Milho: Com alta em Chicago e valorização do dólar, preço atinge R$ 24,70 no Porto de Paranaguá

Publicado em 16/10/2014 18:13 295 exibições

Nesta quinta-feira (16), a saca do milho no Porto de Paranaguá registrou alta de 2,92% e terminou o dia cotada a R$ 24,70, de acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. Em São Gabriel do Oeste (MS), a alta foi de 4,29%, com a saca do milho negociada a R$ 17,00, em Jataí (GO), os ganhos foram de 1,08% e a saca é cotada a R$ 17,85. Nas demais praças o dia foi de estabilidade. 

A situação é reflexo das altas registradas no mercado internacional e a valorização do dólar. A moeda norte-americana fechou o dia negociada a R$ 2,46, com ganho de 0,28%, de acordo com dados da agência Reuters. Ao longo dos negócios, o câmbio subiu mais de 2% e atingiu o patamar de R$ 2,50, maior nível desde o dia 3 de outubro. 

Ainda assim, boa parte dos produtores ainda segura o produto e esperam melhores oportunidades de negociação. Com isso, há muito milho estocado em silo bolsa, especialmente na região Centro-Oeste. Em contrapartida, os compradores seguem mais lentos na aquisição do produto. 

Já as exportações permanecem abaixo do que o registrado no mesmo período do ano passado. De janeiro a setembro, o Brasil conseguiu exportar cerca de 11 milhões de toneladas do cereal. Em seu último relatório, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou para baixo, de 21 milhões para 19,5 milhões a estimativa de embarques para esse ano.

"Com isso, teremos muito milho no mercado. E precisaríamos de uma grande redução na safra de verão para haver uma mudança substancial no cenário de milho", acredita o analista da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

Segundo dados da companhia, na safra de verão, os produtores brasileiros poderão colher entre 27 milhões até 29 milhões de toneladas. No ciclo anterior, foram colhidas mais de 31 milhões de toneladas do cereal. A redução na área cultivada e, consequentemente, na produção é decorrente dos altos custos de produção e dos preços mais baixos.

Paralelo a esse cenário, já começam a surgir no mercado especulações em relação ao atraso no plantio da soja, que irá comprometer a janela ideal de plantio da safrinha de milho em 2015. "E com a redução na primeira safra, teremos um volume menor de milho em fevereiro. Isso já tem impactado nos contratos na BMF&Bovespa, tínhamos um valor de R$ 24,60 para o contrato janeiro e hoje, temos o valor de R$ 27,10. Podemos ter uma quadro diferente para o milho mais adiante", destaca o analista de mercado da Bocchi Administradora de Negócios, Leonardo Mussury.

Bolsa de Chicago

Em mais uma sessão de volatilidade, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) reverteram as perdas e terminaram a quinta-feira em campo positivo. As principais posições da commodity fecharam o pregão com altas de 4,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,52 por bushel. 

De acordo com dados do site internacional Farm Futures, os futuros do cereal foram impulsionados por movimento de compras especulativas, por parte dos fundos de investimentos. "Alguns fundos estão forçando este movimento de alta visando a oportunidade de realizar lucros mais adiante", explica Ribeiro.

Além disso, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 120 mil toneladas do grão para destinos não revelados nesta quinta-feira. O volume deverá ser entregue na temporada 2014/15. Inclusive, a expectativa dos participantes do mercado é que o relatório de vendas para exportação, que será reportado amanhã (17), exiba um aumento em relação à semana anterior, conforme dados da Farm.

Por outro lado, as informações de clima no Meio-Oeste permanecem no foco dos investidores. Isso porque nos últimos dias, os futuros do milho registraram ganhos expressivos, como consequência do atraso na colheita do grão devido às chuvas excessivas. No entanto, as previsões de chuvas para as próximas duas semanas se mantém limitadas, segundo dado do Maryland Commodity Weather Group. 

Até o último dia 12 de outubro, cerca de 24% da área cultivada havia sido colhida, conforme último boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). "Este rali recente foi provavelmente exagerado e uma oportunidade para os produtores realizarem algumas vendas", disse Brian Hoops, presidente da Midwest Market Solutions, em entrevista à Bloomberg.

 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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