Café: Após seguidas altas, Bolsa de Nova York encerra semana com leve queda, mas vencimentos continuam em US$ 1,55/lb

Publicado em 09/09/2016 18:01 e atualizado em 09/09/2016 20:47
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Em uma semana mais curta por conta do feriado do "Dia do Trabalho", nos Estados Unidos, na segunda-feira (5) e da "Independência do Brasil", na quarta-feira (7), as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam praticamente estáveis no acumulado da semana. Ainda assim, elas continuam próximas do patamar de US$ 1,55 por libra-peso.

Nas duas últimas sessões desta semana, os futuros do arábica na ICE recuaram em ajustes técnicos após subirem por oito pregões seguidos. O contrato setembro/16 fechou a sessão de hoje cotado a 149,95 cents/lb com 375 pontos de queda, o dezembro/16 anotou 151,15 cents/lb também com 375 pontos de recuo. Já o vencimento março/17 teve 154,35 cents/lb com 380 pontos negativos e o maio/17, mais distante, registrou 156,25 cents/lb com 380 pontos de desvalorização.

"O dia foi caracterizado por vários acionamentos de ordens de venda, num processo de realização de lucros, ante um quadro de ganhos expressivos que vinham sendo acumulados na casa de comercialização nos últimos dias", disse o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado.

Esse movimento de ajustes no mercado havia sido adiantado na quarta-feira pelo Notícias Agrícolas com base em informações de James Cordier, fundador da OptionSellers.com, que em entrevista à Reuters explicou que o rally nos preços da commodity poderiam perder força brevemente apontando os estoques abundantes do grão nos principais países consumidores.

Além dos ajustes, o câmbio também influenciou as perdas do arábica nesta sexta-feira. Às 16h11, a moeda norte-americana subia 1,86%, vendida a R$ 3,2690, repercutindo o movimento de aversão ao risco depois de dados fracos sobre inflação na China e a Coreia do Norte realizar novo teste nuclear. O dólar mais alto em relação ao real tende a dar maior competitividade às exportações da commodity.

Conforme noticiado ontem, os embarques brasileiros de café estão mais baixos nos últimos meses. Em julho, plena entrada de safra, eles atingiram o menor patamar em mais de dez anos, de acordo com dados do Cecafé (Conselho Nacional dos Exportadores de Café). Essa queda nas exportações do país, segundo analistas, está ligada à oferta ajustada do produto no mercado. Alguns cafeicultores até têm o café estocado, como mostram dados de comercialização, no entanto esperam melhores oportunidades para retomarem as vendas.

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A OIC (Organização Internacional do Café) reportou na semana passada que em julho as exportações globais do grão tiveram um recuo de 22% ante o mesmo período de 2015, totalizando 7,75 milhões de sacas de 60 kg no mês.

Além dessa escassez do grão no mercado brasileiro, reforçada pelos números de exportação, somam-se as incertezas em relação à safra 2017/18 do Brasil, que pode ser impactada pelas condições climáticas nos próximos meses. Mapas mostram que para os próximos dez dias o clima nas principais origens produtoras de café deve ficar mais quente e seco após as recentes chuvas. Devem ser registradas precipitações somente no início da segunda quinzena de setembro.

"As temperaturas no Brasil devem continuar moderadas nesta semana favorecendo a última parte da colheita, que deve ficar mais ativa. No entanto, o tempo vira e deve ficar seco novamente, e há uma preocupação dos impactos disso na floração", alertou o vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville, em seu boletim divulgado na quarta-feira.

Ainda é cedo para saber se as floradas do café terão ou não abortamento nos próximos e se favorecerão uma boa produção no próximo ano, que já deve ser de bienalidade baixa para a maioria das regiões produtoras. A única certeza que os próprios especialistas têm neste momento é de que elas vieram mais cedo, mais uma vez. De acordo com a Fundação Procafé, a floração ocorreu pelo menos duas semanas mais cedo do que o normal, o que tem levantado preocupações sobre a viabilidade das primeiras flores.

Em todo o Sul de Minas Gerais, apenas 20% das lavouras tiveram floradas, mas ainda não é a principal delas. "A florada chegou mais cedo, quase que na mesma época do ano passado, mas o perigo mesmo é quando a florada está para abrir e fica sem chuvas e não depois de já aberta. Quando ela está florida, ela não tem mais problemas", afirma o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, Alysson Fagundes

Durante a semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revisou a safra brasileira de café para 47,8 milhões de sacas. Esse número representa uma queda 2,7% ante a previsão do mês passado em decorrência do clima mais seco.

Mercado interno

Apesar das recentes valorizações, os negócios com café seguem limitados nas praças de comercialização do Brasil com os produtores aguardando melhores patamares para retomarem as vendas. "O setor produtivo continua arredio a conversas mercadológicas e isso vem inibindo o retorno da liquidez e a mudança de intervalo mercadológico", explica o analista de mercado da Maros Corretora, Marcus Magalhães.

"A apreensão dos agentes de mercado quanto à possibilidade de menor oferta para 2017 já tem resultado em alta nas cotações futuras do arábica e no mercado spot brasileiro do grão. Entre 30 de agosto e 6 de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, avançou 1,9%, fechando a R$ 498,62/saca de 60 kg na terça-feira, 6", reportou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP).

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 590,00 a saca e queda de 1,67%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com queda de 2,73% e saca a R$ 535,00.

Da sexta-feira passada para hoje, a cidade que registrou maior variação para o tipo foi Poços de Caldas (MG) com recuo de R$ 20,00 (-3,66%), saindo de R$ 547,00 para R$ 527,00 a saca.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 581,00 a saca e queda de 0,51%. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com recuo de 0,96% e saca a R$ 515,00.

Para o tipo, conforme o gráfico, a maior oscilação na semana foi registrada em Varginha (MG), que tinha saca cotada a R$ 505,00, mas subiu R$ 10,00 (1,98%) e agora vale R$ 515,00.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na cidade de Araguari (MG) com R$ 530,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Varginha (MG) com R$ 510,00 a saca e queda de 0,97%.

A variação mais expressiva de preço na semana para o tipo 6 duro foi registrada em Varginha (MG). A saca estava cotada a R$ 500,00 na sexta-feira passada, mas teve valorização de R$ 10,00 (2,00%) e agora está em R$ 510,00.

Na quinta-feira (8), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 501,36 e alta de 0,55%.

Bolsa de Londres

A Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), antiga Liffe, para o café robusta fechou o pregão desta sexta-feira com queda. O contrato setembro/16 anotou US$ 1903,00 por tonelada com baixa de US$ 19, o novembro/16 teve US$ 1909,00 por tonelada com recuo de US$ 18 e o janeiro/17 anotou US$ 1930,00 por tonelada com desvalorização de US$ 19.

Na quinta-feira (8), o Indicador CEPEA/ESALQ do café conillon tipo 6, peneira 13 acima, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 424,40 com queda de 0,53%.

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Por: Jhonatas Simião
Fonte: Notícias Agrícolas

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