Tecnologia na pecuária permite maior rendimento de carcaça com dieta total
A escolha da alimentação do gado é uma das principais estratégias no que diz respeito à produtividade. Saber escolher a dieta é um passo decisivo, tanto que o mercado da pecuária de corte disponibiliza diversas tecnologias que podem acelerar o processo da engorda, por exemplo. Uma grande aliada para a terminação do boi e melhoramento de carcaça é a dieta total. Essa é uma estratégia eficiente, já que a alta densidade energética permite o ganho de arrobas mais rápido.
Uma pesquisa da Embrapa mostrou que a prática, já solidificada nos confinamentos norte-americanos, além de reduzir os gases de efeito estufa (GEEs), traz economia significativa para o produtor. Esse tipo de alimentação possibilita um incremento de 1% a 2% a mais no rendimento da carcaça quando comparado a alguns resultados com o confinamento tradicional, usando apenas o volumoso.
O zootecnista Rodrigo Pires explica que com a dieta total o custo operacional do pecuarista é bastante reduzido. “Sem falar da praticidade que o sistema exige. O produtor precisa ter apenas um piquete de pasto, que com certeza ele já tem, e fazer linha de cocho com água disponível. Não é preciso construir uma estrutura de confinamento, como um curral, por exemplo”, diz.
Outra vantagem, segundo Rodrigo, é na otimização da engorda, já que em um confinamento tradicional, o produtor começa o sistema um ano antes, pois precisa preparar a terra para o cultivo do milho, que será usado na silagem. “Com a dieta total a tomada de decisão é rápida. De repente apareceram alguns insumos baratos, as contas fecharam e ele já começa de imediato. Vai precisar só da linha de cocho e água abundante”, diz.
Eficiência produtiva e adaptação
A dieta total também possibilita a atividade em uma área menor que o confinamento. “Por exemplo, é possível fazer uma lotação de 10 animais por hectare em um piquete de pasto. Isso permite mais arrobas dentro da propriedade em um espaço menor, já que não será necessária a área do plantio do milho”, detalha o especialista.
Rodrigo chama atenção também para a adaptação do animal, que é a parte mais importante nesta prática. “É na adaptação que ganhamos o negócio. Um boi que não segue o protocolo ideal da adaptação, vai mal durante todo o confinamento. Esse animal não ganha peso e consequentemente tem um resultado insatisfatório no final do confinamento”, enfatiza o zootecnista. Essa alimentação muda totalmente a fisiologia do animal, por isso é essencial prepará-lo muito bem para a mudança.
Para essa fase, o correto é iniciar a dieta total alternando com volumoso nos primeiros 21 dias do processo. “Geralmente, iniciamos com pouquíssima ração e muito volumoso. Com o passar dos dias, vamos diminuindo o volumoso e aumentando a ração, de forma gradativa. Até chegar ao consumo de ração de 2 a 2,2% do peso vivo do animal”, orienta o especialista.
Rodrigo destaca que a vantagem da dieta total é não permitir que os pecuaristas fiquem refém das commodities. “Na dieta total pode ser usado subproduto como a casquinha de soja, torta de algodão, caroço de algodão, farelo de dendê e semente de urucum”, explica. Ele orienta ainda que os pecuaristas devem ficar atentos ao valor e disponibilidade desses subprodutos em suas regiões. “Sem dúvidas, é possível formular a dieta com uma série de insumos que já tem na região, isso pode viabilizar a aplicação e o uso desse sistema”, enfatiza.
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