Frio extremo no Sul congela paisagens e acende alerta para mudanças no clima
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Uma forte onda de frio transformou o cenário no Sul do Brasil nos últimos dias. Na madrugada desta segunda-feira (27) em Bom Jardim da Serra, a paisagem amanheceu congelada, com registro de -3,7°C segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. Imagens mostram pontes cobertas por gelo, um retrato típico de episódios mais severos de ar polar que avançam sobre a região.
Em São Joaquim, outro flagrante chama atenção: vacas organizadas em fila indiana para enfrentar o frio intenso. O comportamento, registrado na região de Fazenda Monte Negro, é uma estratégia natural dos animais para reduzir a exposição ao vento gelado e preservar calor corporal, evidenciando o impacto direto das baixas temperaturas também sobre a pecuária.
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O cenário não é isolado. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, uma massa de ar polar intensa avança sobre o Sul, provocando queda brusca nas temperaturas, formação de geada e até risco à saúde da população. Em alguns pontos do Rio Grande do Sul, há alerta para frio rigoroso, com reforço de ventos e sensação térmica ainda mais baixa.
Esse frio ocorre em um momento de transição climática importante. Enquanto o Sul enfrenta temperaturas negativas agora, os próximos meses podem trazer um cenário completamente oposto. O próprio INMET destaca que há aumento na probabilidade de formação do fenômeno El Niño ao longo de 2026, um dos principais moduladores do clima global.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e tem efeitos diretos sobre o Brasil. No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o fenômeno costuma intensificar o transporte de umidade, favorecendo chuvas acima da média, tempestades e até eventos de inundação . Para o produtor rural, isso representa um alerta duplo: se agora o desafio é proteger lavouras e animais do frio e da geada, no segundo semestre o risco pode ser o excesso de chuva, com impacto direto no manejo e na sanidade das culturas.
Dados do INMET indicam que episódios de El Niño tendem a provocar encharcamento do solo, aumento de doenças fúngicas e dificuldades operacionais no campo, especialmente em culturas de inverno.
O contraste entre o frio intenso registrado neste início de outono e a possibilidade de um período mais úmido nos próximos meses reforça a volatilidade climática que vem marcando o Sul do Brasil. Para o campo, o cenário exige atenção redobrada, planejamento e adaptação constante diante de extremos cada vez mais frequentes.
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