Arábica no Brasil: Preços estão 38% acima da média de 10 anos no mercado físico

Publicado em 22/05/2020 16:08 e atualizado em 22/05/2020 16:44 1444 exibições

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Se no quesito demanda os próximos meses ainda geram incertezas, os valores do café no mercado físico no Brasil dão certo alívio ao produtor. Apesar de 2019 ter sido um de preços bem abaixo do que era esperado pelo setor e o produtor ter enfrentado uma verdadeira batalha com os valores da Bolsa de Nova York (ICE Future US), quando falamos em mercado físico os preços em 2020 estão 38% acima da média de dez anos.

Os cálculos são feitos pelo analista de mercado Fernando Maximiliano, da FC Stone, que destaca em 2010 a saca de 60 quilos custava cerca de R$ 420,00, contra os valores de R$ 580,00 de 2020. A conta é baseada com os valores dos indicadores do Cepea.

Os números chamam atenção e apesar da demanda estar com um cenário positivo no Brasil, o analista destaca que a valorização não está ligada a um aumento na demanda, mas sim na desvalorização da moeda brasileira. "Os valores praticados no mercado doméstico de café arábica estão acima da média histórica. A forte alta do dólar vista nas últimas semanas compensou as perdas vistas em Nova York", comenta.

Maximiliano destaca ainda que apesar da entrada da nova safra, apenas uma recuperação do real poderiam interferir ou até derrubar os preços no mercado físico. "Se o real se recupera, poderia ser um fator considerado de baixa para o físico", analisa.

Segundo Fernando, problemas relacionados a demanda, caso venham a acontecer de forma mais intensa, poderiam pressionar os preços em Nova Iorque. "Os efeitos das questões climáticas têm tom altista, já que estes fatores, caso venham a acontecer, teriam impactos direto na oferta do produto", comenta. Afirma ainda que o mercado aguarda agora os balanços de oferta e demanda dos outros países, que será divulgado pelo USDA no dia 12 de junho.

Consumo e estoques: 

Assim com outros analistas, Fernando destaca que houve sim uma mudança no padrão de consumo, com destaque para o aumento da bebida em casa, que teve um incremento importante para a demanda. "Porem não existem ainda dados que possibilitem quantificar como será essa mudança nos próximos meses", afirma. Falando em estoques, Maximiliano frisa que o mercado esperava pelos estoques divulgados pela Green Coffee Association em abril, porque os dados seriam um indicativo do balanço de oferta e demanda nos Estados Unidos, importante consumidor o café brasileiro.

"Bem, os dados publicados indicaram um incremento que quase 500 mil sacas de café no mês de abril, o que poderia indicar algum problema na demanda, já que houve acúmulo de estoque. No entanto, o mercado logo notou que aquilo não representava a realidade do balando de O&D nos Estados Unidos, pois foram incluídos os estoques do porto de Savannah pela primeira vez, o que contabilizou um total de mais de 180 mil sacas. Além disso, os incrementos nos estoques GCA no mês de abril são sazonais, o que já é esperado para este período", explica. 

Confira o gráfico: 

Gráfico 1 - Fernando Maximiliano

Ele explica ainda que os números divulgados também pelaGreen Coffee Association apresentou um aumento de 494.229 sacas em abril, porém o relatório incluiu pela primeira vez os dados dos estoques no porto de Savannah, que foi de 187.287 sacas. Lembrando que os incrementos são considerados sazonais pelo mercado. "Os estoques certificados de café arábica estão em declínio desde meados do primeiro trimestre. As quedas nos estoques certificados de café arábica evidenciaram a oferta reduzida de café no mercado físico até o momento, principal fator de suporte para os preços de arábica nos últimos meses", explica. 

Estoques certificados de café arábica na bolsa de Nova Iorque em mil sacas: 

Gráfico 2 - Fernando Maximiliano

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Fonte:
Notícias Agrícolas

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