Triticultores do PR encerram o ano insatisfeitos com falta de comprador para o grão

Publicado em 24/12/2010 09:25 404 exibições

Produtores de trigo do Paraná estão terminando o ano insatisfeitos. A safra foi boa, mas faltou comprador.

Em agosto, a alegria de uma boa colheita aparecia no sorriso do agricultor Vilson Zanela, do município de Cascavel. Diferentemente do ano passado, a chuva veio na medida certa. A geada passou longe. Da fazenda do seu Vilson saíram 60 sacas por hectare. É um resultado para ficar na história. "A gente fica até abismado com um troço desses. Quando o tempo colabora com a gente, a gente colhe", disse.

O Paraná colheu este ano 3,2 milhões de toneladas de trigo. A foi safra boa, com grão de qualidade. Já os preços não foram nada satisfatórios. Além de baixos, faltou comprador e o trigo encalhou.

Pra complicar, o governo mudou as regras com o jogo em andamento. No meio do ano, quando a safra já estava plantada, foi reduzido o preço mínimo em 10%. Em outubro, as cooperativas reclamaram.

"Os moinhos não estão comprando trigo e também o governo, mesmo baixando o preço mínimo de R$ 30,50 para R$ 28,60, não comparece para garantir esse preço mínimo novo aos produtores e cooperativas", explicou Dilvo Grolli, presidente da Coopavel.

A cooperativa de Cafelândia, no oeste do estado, teve que improvisar um esquema para guardar o produto.

A safra 2010 já terminou de ser colhida no oeste do Paraná. A cooperativa ainda mantém estocada parte da safra de 2009. Nos bolsões, tem trigo no pátio da indústria. São nove mil toneladas sem comercialização.

O agricultor Adelir Dalmagro, que é cooperado, vendeu agora em dezembro a safra de 2008. Ele disse que as despesas de armazenagem nesses dois anos elevaram o custo da saca para R$ 35. Ele vendeu agora a saca por R$ 26. Ele teve um prejuízo de nove reais por saca.

O governo entrou no mercado no final de novembro, com os leilões de subsídio para o escoamento da produção. Trezentos milhões de reais serão usados para apoiar a venda de 1,6 milhão de toneladas, na base do preço mínimo. O que as cooperativas reclamam é que essa ajuda oficial vai atender apenas 27% da safra colhida este ano.

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Fonte:
Globo Rural

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