Publicitário `pula´ elo da cadeia e lucra com pecuária

Publicado em 08/08/2008 07:36 2231 exibições

A estratégia de aumentar a rentabilidade driblando o elo frigorífico e de distribuidores da cadeia produtiva, até há pouco tempo iniciativa de somente alguns pecuaristas do Paraná e de Rondônia, ganha cada vez mais força e está se espalhando pelo País.

O publicitário Rino Ferrari, proprietário da Fazenda Nova Sapé, localizada em São Carlos (SP), e um dos maiores confinadores do estado, iniciou a comercialização de carne bovina com a marca Frigorino diretamente para o varejo em 2008.

O frigorífico Frigorino, de sua propriedade, inaugurou as atividades no ano passado, mas somente, na época, com a comercialização de carne suína. Por enquanto, a carne ainda é abatida em frigoríficos terceirizados próximos à fazenda, mas o empresário não desconsidera ter sua própria planta de abate.

A iniciativa de saltar um elo da cadeia produtiva é uma tendência entre os produtores, comenta Ferrari, no entanto, para quem faz essa aposta de modo individual, e não em grupo como é o caso dos paranaenses, há vantagem somente para quem tem um certo potencial.

"No mínimo a capacidade de fornecer 40 mil cabeças para o abate por ano", recomenda. A fazenda Nova Sapé tem 750 hectares e deve somar entre 45 e 50 mil bovinos confinados até o final deste ano. "A meta é chegar às 60 mil cabeças em um ou dois anos", continua.

A propriedade faz parte do quadro de associados da Assocon - entidade que representa pecuaristas de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Juntos, esses pecuaristas detém 650 mil cabeças de gado.

Segundo Osvaldo Racanicci Jr., gerente da Nova Sapé, cerca de 30% dos bovinos confinados na fazenda serão convertidos no produto com a marca Frigorino em 2008. "Por enquanto só as fêmeas", diz, ainda, Racanicci.

O restante do rebanho confinado a ser abatido ainda tem como destino os frigoríficos exportadores. A carne com a marca própria é comercializada em redes da região, a mais distante fica a um raio de 140 km da propriedade. No caso dos suínos, toda a produção destinada ao abate é vendida com a marca do frigorífico de Ferrari. A Nova Sapé abate 1,8 mil cabeças por mês.

No Paraná, onde o movimento ganhou força nos últimos cinco anos, sete cooperativas e oito alianças mercadológicas de pecuaristas vem intensificando esse tipo de estratégia. A mais recente cooperativa a iniciar atividades naquele estado nessa mesma linha de atuação é a Cooperativa de Produtores de Carnes Nobres de Londrina, em abril deste ano. No caso de algumas cooperativas paranaenses, o prêmio pago ao pecuarista cooperado, por arroba do boi gordo rastreado, pode ser superior ao de mercado em 5% a 7%. Em Rondônia, a Cooperativa Rondoniense de Carne (Cooperocarne) tem o mesmo objetivo, porém com o diferencial de ser o primeiro grupo de produtores do país a construir seu próprio frigorífico - que iniciou as atividades em outubro do ano passado.

Segundo Fabiano Tito Rosa, consultor da Scot Consultoria, em entrevista recente ao DCI, a aposta é uma maneira de driblar a queda de braço com os grandes frigoríficos na hora da venda do boi, no entanto, lembra, há um desafio enorme de gestão. Além disso, lembra, o diálogo com o varejo muitas vezes é até mais complexo do que com a indústria frigorífica. Dessa forma, a profissionalização é fundamental.

Perfil

O empresário paulistano Rino Ferrari, paulistano, diz que nasceu para a publicidade. No entanto, confessa que lidar com o agronegócio é uma outra paixão. Ferrari é proprietário da Rino Publicidade, na capital paulista, e além disso também atua no ramo de imóveis, com a Rino Imóveis, em Rio Claro, no interior de São Paulo. "Comecei a lidar com o agronegócio em pequenas propriedades, em Rio Claro, criava bovinos e cultivava algodão. Tomei gosto pelo negócio", conta.

A fazenda Nova Sapé, em São Carlos, foi adquirida em 1998. O confinamento na fazenda teve inicio em 1999 e desde então a compra do gado magro para engorda é feita preferencialmente de fazendas de São Paulo. O abate é realizado em frigoríficos da região, em cidades como Barretos e Promissão. Na fazenda há economia de custos com as plantações de cana e milho - utilizados para fazer a ração. A polpa cítrica também é amplamente utilizada.

Ferrari é um dos associados da Assocon, que reúne alguns dos maiores confinadores do país. Em setembro, a entidade vai reunir pecuaristas brasileiros e estrangeiros que apostam na pecuária intensiva para troca de experiências.


Fonte: DCI

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