Café: Com operadores atentos ao clima no Brasil, Bolsa de Nova York sobe cerca de 200 pts nesta 2ª feira

Publicado em 26/09/2016 17:59 e atualizado em 27/09/2016 08:50
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Após oscilarem dos dois lados da tabela durante o dia, as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta segunda-feira (26) com alta de cerca de 200 pontos e recuperaram parte das perdas registradas na sessão anterior, quando os principais vencimentos tiveram perdas de cerca de 300 pontos. O mercado avançou diante das condições climáticas no Brasil e o câmbio.

O contrato dezembro/16 encerrou a sessão desta segunda cotado a 153,55 cents/lb com 215 pontos de avanço, o março/17 registrou 156,85 cents/lb com 225 pontos de avanço. Já o vencimento maio/17 fechou o dia cotado a 158,75 cents/lb com 230 pontos positivos, enquanto o julho/17 anotou 160,40 cents/lb com 235 pontos de alta.

Na semana passada, após as cotações testarem o patamar de US$ 1,65 por libra-peso, máximas de 19 meses, elas passaram a recuar em ajustes técnicos e com pressão do câmbio. Esse movimento de ajustes chegou a ser visto no início dos trabalhos desta segunda-feira, quando os preços externos buscavam direcionamento.  No entanto, segundo agências internacionais, o clima no Brasil voltou a chamar a atenção dos operadores e o campo positivo prevaleceu.

"Ainda está muito seco em importantes regiões produtoras do Brasil, onde a florada deve aparecer nos próximos dias. Nas regiões robusta, ela está muito atrasada", disse Michaela Kuhl, analista do Commerzbank à agência internacional de notícias Reuters. "Levando em conta as quebras de produção nas duas últimas safras isso não é um bom presságio", reportou o site Agrimoney.

Mapas climáticos apontam que uma frente fria deve causar chuva forte entre o Espírito Santo e Zona da Mata de Minas Gerais nesta segunda-feira. O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) aponta que nas últimas 12 horas o acumulado de chuvas ultrapassou os 50 milímetros em cidades de Minas Gerais e municípios do Espírito Santo o acumulado foi de 15  milímetros. No entanto, a partir de amanhã, o tempo deve voltar a ficar seco nas principais regiões produtoras de café do país.

A Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé) já demonstra preocupações com a safra 2017/18 do Brasil, que já deve ser de bienalidade baixa. "Em visitas pelas principais regiões produtoras já se percebe que a safra do próximo ano será entre 15% e 20% menor no arábica e no robusta por conta do clima. Isso se as condições se normalizarem. Do contrário, as perdas podem ser ainda maiores", o superintendente de comercialização da Cooxupé, Lúcio Dias.

Para o meteorologista e pesquisador em Agrometeorologia e Climatologia da Embrapa Café (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), Williams Pinto Marques Ferreira, a produção de café do Brasil na safra comercial 2017/18 deverá ser influenciada pelas condições climáticas nos próximos meses e, consequentemente, pelo La Niña.

"Estamos passando por um período de neutralidade, após o encerramento do El Niño e com grande possibilidade de La Niña. Enquanto não há a confirmação desse fenômeno climático, os próximos meses devem ser de muita instabilidade, característica típica da estação da primavera, que é uma estação de transição entre o período mais frio e o mais quente do ano", explica Ferreira.

» Café: Potencial produtivo da safra 2017/18 depende da consolidação do La Niña nos próximos meses

O câmbio, que tem impactado bastante o mercado do café arábica nos últimos dias, acabou fechando a sessão desta segunda-feira praticamente estável após esboçar ganhos próximos de 1% na última sexta-feira (23). O dólar acabou fechando o dia com alta de 0,006%, cotado a R$ 3,2474 na venda, repercutindo o mercado externo e a alta nos preços do petróleo. A divisa mais valorizada tende a encorajar as exportações da commodity, mas derruba os preços externos.

Mercado interno

Nas praças de comercialização do Brasil seguem lentos os negócios com café. Os produtores aguardam melhores patamares para retomarem aos negócios mais ativamente ainda que os preços estejam altos. "As negociações internas de arábica estão mais movimentadas, impulsionadas pela alta nas cotações internacionais. De 13 a 20 de setembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, avançou 3,1%, fechando a R$ 514,24/saca de 60 kg nessa terça-feira, 20", reportou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da ESALQ/USP).

O tipo cereja descascado fechou o dia com maior valor de negociação em Espírito Santo do Pinhal (SP) com R$ 590,00 a saca – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,09% e saca a R$ 554,00.

O tipo 4/5 teve maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com R$ 590,00 a saca e avanço de 0,85%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças.

O tipo 6 duro registrou maior valor de negociação na cidade de Araguari (MG) com R$ 530,00 a saca – estável. A maior oscilação em Guaxupé (MG) com alta de 0,97% e saca a R$ 523,00.

Na sexta-feira (23), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 496,42 e queda de 2,79%.

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Por Jhonatas Simião
Fonte Notícias Agrícolas

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