Ministro Moro vai investigar suspeita de incêndio criminoso em Altamira (PA)

Publicado em 25/08/2019 16:44 e atualizado em 25/08/2019 18:59
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(Reuters) - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou neste domingo que a Policia Federal investigará possíveis ações incendiárias criminosas na região da Amazônia, após solicitação do presidente Jair Bolsonaro de apuração rigorosa sobre possíveis atos nesse sentido.

De acordo com reportagem publicada no site da revista Globo Rural, mais de 70 pessoas – de Altamira e Novo Progresso, no Pará - entre sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros, combinaram em um grupo do WhatsApp incendiar em 10 de agosto as margens da BR163, rodovia que liga essa região do Pará aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao Estado de Mato Grosso.

"A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos", escreveu Moro no Twitter, referindo-se a

A intenção do grupo, conforme a reportagem da Globo Rural, era mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de 'afrouxar' a fiscalização do Ibama e quem sabe conseguir o perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente. A data ficou conhecida como o "dia do fogo" no Pará

Também no Twitter, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acrescentou que Bolsonaro determinou "abertura de investigação rigorosa para apurar e punir os responsáveis pelos os fatos narrados".

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que acompanham as queimadas afirmaram à Reuters no começo da semana que registraram aumento dos focos nos dias 10 e 11 nas regiões de Novo Progresso e Altamira.

O governo brasileiro vem sofrendo forte pressão externa em razão dos recentes incêndios e do aumento no desmatamento na Amazônia. Mais cedo, Bolsonaro afirmou no Twitter que o Brasil é um país comprometido "com a proteção ambiental".

Neste domingo, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que os líderes do G7 estavam próximos de um acordo sobre como ajudar a combater os incêndios na floresta amazônica e tentar reparar a devastação.

Pecuarista lança suspeita sobre Instituto Chico Mendes

A reportagem do Globo Rural sobre o conluio para incendiar as margens da BR-163, no Pará, traz a declaração de uma pecuarista que disse ter visto carros do ICMBio sendo usados para atear fogo na região.

“Esse povo, se eles veem você, eles já vêm armado, já manda você parar, já toma seu celular. Você não pode fazer nada. As caminhonetes que eles andam fazendo esse terror todo, está escrito ICMbio. O presidente Bolsonaro tá certo quando diz que essas ONGs estão botando fogo,” disse a pecuarista identificada como Nair Brizola.

PF vai investigar grupo que teria planejado atear fogo em floresta

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou hoje (25), em uma postagem no Twitter, que a Polícia Federal (PF) vai investigar integrantes de um grupo que teria planejado atear fogo em áreas de floresta entre os municípios de Altamira e Novo Progresso, sudoeste do Pará, no último dia 10 de agosto, data que chegou a ser batizada, por produtores rurais da região, como "dia do fogo". O caso foi denunciado em uma reportagem da revista Globo Rural. 

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, participa da  cerimônia de assinatura de protocolo de intenções com o Ministério da Cidadania, para o combate à pirataria
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasíl

 

"Fui contatado hoje mesmo pelo PR @jairbolsonaro sobre o fato e solicitando apuração rigorosa. A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos", afirmou o ministro.

Segundo a matéria, mais de 70 pessoas, entre sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros combinaram, por meio de um grupo de WhatsApp, incendiar as margens da BR-63, rodovia que liga essa região do Pará aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao estado de Mato Grosso.

A reportagem também foi compartilhada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em que ele reforça a determinação do presidente Bolsonaro para uma "investigação rigorosa" e punição dos responsáveis pelos incêndios criminosos.

De acordo com a assessoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a apuração da PF deve se concentrar sobre o caso denunciado na matéria da revista Globo Rural.

MPF no Pará apura denúncia

Na última quinta-feira (23), o Ministério Público Federal (MPF) no Pará informou que está investigando o aumento de queimadas na mesma região, incluindo uma denúncia semelhante de incêndios criminosos. De acordo com o MPF, o procurador da República Paulo de Tarso Moreira Oliveira apura a convocação, divulgada em jornal de Novo Progresso, supostamente por fazendeiros, para um “dia do fogo”, em que os produtores rurais incendiariam grandes áreas de floresta. O dia previsto para a manifestação também seria 10 de agosto.

Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram aumento significativo de queimadas no dia 10 de agosto, com o registro de 124 focos de incêndio, aumento de 300% em relação ao dia anterior. No dia seguinte, foram registrados 203 focos. Em Altamira, os satélites detectaram 194 focos de queimada em 10 de agosto e 237 no dia seguinte, um aumento de 743% nas queimadas.

Bolsonaro pede que PF investigue "dia do fogo" após pecuarista lançar suspeitas sobre ICMBio (Folha de S. Paulo)

presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu neste domingo (25) que o ministro Sergio Moro (Justiça) determinasse a investigação do "dia do fogo" pela Polícia Federal.

Ficou conhecido por esse nome o dia 10 de agosto, quando houve uma explosão de focos de incêndio no sudoeste do Pará. Fazendeiros do entorno da BR-163 anunciaram nesta data queimadas na região.

O caso já estava sendo apurando pelo Ministério Público Estadual do Pará em Novo Progresso. Há dez dias, o órgão afirmou ter acionado a Polícia Civil e já ter ouvido três pessoas. Somente neste domingo o governo Bolsonaro anunciou apuração sobre o tema. 

"Sim, fui contatado hoje mesmo pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o fato e solicitando apuração rigorosa. A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos", escreveu Moro no Twitter neste domingo.

O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro do Meio Ambiente Ricardo SallesO presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles - Pedro Ladeira/Folhapress

A manifestação do governo Bolsonaro sobre o "dia do fogo" coincide com a publicação neste domingo de uma reportagem do Globo Rural. O texto traz uma declaração de uma pecuarista identificada como Nair Brizola, do município de Cachoeira da Serra. Sem mostrar fotografias ou outras evidências materiais, ela diz ter visto carros do ICMBio sendo usados para atear fogo no local.

ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) é um órgão governamental vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. 

"Esse povo, se eles veem você, eles já vêm armado, já manda você parar, já toma seu celular. Você não pode fazer nada. As caminhonetes que eles andam fazendo esse terror todo, está escrito ICMbio. O presidente Bolsonaro tá certo quando diz que essas Ongs estão botando fogo,” diz trecho da reportagem.

A publicação do Globo Rural foi replicada também pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente).

"O presidente Jair Bolsonaro determinou abertura de investigação rigorosa para apurar e punir os responsáveis pelos fatos narrados", escreveu Salles em sua conta do Twitter.

Além da declaração da pecuarista, a reportagem diz que "sindicalistas, produtores rurais, comerciantes e grileiros, combinaram através de um grupo de WhatsApp incendiar as margens da BR163, rodovia que liga essa região do Pará aos portos fluviais do Rio Tapajós e ao Estado de Mato Grosso", diz o texto. 

Segundo o texto, a intenção deles era "mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiam suas ideias de 'afrouxar' a fiscalização do Ibama e quem sabe conseguir o perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente."

Questionado sobre o objetivo da apuração, Salles disse à Folha que a intenção do governo é apurar o episódio como um todo, não interessando quem possa ser o autor dos incêndios.

"O presidente disse que queria apuração para apurar o dia do fogo. Não é pré-determinado. Não importa quem seja [o autor]. Quem for identificado vai ser punido", disse.

Segundo o ministro, o papel do Ministério do Meio Ambiente é auxiliar a PF nas investigações. Ele disse que a apuração considerará todas as hipóteses e que podem ser investigados tanto os produtores rurais quanto agentes do Ibama e do ICMBio.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) também usou as redes sociais para tratar do caso. Ele publicou a reportagem destacando a declaração em que a produtora rural lança suspeitas sobre agentes do ICMBio.

“É o ICMBio [órgão do governo federal]. Tinha uma moto preta colocando fogo em tudo aqui. E eles foram na minha propriedade com essa moto amarrada em cima da caminhonete deles. Tava escrito lá na porta”, escreveu o senador, filho mais velho do presidente Bolsonaro.

"Isso aí, ministro Ricardo Salles. Caso se confirme essa aberração, ficará evidente que o boicote ao governo existe e vem de pessoas infiltradas nos próprios órgãos oficiais. Siga firme na missão!", complementou Flávio.

O "dia do fogo" foi revelado no último dia 5 pelo jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso. De acordo com a publicação, os produtores se sentem "amparados pelas palavras do presidente" Jair Bolsonaro e coordenaram a queima de pasto e áreas em processo de desmate na mesma data. O objetivo, segundo um dos líderes ouvidos sob anonimato, é mostrar para o presidente que querem trabalhar.

O aumento nas queimadas acontece quase um mês depois de o presidente Jair Bolsonaro ter dito, no último dia 19 de julho, que não acreditava nos dados divulgado no site ​do Inpe referentes ao aumento do desmatamento na Amazônia, que, segundo o sistema Deter, foi maior em junho e julho de 2019 em relação aos mesmos meses de 2018.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou uma explosão de focos de incêndio no sudoeste do Pará no dia 10, segundo monitoramento do Programa Queimadas.

Principal cidade da região, Novo Progresso (1.643 km a sudoeste de Belém) sofreu um aumento de 300% em casos de focos de incêndio no sábado em comparação com o dia anterior. Com 124 registros, foi o recorde do ano, mas durou pouco: no domingo (11), já pulou para 203 casos. Nos últimos dias, a cidade conviveu com uma densa nuvem de fumaça. 

Em Altamira, cuja parte do território está na área de influência da BR-163, o salto no sábado foi ainda maior, 743%, com 194 casos. No domingo, foram 237 ocorrências de fogo. Imagens de satélite mostram que grande parte desses incêndios está concentrada no entorno da rodovia. 

Fonte: Reuters/Agencia Brasil

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