Chuvas chegam à Argentina no fim de semana, mas ainda mal distribuídas. Produtores pedem situação de emergência

Publicado em 17/01/2022 14:44 e atualizado em 17/01/2022 16:09 2996 exibições

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Onde choveu na Argentina nas últimas 48 horas? Todos os participantes do mercado estão levantando estas informações para entender como serão os próximos dias da safra 2021/22 do terceiro maior produtor da oleaginosa no mundo e, mais do que isso, como as condições continuarão a influenciar o andamento das cotações no mercado internacional. 

De acordo com os mapas do Serviço Meteorológico Nacional (SMN) é possível observar que as precipitações do final de semana foram mal distribuídas, localizadas, porém, chegaram com volumes expressivos e importantes para importantes regiões produtoras que vinham precisando de umidade. 

Entre Rios - onde se registra a pior seca em 60 anos - e o centro de Santa Fé são exemplos de áreas em que boas chuvas foram registradas. Durante o sábado e nas primeiras horas de domingo, os maiores acumulados se deram no centro-leste e nordeste de Buenos Aires. Os volumes variaram entre 20 e 50 mm, em média. Na sequência, da madrugada de domingo à manhã desta segunda-feira (17), volumes de 30 a 50 mm foram registrados em partes de Entre Rios, centro e sul de Santa Fé, extremo sul de Córdoba.

Os mapas abaixo mostram as condições. O primeiro período no mapa da esquerda e o segundo, na direita. 

Mapas de Chuvas - Argentina
Mapas: Sistema Meteorológico Nacional

De acordo com um informe da Bolsa de Cereais de Córdoba, a província ainda registrou - além das chuvas - a queda de granizo em algumas áreas de produção, o que causou estrago em algumas lavouras. "Depois de seis dias consecutivos de temperaturas que superaram os 40ºC, chegou o alívio. Entre 15 e 17 de janeiro foram registradas chuvas que beneficiaram grande parte da província", informou a bolsa. 

A instituição complementa dizendo que as previsões para o período de 17 a 23 de janeiro indicam a manutenção do tempo nublado, com algumas chuvas dispersas e certo declínio das temperaturas. 

MINISTRO DA AGRICULTURA PERCORRE ÁREAS DE SECA

O Ministro da Agricultura da Argentina, Julián Dominguez percorreu áreas que vêm sofrendo com a seca no país e prometeu "soluções concretas" aos produtores que amargam uma das piores secas das últimas décadas. As safras de milho e soja argentinas têm sido constantemente revisadas para baixo, bem como a área de plantio, como aconteceu com a soja pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires na última quinta-feira (13). 

Julian Dominguez Ministro da Agricultura Argentina - Seca 21 22
Foto: Ministério da Agricultura da Argentina

“Estamos trabalhando em soluções concretas para nossos produtores. O que o presidente Alberto Fernández nos indicou é a atualização do fundo de emergência, uma necessidade histórica e um pedido dos produtores”, afirmou o ministro. "Esperamos que nas próximas horas o tempo vá aliviando as condições, mas o que se perdeu, se perdeu. E agora temos que trabalhar pela recuperação do capital de trabalho", completa. 

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PERDA DE 13 MILHÕES DE T DE GRÃOS

A Bolsa de Comércio de Rosário já projeta uma perda de 13 milhões de toneladadas de grãos da safrra 2021/22 da Argentina, sendo 8 milhões a menos de milho e 5 milhões menos de soja. A perda de receita para o país já está estimada em US$ 2,93 bilhões, o que poderia gerar um impacto de US$ 4,8 bilhões no PIB argentino. 

Abaixo, veja a íntegra do comunicado da Bolsa de Comércio de Rosário:

ESTADO DE EMERGÊNCIA

Enquanto a situação se agrava no campo, políticos e líderes da associações de classe pedem que seja decretado estado de emergência nas província de Buenos Aires, Santa Fé e Entre Rios. 

"Apesar das chuvas registadas nas últimas horas, mais de 70% do núcleo rural foi severamente afectado pela falta de chuvas, pela descida dos rios e pela intensa onda de calor que assolou a província. Essas condições climáticas extremas atingiram duramente o campo, gerando prejuízos irrecuperáveis ??e complicações na colheita, o que desencadeou a reclamação das entidades sindicais do campo", disse um dos líderes políticos de Buenos Aires. 

Sobre Santa Fé, ele afirmou ainda que trata-se de /situação semelhante à da seca de 2017/18 e destacou não só os prejuízos na produção argentina daquele ano, mas os efeitos que foram sentidos pela economia e pelo mercado cambial da nação sul-americana. "Um cenário semelhante pode se repetir este ano, com o agravante de que o contexto atual é profundamente pior do que naquele momento”, disse o político. "Com esta infeliz seca, não só o setor produtivo vai ser atingido, mas também e sobretudo a carteira do Estado Nacional, o que mostra o quanto somos dependentes da economia agrícola", completou. 

Com informações do Infocampo e La Nacion

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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