Café: NY dá continuidade às perdas da semana passada nesta 2ª com condições climáticas melhores no Brasil

Publicado em 05/12/2016 16:49
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Os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) fecharam a sessão desta segunda-feira (5) com queda de cerca de 100 pontos e se distanciaram ainda mais do patamar de US$ 1,50 por libra-peso. O mercado segue repercutindo a melhor na condição das lavouras do Brasil devido às chuvas e o câmbio, que impacta diretamente nas exportações da commodity. O mercado dá continuidade ao movimento de baixa da semana passada quando os preços externos da variedade perderam no acumulado cerca de 7%.

O vencimento março/17 fechou a sessão de hoje cotado a 144,50 cents/lb com 130 pontos de queda, o maio/17 registrou 146,85 cents/lb com 135 pontos de desvalorização. Já o contrato julho/17 anotou 149,00 cents/lb com 135 pontos de baixa e o setembro/17, mais distante, terminou o dia a 151,00 cents/lb com 130 pontos de recuo.

Durante o início dos trabalhos nesta segunda-feira, os preços do arábica até chegaram a subir no terminal externo  dando sequência aos ganhos da última sexta-feira (2) diante de movimentações técnicas. No entanto, o lado fundamental voltou a pesar sobre os preços do grão. "Mesmo em um mercado 'sobrevendido', as cotações no terminal nova-iorquino não encontraram força para reverter o quadro de baixa já presenciado nos últimos pregões", afirma o analista de mercado da Origem Corretora, Anilton Machado.

São cada vez menores no mercado as preocupações sobre a próxima safra de café do Brasil por conta das recentes chuvas no cinturão produtivo do país. Institutos meteorológicos ressaltam os bons volumes de precipitação em áreas produtoras do grão nos últimos dias, com relatos de chuva acima da média normal para o período. A semana começa com chuvas fortes no Sul do Espírito Santo e Zona da Mata de Minas Gerais. Outras áreas recebem precipitações isoladas.

Na semana passada, a corretora Marex Spectron divulgou em relatório que prevê superávit global de 300 mil sacas de 60 kg na temporada 2016/17. "Nós incluímos a liberação de estoques pelo governo brasileiro no balanço, o que deixa um superávit mínimo", disse a Marex à agência de notícias Reuters.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Gil Carlos Barabach, além da redução da preocupação com o abastecimento na próxima temporada e também a entrada da safra de países produtores, os preços do café no mercado internacional também têm refletido os cenários no mercado financeiro. Nesta segunda, no entanto, o dólar – que impacta diretamente as exportações da commodity – fechou em baixa de 1,24%, cotado a R$ 3,4294 na venda.

Os fundos também têm atuado no mercado do café arábica diante das preocupações cada vez menores com a próxima safra do Brasil. Segundo informações reportada pelo site internacional Agrimoney, eles já teriam cortado mais de 7,6 mil lotes de suas posições mais alongadas, registrando seu nível mais rápido desde o último maio. "A maior parte do movimento é técnico, mas o clima no Brasil está excelente, com boas chuvas, até mesmo nas áreas de robustas que foram, recentemente, castigadas pela seca", informou, em nota o Rabobank.

Mercado interno

Com a queda nos preços internacionais, os negócios no Brasil não ganham ritmo. Além disso, os cafeicultores seguem desinteressados em ofertar café, à espera de momentos mais favoráveis, visto que grande parte da safra já foi  comercializada. "Este período já é caracterizado por poucos negócios, muitos produtores deixam suas vendas para o início do ano em função do imposto de renda", explicou em boletim na semana passada Anilton Machado.

O café cereja descascado registrou maior preço no dia em Espírito Santo do Pinhal (SP), com negócios em R$ 640,00 pela saca e alta de 6,67%. Foi a maior alta no dia dentre as praças de comercialização.

O tipo 4/5 anotou maior valor em Guaxupé (MG) com 586,00 a saca e queda de 1,68%. A maior variação no dia ocorreu em Poços de Caldas (MG) com queda de 2,50% e saca a R$ 547,00.

O tipo 6 duro teve maior valor de negócios no dia nas cidades de Araguari (MG) – estável, Patrocínio (MG) – estável em Franca (SP) – estável. Ambas com R$ 550,00 a saca. A maior oscilação no dia para o tipo ocorreu em Poços de Caldas (MG) com queda de 3,27% e saca a R$ 532,00.

Na sexta-feira (2), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 528,18 com alta de 0,36%.

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Por:
Jhonatas Simião
Fonte:
Notícias Agrícolas

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