Retomada de fábrica na Bahia reforça oferta de fertilizantes no Brasil

Publicado em 18/05/2026 08:42
Produção de ureia volta ao mercado com impacto direto em insumos usados na produção de aves, suínos e lavouras.

A retomada das atividades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada em Camaçari, volta a colocar no mercado brasileiro um volume significativo de ureia e reforça a expectativa de redução de custos para os produtores rurais. A iniciativa integra a estratégia de ampliar a produção nacional de fertilizantes, atualmente dependente majoritariamente de importações, e impacta diretamente cadeias produtivas que utilizam esses insumos de forma intensiva, como a de grãos destinados à alimentação de aves e suínos.

Com aporte de R$ 100 milhões, a unidade possui capacidade para produzir 1,3 mil toneladas de ureia por dia, o que representa cerca de 5% da demanda brasileira. Além de ampliar a oferta, a reativação da fábrica deve gerar 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos. A maior disponibilidade do produto no mercado interno tende a diminuir a dependência das oscilações internacionais e dos custos logísticos, fatores que influenciam diretamente os custos da produção agrícola e, por consequência, da alimentação animal.

Os fertilizantes têm papel essencial na manutenção e no aumento da produtividade agrícola. Nas cadeias de aves e suínos, por exemplo, qualquer alteração no preço desses insumos interfere no valor do milho e da soja, principais componentes da ração. Com o fortalecimento da produção nacional, a expectativa é de mais previsibilidade e competitividade para o setor. A fábrica havia sido colocada em hibernação em 2019, durante o plano de desinvestimentos da Petrobras, passando posteriormente por operação privada até a paralisação em 2023, causada pelos altos custos do gás natural. Desde então, a retomada das unidades de fertilizantes nitrogenados ganhou impulso, com a reativação da planta de Sergipe em dezembro de 2025 e da unidade baiana em janeiro de 2026.

Hoje, o Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no país, cenário que evidencia a forte dependência externa e a vulnerabilidade às variações internacionais de preços. Com as unidades da Bahia, Sergipe e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA) em funcionamento, a expectativa é atender cerca de 20% do mercado interno de ureia. Já a entrada em operação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), poderá elevar essa participação para cerca de 35% nos próximos anos.

Lançado em 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes estabelece como objetivo suprir entre 45% e 50% da demanda nacional até 2050. A expansão da produção interna, além de reduzir a dependência do mercado externo, pode contribuir para maior estabilidade de custos e mais segurança no planejamento das safras, refletindo diretamente na produção de proteínas animais e nas principais culturas agrícolas do país.

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Por:
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Fonte:
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