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Além da seca, altas temperaturas castigam café em Minas Gerais: Ibiraci já tem 30% de perda consolidada para 2021

Publicado em 05/10/2020 11:20 e atualizado em 06/10/2020 08:57 2338 exibições

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Além da falta de volumes expressivos de chuva em Minas Gerais, as altas temperaturas também estão castigando o café no maior estado de produção do país. Após uma safra de alta produção e de qualidade acima da média, as condições do clima preocupam para a próxima produção, que naturalmente tende a ser de bienalidade baixa para o café tipo arábica no Brasil. 

Na região de Ibiraci e Claraval, já é esperada uma quebra entre 30 e 40% para a próxima produção. O número faz parte do levantamento mais recente feito pelo Sindicato Rural que atende os dois municípios. Segundo o presidente Anivair Rodrigues, a expectativa de produção para 2021 fica entre 350 e 400 mil sacas, mas com a seca prolongada e as altas temperaturas, a região já tem consolidada uma baixa de pelo menos 30%. Em um ano de bienalidade alta, como foi 2020, os dois municípios juntos produziram cerca de 700 mil sacas de 60 quilos. 

 

 

Café sofre com a seca em Ibiraci-MGCafé sofre com a seca em Ibiraci-MG
Falta de chuvas e temperaturas elevadas castigam cafezais em Minas Gerais

 

"No último final de semana de maio nós tivemos 8 mm de chuva e no dia 23 de Setembro, tivemos lugares que registraram mais 7 mm, nosso déficit hídrico está muito sério. A primeira florada abriu com essa última chuva, mas o calor intenso queimou a planta, nossa quebra vai ser muito grande", afirma Anivair. Ainda de acordo com o presidente, nem mesmo as lavouras adultas, que deveriam estar em estágio de recuperação após a alta produção, estão suportando as altas temperaturas. 

O déficit hídrico no café já é considerado o mais severo dos últimos 20 anos, segundo dados da Fundação Procafé e atinge todas áreas de produção de Minas Gerais e também da Alta Mogiana, em Franca/SP. Agravando as condições dos cafezais, desde a semana passada a região enfrenta uma onda de calor intensa, com temperaturas acima dos 38 graus em boa parte da área de produção. 

 

Em Muzambinho/MG, o produtor Alaor Elias da Silva, também sentiu os impactos das altas temperaturas dos últimos dias. A última chuva expressiva na lavoura foi registrada em abril, mas os baixos volumes registrados no mês passado foram suficientes para abertura da florada. "Antes não estava dando para ver o tamanho do problema, agora com esse calor podemos ver as condições reais da planta, agora está dando para ver o tamanho do estrago", comenta. 

Alaor destaca que ainda é muito cedo para quantificar as perdas, mas com base em outros anos, o estado atual da lavoura indica que pelo menos 20% da sua produtividade no ano que vem já está comprometida. "Nós não temos irrigação aqui porque ficamos em um lugar mais alto, mas ainda assim estamos enfrentando esse problema de sol muito quente", comenta. 

As previsões meteorológicas mais recentes começam a indicar um retorno mais efetivo das chuvas para Minas Gerais nos próximos dias, a preocupação no entanto, é com as altas temperaturas. "O problema é que se o sol continuar quente, o botão que ainda não abriu pode derreter e danificar a próxima florada", comenta. 

Botão de café - falta de chuva - Muzambinho/MGBotão de café - falta de chuva - Muzambinho/MG
Altas temperaturas danificam café em Muzambinho/MG


 

Fórum online da Cooxupé debaterá os impactos das condições climáticas na safra 2020-2021 do café

Os impactos das condições climáticas e as perspectivas do café para a safra 2020-2021, considerando o período de seca dos últimos meses, serão debatidos por especialistas e pesquisadores no fórum técnico "Café e Clima", que acontecerá no formato online e será transmitido ao vivo, na terça-feira (06/10), às 15h, com retransmissão ao vivo no Notícias Agrícolas.

Éder Ribeiro Santos, engenheiro agrônomo e coordenador de Geoprocessamento da Cooxupé, abordará como estão as condições da região cafeeira de atuação da cooperativa, compreendendo Sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro e média mogiana do Estado de São Paulo, devido à estiagem.

Ampliando a visão e análise para o cenário nacional, Paulo César Sentelhas, professor doutor da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo), falará sobre as condições agroclimáticas nas regiões cafeeiras do Brasil, trazendo também perspectivas para a Safra 2020-21.

José Donizeti Alves, professor doutor da UFLA (Universidade Federal de Lavras) apresentará em sua palestra os impactos do calor e da seca sobre a florada do café. E para completar a programação, Guy Carvalho, engenheiro agrônomo e cafeicultor, destacará sua visão sobre como está o cenário atual da lavoura cafeeira.

De acordo com o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, o debate contribui para o planejamento visando a próxima safra. "Vivemos um bom momento do café. Por isso, é importante ter as informações e conhecimentos necessários que auxiliem no preparo e aperfeiçoamento da próxima safra. Assim, a cooperativa busca manter seus associados atualizados sobre os impactos das variações climáticas para que tenham condições de avaliar as estratégias e alternativas, buscando uma boa produtividade do café", acredita.

O presidente ainda completa que este Fórum foi de suma importância em sua primeira edição. "Na época apontamos, nas conclusões dos debates, que a safra deste ano seria muito próxima a de 2018. No ano passado, houve estimativas que apontavam uma supersafra em 2020, o que não aconteceu. O terceiro levantamento da CONAB, divulgado recentemente, mostra que as conclusões dos especialistas do nosso Fórum em 2019 estavam corretas. Encerramos em setembro uma colheita com ótimos resultados, principalmente em qualidade do café, pela falta das chuvas durante o período, mas neste momento a estiagem é uma preocupação para a próxima safra", declara Melo.

Por:
Virgínia Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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