Produtor do Centro-Oeste do Paraná deixa feijão na roça

Publicado em 09/06/2011 07:42 390 exibições
Os cerca de 10 milímetros de chuva que caíram na tarde da última terça-feira nas lavouras de Engenheiro Beltrão, Centro-Oeste do Paraná, não foram suficientes para animar o agricultor Roberto Brina. Em abril deste ano, ele investiu cerca de R$ 10 mil no plantio de 16,94 hectares de feijão, com expectativa de colher uma média de 37 sacas por hectare. Mas, diante do impacto da estiagem das últimas semanas, não sabe o que fazer com o que sobrou da lavoura. “Tinha tudo para dar certo. Tirei a soja da safra passada e logo em seguida plantei o feijão. Fiz tudo como manda o figurino, mas o clima, além de não colaborar, me deu ‘belo’ de um prejuízo”, lamenta Brina.

Maior produtor nacional de feijão, o Paraná é responsável por 27% da 2.ª safra do ciclo 2010/11, cultivada nesta época do ano. As perdas estão sendo avaliadas pelos técnicos e devem reduzir as estimativas oficiais.

Brina conta que a safra começou bem. “Foram 40 milímetros de água antes do plantio.” Depois que o feijão nasceu, a lavoura ficou 37 dias sem uma gota de chuva, relata. O resultado é que muitas plantas, que deveriam estar com 50 centímetros de altura, cresceram 10 centímetros. Sem ter o que colher em sua lavoura, sua única saída é esperar a próxima safra. “Se tirar 2,13 sacas por hectare é muito, e essa média não compensa o gasto com maquinário e mão de obra”, justifica.

O prejuízo se estende ao milho. Brina plantou 60,5 hectares de milho de inverno com expectativa de colher média de 90 sacas por hectare. Sua avaliação é que o resultado será 30% menor. Em boa parte das lavouras do estado, as chuvas são consideradas suficientes e as recentes precipitações trouxeram alívio ao setor.

Em volume, quebra maior que a do Paraná no milho de inverno vem sendo registrada em Mato Grosso. De acordo com estimativa do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a colheita será 19,9% menor que a de 2009/10, considerando também que a área foi reduzida em 10%.

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Fonte:
Gazeta do Povo

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