava de chapéu para proteger o cocuruto porque as cirurgias que fiz na cabeça eram ainda recentes. Agora estou quase cabeludo (nem tanto!) e, deixem-me ver, uns 30 quilos a menos. O resto não mudou. Eu também continuo a freqüentar livrarias, não bocas de fumo. Eu também continuo a consumir livros, não maconha. Eu também continuo a defender a preservação da USP, não a sua depredação.

A moça dá mostras de reprovar a nossa, digamos assim, estética. Entendo. O mesmo jornaleco traz uma foto do que eles chamam por lá “presos políticos” em frente à delegacia. Com efeito, há uma diferença de estilos!

usp-estudantes-de-porta-de-delegacia

Texto originalmente publicado às 20h23 desta sexta
Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:15

Ei, sabe da última sobre o Lupi? Ele burlou Justiça Eleitoral ao se candidatar ao Senado em 2002

Por jailton Carvalho, no Globo:
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, não pediu afastamento do cargo de assessor da liderança do PDT para se candidatar ao Senado pelo Rio em 2002. Levantamento preliminar da assessoria da Mesa da Câmara informa que não consta licença de Lupi entre janeiro de 2001 e maio de 2006. Nesse período, o ministro estava na lista de auxiliares do líder do PDT em Brasília. Pela lei complementar 64, de 1990, funcionário público, sem cargo de chefia, é obrigado a se licenciar com, pelo menos, três meses de antecedência da eleição, caso queira se candidatar.

Pela lei 8.112, que rege o funcionalismo público, Lupi poderia pedir licença remunerada para concorrer ao Senado. Mas teria que abrir mão da gratificação legislativa e, com isso, perder 50% do salário. Lupi foi contratado para um cargo de natureza especial 07. Hoje, o salário de um servidor classificado nessa categoria gira em torno de R$ 12 mil. A não desincompatibilização do cargo é considerada uma falta grave e poderia implicar na perda do mandato, caso o ministro tivesse sido eleito.

O caso será investigado pela Comissão de Sindicância da Câmara, que inicia as atividades na segunda-feira. Se as informações preliminares se confirmarem ao fim da investigação, a comissão deverá pedir que o ministro devolva aos cofres públicos os valores que teria recebido indevidamente ao longo da campanha eleitoral de 2002.

Para o ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso, a não desincompatibilização de servidor de cargo público representa uma burla à Justiça Eleitoral. “Se não se licenciou, ele cometeu uma ilegalidade. Ele tinha que se desincompatibilizar. É o que manda a Lei das Inelegibilidades”. disse Velloso.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:13

Caso Lupi - Comissão de Ética prepara respostas à presidente

Por Rafael Moraes Moura, no Estadão:
Afrontada pelo Palácio do Planalto, a Comissão de Ética Pública da Presidência deve entregar na segunda-feira à presidente Dilma Rousseff o processo que pediu a exoneração do ministro Carlos Lupi (Trabalho). Dilma decidiu dar sobrevida ao ministro, apesar da sucessão de denúncias envolvendo o nome e a pasta do pedetista - e confrontando recomendação da comissão.

“Não darei declarações sobre o tema antes de responder à presidente da República, o que pretendo fazer na segunda-feira”, disse ontem o presidente da comissão, José Paulo Sepúlveda Pertence, após encerramento de seminário em Brasília sobre ética na gestão. Por determinação de Dilma, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) encaminhou ofício solicitando esclarecimentos à comissão.

Na última quarta-feira, a Comissão de Ética Pública recomendou, por unanimidade, a exoneração de Lupi. Em relatório, a conselheira Marília Muricy sustenta que a “enxurrada de denúncias” no Ministério do Trabalho abala “a administração pública federal como um todo”.

“A conduta do sr. Carlos Lupi, seja por suas inquestionáveis e graves falhas como gestor, seja pela seja pela irresponsabilidade de seus pronunciamentos públicos, não se coaduna com os preceitos éticos estabelecidos pela alta administração federal”, destaca o relatório. Questionada se mantinha o tom do relatório, a relatora disse: “Palavra por palavra, vírgula por vírgula, ponto e vírgula por ponto e vírgula”.

Para Marília Muricy, Dilma não desafia a comissão. “A presidenta não está subordinada à comissão. Ao contrário, a comissão é criada por decreto presidencial, os membros são nomeados pela presidenta da República e a Comissão de Ética assessora a Presidência”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:11

Queda da indústria reforça pessimismo na economia

Por Pedro Soares e Valdo Cruz, na Folha:
A produção da indústria voltou a diminuir em outubro, reforçando os sinais de que a crise internacional fez a economia brasileira perder dinamismo neste fim de ano.A indústria começou a perder fôlego em agosto, como reflexo da crise na Europa e nos EUA, que prejudica as exportações brasileiras, e das medidas tomadas pelo governo no início do ano para conter a inflação. Embora o Banco Central agora esteja baixando os juros e o governo tenha tomado medidas para estimular a economia, a falta de ânimo de empresários e consumidores para investir e gastar continua afetando a indústria. Segundo o IBGE, a produção industrial caiu 0,6% em outubro. Foi a maior retração registrada no mês de outubro desde 2009, quando o país sofreu uma recessão por causa da crise global.

A produção da indústria atingiu um pico em março deste ano, está em queda desde agosto e hoje se encontra num nível 4,7% abaixo daquele patamar. Dos 27 setores pesquisados pelo IBGE, 20 registraram queda. “A deterioração da confiança de empresários e consumidores rebateu no consumo e nos investimentos”, disse o economista André Macedo, do IBGE. Economistas de bancos e consultorias reviram suas projeções e agora prevêem que a indústria terá expansão de 0,5% ou menos neste ano. Isso deve contribuir para que a economia brasileira tenha um desempenho fraco nos últimos meses do ano, diz o economista Aurélio Bicalho, do Itaú-Unibanco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:09

Reunido em BH, PT proíbe comentar prisão de Valério

Por Tatiana Farah, no Globo:
“Um fantasma que lambe as nossas orelhas”. Assim um dirigente nacional do PT definiu o lobista Marcos Valério, considerado o operador do mensalão, preso nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, no mesmo dia e cidade em que o partido realizava seu encontro do Diretório Nacional. Os petistas tentaram se isolar da prisão do lobista, detido por suspeita de fraude e grilagem de terra, mas o assunto foi tema das conversas informais das dezenas de dirigentes reunidos em um hotel da capital mineira.

Antes de deixar o evento, o presidente do PT, Rui Falcão, chegou a dar bronca em dirigentes que comentaram a prisão de Valério com jornalistas. “Não sei se alguém falou sobre isso pelos cantos. No Diretório Nacional, (o caso) não foi sequer mencionado”, despistou Falcão, afirmando que soube da prisão pelos jornais e que se tratava de uma coincidência. Depois da entrevista, o petista retornou à sala de reuniões para advertir os companheiros que falaram sobre o assunto.

Para Falcão, Valério não é assunto do PT porque não é filiado ao partido, e, ao falar do lobista, o partido atrai para si o novo escândalo que envolve seu nome. Apesar da preocupação do presidente do PT, a maioria dos dirigentes seguiu à risca a orientação petista, dizendo aos jornalistas que “não sabia” da prisão ou que Valério não tinha ligação com o PT desde 2005.

Nomes citados no processo do mensalão, como o ex-deputado José Genoino, o deputado cassado José Dirceu e o deputado José Mentor (SP) estavam no encontro de sexta-feira, mas não quiseram comentar a nova prisão de Valério. Conhecido no escândalo do mensalão por causa de um assessor flagrado com dólares na cueca, o vice-líder do governo na Câmara, José Guimarães, irmão de Genoino, também evitou falar sobre o caso.

Já o deputado Virgílio Guimarães (MG), que apresentou Valério ao PT, defendeu o amigo ao dizer que “muita acusação pode ser verdadeira ou não”. E afirmou que os empréstimos nos quais haveria bens forjados não dizem respeito ao partido: “São bens que Valério colocou como garantia depois do afastamento dele do PT. Foi em ações decorrentes daquele momento, mas, quando ele colocou esses pretensos bens em garantia, já não tinha nada a ver com o PT, nem com os que tinham deixado a direção do PT”, disse o deputado, referindo-se a Genoino e ao ex-tesoureiro Delúbio Soares, já de volta ao partido.

Virgílio disse que não se arrepende de ter apresentado o lobista ao PT e negou ter sido criticado pelos companheiros após o mensalão:”Nunca ouvi isso de ninguém. Apresentei o publicitário que tinha vários contratos com o governo federal e não conhecia ninguém do PT. Se depois alguém fez ou não o Valério de operador, isso não é comigo.”

Por Reinaldo Azevedo

03/12/2011

 às 6:07

PSB se desvincula do PT e já sonha com o Planalto

Por João Domingos, no Estadão:
Aos gritos de “Brasil, pra frente, Eduardo presidente”, por parte de militantes partidários, o PSB abriu nesta sexta-feira, 2, o seu 12.º Congresso do partido, em Brasília, mostrando que já inicia uma ofensiva para se desvincular do PT nas eleições presidenciais de 2014 e até ter uma candidatura própria. Ou, se repetir a aliança, ter cacife suficiente para tomar o posto de vice, hoje com o PMDB.

Para tanto, o objetivo do PSB é crescer nas eleições municipais do ano que vem. Eduardo Campos disse que o partido participará do pleito em 4 mil municípios, com cabeça de chapa em cerca de 1,5 mil. Nas contas do partido, será possível eleger perto de 500 prefeitos. Hoje, o PSB tem 302. O partido faz as contas. Quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu a eleição em 2002, o PT fez 292 prefeitos.

“Nosso partido foi o que mais cresceu em 2008, em 2010 e será também o que mais crescerá em 2012″, proclamou Campos, para delírio da plateia que tomou o Auditório Petrônio Portella, no Senado. De acordo com informações de bastidores do PSB, para crescer o partido decidiu abrir o leque de alianças no ano que vem. Fará parcerias com os aliados tradicionais, como PT, PC do B e PDT, além do recém-criado PSD e do PSDB.

Embora já tenha sido procurado por integrantes da direção do partido que o consultaram sobre a possibilidade de se candidatar a presidente em 2014, Campos preferiu dizer que, por enquanto, prefere esperar o resultado das eleições do ano que vem.

Ele se sente em dívida com o ex-presidente Lula, que o nomeou ministro da Ciência e Tecnologia logo depois que a Justiça o inocentou do processo de fraude em precatórios, durante o governo do avô, Miguel Arraes, no final dos anos 90. Lula o ajudou a se eleger governador de Pernambuco em 2006.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

 às 23:26

“Tire a sua pré-história do caminho, que eu quero passar com a dor da civilização…”

Que lindo! Vejo no Globo Repórter comunidades ribeirinhas que vivem felizes sem energia elétrica. As usinas hidrelétricas vão acabar com toda essa poesia!!! O programa insiste em falar numa tal “Grande Inundação”, como se viesse pela frente um dilúvio bíblico. Apela-se a uma linguagem de sotaque mitológico. Somando-se os alagamentos de todas as usinas previstas, a área não deve passar muito de 1% de toda a Floresta Amazônica. A de Belo Monte, já vimos, corresponderá a 0,019%…

Agora outra indagação: “Quanto tempo a natureza levou para formar uma floresta assim?”

Não sei, meu bom homem! Mas deve ter sido tempo pra chuchu!

Mas eu pergunto: e pra descobrir a vacina contra a paralisia infantil, então? Levou um tempão! E a do sarampo?

O programa passa a impressão até agora, e não sei se isso será corrigido, de que as espécies mostradas serão dizimadas caso se façam as usinas. Parece que eles vivem exclusivamente nas áreas que serão alagadas.

Pelo critério abraçado, é inescapável concluir, a nossa civilização é um grande erro. Afinal, fez-se contra aquele “perfeito equilíbrio”.

Antes do intervalo, o apresentador anuncia: “No caminho do progresso, um animal pré-histórico!”  É mesmo, é? Bem no caminho do progresso? Sem apelo nem conciliação? Se fosse mesmo assim, só restaria cantar: “Tire sua pré-história do caminho, que eu quero passar com a dor da civilização”…

Assim não dá!

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

 às 22:41

No momento, Globo Repórter está em clima de pequeno passarinho contra hidrelétricas… Por enquanto, é poesia ruim!

Vamos ver. Globo Repórter sobre usinas hidrelétricas está com cheiro de “Gota d’Água”. Acabo de anotar uma frase que expressa um raciocínio, digamos, especioso: “[hidrelétrica] pode trazer desenvolvimento, mas traz dois custos: um econômico, outro ecológico”. O ecológico, eu suponho. O econômico, vamos ver.

Como as palavras fazem sentido, suponho que se devem evitar, então, os “custos econômico e ecológico” deixando pra lá o desenvolvimento…

Ou não é isso?

Por enquanto, temos a câmera lambendo a paisagem e muitas frases nominais, que apelam à poesia. Acabo de ver um plano geral da floresta, “algumas com mais de 40 metros de altura”, destaca o repórter, que emenda: “Difícil saber qual olhar primeiro!”

Heeeinnn?

Agora, há poesia sobre o menor passarinho do Brasil (acho), chamado “Caçula”. Depois de dar detalhes do ninho, indaga o repórter: “Que engenheiro seria capaz de construir algo assim?”

Respondo: não sei! Por outro lado, eu perguntaria ao Caçula: “Meu bom pássaro, você sabe construir hidrelétricas?”

Sim, o repórter acaba de falar em “Mãe Natureza”, que nos dá “presentes”. Estou começando a ficar triste…

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

 às 22:26

Xiii, Ciro é vaiado ao chegar a Congresso do PSB, o seu partido… no momento!

No dia 21 de novembro escrevi um post sobre Ciro Gomes. De vez em quando ele se manifesta, e eu lhe dou alguma atenção. Comentei uma entrevista aloprada sua concedida ao UOL e à Folha. Ao criticar a manifestação havida no Rio, convocada pelo governador Sérgio Cabral, contra a nova divisão dos royalties do petróleo aprovada no Congresso, o ex-PDS, ex-PMDB, ex-PSDB, ex-PPS e atual PSB deu sinais de confusão mental e afirmou: “Então o que está acontecendo? Está crescendo no país um ressentimento recíproco entre São Paulo e o resto do Brasil.” Entenderam? Alguns milhares vão às ruas no Rio, e cresceria o ressentimento contra… São Paulo! Por que seria assim? Vai saber…

Ciro, pelo visto, não anda muito popular nem no seu partido de momento, o PSB. Leiam o que informa Maria Clara Cabral na Folha Online:

Ex-candidato à Presidência da República, ex-ministro e ex-deputado federal, Ciro Gomes foi vaiado, nesta sexta-feira, ao chegar para o Congresso Nacional do PSB, em Brasília. Antes de ele entrar no plenário principal, militantes do partido também mostraram uma faixa pedindo “a volta da democracia do PSB no Ceará”, Estado de Gomes. Mesmo assim, o ex-candidato não descartou concorrer pela terceira vez ao cargo. “Quem já foi duas vezes [candidato] não pode andar mentindo dizendo que não quer ser”, disse. O racha no partido sobre a possibilidade de candidatura própria em 2014 também ficou evidenciado.

Apesar de falar que o desentendimento com o presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, estava superado, Ciro ironizou o fato de o colega querer ser candidato. “Tem todos os dotes para isso, falta só a estrada que eu tenho”, disse. Campos, por sua vez, desconversou ao questionar sobre o assunto. Em 2010, Ciro Gomes queria ser candidato, mas foi derrotado pelo grupo de Eduardo Campos, que defendeu o apoio à presidente Dilma Rousseff.

Ciro também voltou a criticar hoje a aliança do PT com o PMDB. “Não é contra o PT, é contra a média da sustentação, que reúne PT e PMDB, de natureza fisiológica, e nós teremos sempre grande susto e dissabores por este cimento, toda aliança é legítima, mas que é a aliança forma transformadora que precisa dessa grade aliança?”, questionou, para continuar: “Qual é o cimento? O que é que nós coeziona? Fisiologia, quando senão, roubalheira.” Nesta sexta-feira acontece em Brasília o Congresso Nacional do PSB. Amanhã, a legenda deve reconduzir Eduardo Campos para a presidência.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

 às 22:06

“Não sou propriamente romântica”, diz Dilma sobre declaração de Lupi

Por Flávia Marreiro, na Folha Online. Comento depois.
A presidente Dilma Rousseff ironizou nesta sexta-feira (2), em Caracas, a declaração de amor feita a ela pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), no mês passado e disse que fará uma análise “objetiva” para decidir, a partir de segunda, se ele permanece na pasta.

Questionada se o “Dilma, eu te amo” lançado por Lupi durante sessão da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara no dia 10 havia influenciado a decisão da mandatária de mantê-lo no cargo até agora, apesar do parecer contrário da Comissão de Ética da Presidência, ela respondeu:

“Eu tenho 63 anos de idade, uma filha com 34 anos, um neto de um ano e dois meses. Eu não sou propriamente uma adolescente e eu diria também [que não sou propriamente] uma romântica. Acho que a vida ensina a gente. Acho que a gente tem de respeitar as pessoas, mas eu faço análises muito objetivas.”

“Qualquer situação referente ao Brasil vocês podem ter certeza que eu resolvo a partir de segunda-feira”, continuou.

Na quinta-feira, antes de embarcar rumo à Venezuela, Dilma disse a Lupi que a única chance de ele permanecer no cargo até a reforma ministerial era fornecer explicações “convincentes” sobre o fato de ter ocupado, simultaneamente, dois cargos públicos por quase cinco anos.
(…)

Comento
Essa história de que Dilma teria dito a Lupi que ou ele explica os dois empregos públicos simultâneos ou está fora é de um ridículo atroz. Pergunta óbvia: com o resto, tudo bem? Está tudo explicado? Quem pagou o tal jatinho? Por que um ministro de Estado mentiu a uma comissão da Câmara? Aliás, consta que teria mentido à presidente também.

Vamos dar o nome certo às coisas. O Palácio está empenhado numa operação: convencer Lupi a sair sem usar “a” bala. Até agora, não conseguiu.

Por Reinaldo Azevedo

02/12/2011

 às 17:49

Ah, essa memória que não me abandona! As relações especiais da Delta, empresa que toca sem licitação a obra de Cumbica, com o poder e os poderosos

Ah, essa memória que não me larga!

No post anterior, vocês leram que parte do terminal remoto do Aeroporto de Cumbica, cuja inauguração está prevista para o próximo dia 20, desabou. A obra já chegou a ser paralisada por determinação legal. Para tocar o empreendimento, a Infraero escolheu, sem licitação, a empreiteira Delta. O dono da empresa, Fernando Cavendish, é um homem que tem amigos poderosos. Dois dos mais destacados são Sérgio Cabral e José Dirceu. No Rio, a Delta toca obras de R$ 600 milhões. Pelo menos R$ 164 milhões desse total foram contratados sem licitação. Naquele trágico fim de semana de junho, em que um acidente de helicóptero matou sete pessoas no litoral baiano, incluindo a nora de Cabral, o governador integrava o grupo que estava na Bahia para comemorar o aniversário de Cavendish. Cabral viajou àquele estado no avião particular de outro potentado do setor privado: Eike Batista (se quiser mais sobre o mundo cabralino, clique aqui . Adiante.

Cavendish cresceu muito durante o governo petista. Teve um “consultor” de peso: Dirceu. No começo de maio, VEJA publicou uma reportagem sobre a meteórica ascensão de Cavendish.

Em entrevista à revista, dois empresários, José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado, acusam o ex-ministro e chefão petista de fazer tráfico de influência em favor da Delta. Segundo os dois, Dirceu foi contratado por Cavendish para facilitar seus negócios com o governo federal. E como eles sabem? Eles eram donos da Sigma Engenharia, empresa que seria incorporada pela Delta em 2008; os três se tornariam sócios. O negócio emperrou e foi parar na Justiça. Oficialmente, a Delta contratou Dirceu como consultor para negócios junto ao Mercosul. Receberia modestos R$ 20 mil mensais pelo trabalho. De fato, dizem os denunciantes, a Sigma passou a ser usada por Cavendish para fazer transferências bancárias a Dirceu.

Um trecho da reportagem informa o desempenho da empresa de Cavendish no governo petista. Seu grande salto se dá a partir de 2009, ano da contratação de Dirceu. Segue trecho daquela reportagem em azul:
Durante o governo do ex-presidente Lula, a Delta passou de empresa de porte médio a sexta maior empreiteira do país. É, hoje, a que mais recebe dinheiro da União. Sua ascensão vertiginosa chamou a atenção dos concorrentes. Em 2008, a Delta já ocupava a quarta colocação no ranking das maiores fornecedoras oficiais. Em 2009, houve um salto ainda mais impressionante: a empresa dobrou seu faturamento junto ao governo federal. Em 2011, apesar das expectativas de redução da atividade econômica, o faturamento da Delta deve bater os 3 bilhões de reais - puxado por obras estaduais e do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento.”

Comprando senadores
Informa ainda a VEJA:
“Em reunião com os sócios, no fim de 2009, quando discutia exatamente as razões do litígio, o empresário Fernando Cavendish revelou o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c…’. Pode ter certeza disso!”. E disse mais. Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na tua mão!”.

“Relações promíscuas”
VEJA publicou uma entrevista com os dois empresários (reproduzo trechos) e volto para encerrar.
Que tipo de consultoria o ex-ministro José Dirceu realizou para o grupo Delta?
 
Romênio - 
Tráfico de influência. Com certeza, é tráfico de influência. O trabalho era aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT. Isso, é óbvio, com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.

E os resultados foram satisfatórios?
Romênio -
 Hoje, praticamente todo o faturamento do grupo Delta se concentra em obras e serviços prestados ao governo.

A contratação de José Dirceu foi justificada internamente de que maneira?
Romênio -
 A contratação foi feita por debaixo do pano, através da nossa empresa, sem o nosso conhecimento. Um dia apareceram notas fiscais de prestação de serviços da JD Consultoria. Como na ocasião não sabia do que se tratava, eu me recusei a autorizar o pagamento, o que acabou sendo feito por ordem do Cavendish.

O que aconteceu depois da contratação da empresa de consultoria do ex-ministro?
Quintella 
- A Delta começou a receberconvites de estatais para realizar obras sem ter a capacidade técnica para isso. A Petrobras é um exemplo. No Rio de Janeiro, a Delta integra um consórcio que está construindo o complexo petroquímico de Itaboraí, uma obra gigantesca. A empresa não tem histórico na área de óleo e gás, o que é uma exigência Ainda assim, conseguiu integrar o consórcio. Como? Influência política.

A Delta, por ser uma das maiores empreiteiras do país, precisa usar esse tipo de expediente?
Romênio - 
Usa. E usa em tudo. O caso da reforma do Maracanã é outro exemplo. A Delta está no consórcio que venceu a licitação por 705 milhões. A obra mal começou e já teve o preço elevado para mais de l bilhão de reais. Isso é uma vergonha. O TCU questionou a lisura do processo de licitação. E quem veio a público fazer a defesa da obra? O governador Sérgio Cabral. O Cavendish é amigo último do Sérgio Cabral. A promiscuidade é total.

Voltei
É isso aí.

Depois de tudo, em julho, na inauguração do teleférico no Complexo do Alemão, na presença de Dilma, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, celebrou a obra e a “vitória sobre os Ministérios Públicos”, fazendo um agradecimento explícito à Delta (aqui). Em agosto, dois meses depois do acidente, Cabralvoltou a celebrar acordos com a Delta sem licitação, no valor, desta vez, de R$ 37,6 milhões. Tudo para “obras emergenciais”.

A Delta é mesmo a preferida do Rio e de Brasília. É a empresa que mais tem obras do PAC. Parte da de Cumbica, contratada sem licitação, desabou.

Por Reinaldo Azevedo
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

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