Argentina: Pampa úmido recebe 72h de chuvas, com efeitos incertos sobre a safra

Publicado em 13/11/2018 09:54 e atualizado em 13/11/2018 17:00
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O Pampa úmido da Argentina recebeu chuvas intensas nas últimas 72 horas, que geraram complicações em muitos campos. A variabilidade de milímetros caídos nas distintas regiões foi importante, com uma amplitude de 25mm a 220mm.

"A situação está muito complicada. Os campos, em geral, são baixos. E deve continuar chovendo. Mas esperamos que a situação não se agrave com a água que ainda está por vir", contou José Bustingorri, produtor de Saladillo.

Para alguns especialistas, o impacto no campo poderá ser mais positivo do que negativo, mas outros possuem incertezas a respeito das consequências das chuvas. O trigo aguarda a colheita enquanto o milho está em pleno desenvolvimento.

Bacia de Vila Cululú, em Santa Fe (Foto: Twitter ADN Rural)

Esteban Copati, chefe de Estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, destacou que, embora as chuvas possam atrasar o plantio ou gerar alguma perda em quadros recém plantados, o cenário é favorável para os cultivos de verão. "A superfície de soja para ser plantada é grande, já que o plantio estava atrasado. As chuvas na província de Córdoba, onde o plantio de milho tardio é importante, vêm muito bem", indicou Copati.

O economista das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Matías Lestani, percebe duas situações. Embora as chuvas afetem fortemente aos trigos castigados na zona de Córdoba, o lado positivo é que se terá uma boa umidade no perfil de solo para continuar com a safra de verão.

Cristian Russo, chefe de estimativas agrícolas da Bolsa de Comércio de Rosario (BCR), ressaltou que não é bom que haja chuvas tão intensas. "Não é tão fácil estimar se é bom ou ruim, porque com chuvas muito severas se cria uma incerteza total", ressaltou.

Humboldt, no centro de Santa Fe (Foto: @SanchezLidia3)

Segundo um boletim da Sociedade Rural Argentina (SRA), o trigo terá que ser avaliado em quanto tempo as áreas se mantêm alagadas ou encharcadas, já que, a essa altura, o rendimento já está definido. Se a situação se alongar, os problemas poderão ser vistos na qualidade.

Para o girassol e o milho, a maior disponibilidade hídrica poderia trazer benefícios a longo prazo, "dependendo de que não siga chovendo". Entretanto, há cultivos que já foram perdidos por conta de granizo. Na soja, as chuvas irão permitir uma intensificação do plantio onde ele ainda não está concluído.

Tradução: Izadora Pimenta

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Fonte: La Nación

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