Cutrale e Louis Dreyfus juntam seu laranjal

Publicado em 12/08/2010 15:24 3727 exibições

Onde hoje os órgãos antitruste enxergam um cítrico oligopólio, dentro de alguns meses talvez passem a ver um duopólio. Cutrale e Louis Dreyfus negociam a fusão de seus ativos no mercado brasileiro de suco de laranja. O modelo sobre a mesa passa pela criação de uma joint venture. O grupo brasileiro deverá ficar com uma participação majoritária, proporcional ao maior porte das suas operações. As conversas entre as duas empresas começaram há cerca de quatro meses, não por coincidência pouco antes de a Citrovita, do Votorantim, e a Citrosuco, do Grupo Fischer, anunciarem sua associação. Procuradas pelo RR - Negócios & Finanças, Cutrale e Louis Dreyfus negaram a operação.
A Cutrale almeja recuperar o status de principal produtora nacional e maior exportadora mundial de suco de laranja. A Louis Dreyfus, por sua vez, precisa sair da encruzilhada em que ficou após a fusão entre Citrovita e Citrosuco. Responsável por 18% do suco processado no Brasil, bem menos da metade do volume alcançado pela nova empresa, o grupo francês perdeu poder de barganha tanto na compra da matériaprima como na exportação do concentrado e corre o risco de ter sua participação ainda mais diluída. Por esta razão, está disposto a abrir mão do controle de seus negócios no país em nome de um projeto maior. Melhor ter um gomo de uma laranja cheia de suco do que ser dono sozinho do bagaço.

O que está em disputa não é apenas a liderança do mercado brasileiro, mas a supremacia no comércio internacional de suco de laranja. Juntas, Cutrale e Louis Dreyfus terão poder para destronar a Citrosuco e a Citrovita, transformando em efêmero o reinado da dupla. Ambas chegarão à marca de US$ 900 milhões em exportações o equivalente à metade do volume vendido pelo país, deixando a concorrente para trás, com cerca de US$ 700 milhões. Terão mais de 30% das vendas mundiais, contra 25% da empresa recém-criada pelos Ermírio de Moraes e os Fischer. Passarão a responder por praticamente metade do processamento de suco de laranja no país, ultrapassando, ainda que no photochart, Citrosuco e Citrovita, que ficaram com 45%. Também vão superar o rival em número de fábricas: dez contra sete.

Em nome da liderança mundial do setor, a família Cutrale e os executivos da Louis Dreyfus vão ter de enfrentar uma batalha política, notadamente contra os órgãos antitruste. O setor vem sendo alvo de uma ferrenha investigação sobre suposta formação de cartel. Uma nova fusão vai acirrar ainda mais a contenda com as associações de produtores de laranja. Os citricultores têm municiado a SDE com uma artilharia pesada de documentos e informações com o objetivo de provar que as indústrias do setor combinam preços para a compra da matéria-prima.

É sintomático que, há pouco mais de três meses, a Cutrale tenha convocado um personagem
habituado a espremer as laranjas mais duras do pomar sem sujar as mãos. Trata-se de Carlos Viacava, que assumiu a diretoria de assuntos corporativos da empresa. Ex-secretáriogeral do Ministério da Fazenda e ex-diretor da Camex, Viacava desfruta de ótimo trânsito entre autoridades políticas. É visto pela Cutrale e pela Louis Dreyfus como o homem certo no lugar certo. Como bom soldado, ele já foi para o front. Estaria mantendo uma intensa agenda em
Brasília em busca de apoio para a associação entre as duas empresas. Recentemente, teria conversado sobre o assunto com o ministro Miguel Jorge.

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Negócios e Finanças

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