Na Famato, franceses buscam informações sobre a pecuária de corte em Mato Grosso
Uma missão técnica da França, com 20 representantes da cadeia da carne bovina, visitou na manhã desta quinta-feira (30/10) a sede do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato), em Cuiabá. O grupo, organizado pela Association Nationale Interprofessionnelle du Bétail et des Viandes (Interbev), busca dados sobre produção, sustentabilidade, preços, exportações, importações e gargalos logísticos, para traçar um diagnóstico do setor no Brasil.
A agenda começou em Cuiabá e seguirá por outros Estados, com visitas a fazendas e frigoríficos. Participam pecuaristas, dirigentes de associações e sindicatos patronais, além de proprietários de restaurantes, açougues e abatedouros, de várias regiões da França. O objetivo é compreender, in loco, o modelo brasileiro de produção de carnes.
O superintendente da Famato e do Imea, Cleiton Gauer, apresentou um panorama do agronegócio de Mato Grosso com ênfase na pecuária de corte. Segundo ele, Mato Grosso responde por parcela relevante da produção bovina do país. A oferta estadual alcança 1,94 milhão de toneladas, com 39,04% destinados à exportação direta e 54,69% enviados a outros estados. O mercado interno absorve 6,27%.
Para dimensionar a escala, Gauer lembrou que Mato Grosso tem mais de 903 mil km², área maior que França e Alemanha juntas. A baixa densidade demográfica e as longas distâncias explicam parte dos desafios de escoamento.
Gigante na produção
A força da soja e do milho sustenta a cadeia de proteínas. Na safra 2025/26, a oferta de soja em grão é estimada em 48,11 milhões de toneladas, das quais 60,97% seguem para exportação. A indústria local processa 10,08 milhões de toneladas de farelo e 2,62 milhões de toneladas de óleo.
No milho, a oferta projetada para 2025/26 é de 53,29 milhões de toneladas, com 48,98% destinados à exportação. Do consumo industrial, 76,80% vão para etanol de milho e 23,20% para ração animal, que abastece aves, suínos e bovinos.
Em relação à logística, Cleiton destacou que o escoamento de grãos pelo Arco Norte passou de 14,57% em 2010 para 53,21% em 2024. Para a carne bovina in natura, o Porto de Santos lidera as saídas, seguido por terminais do Norte. A ampliação de modais é vista como chance de reduzir custos e ganhar competitividade.
O grupo fez perguntas sobre o ciclo pecuário, a estabilidade da oferta e rastreabilidade. Os pontos foram abordados nas projeções e nos indicadores apresentados pelo Imea.
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