Milho: Frente às especulações com o clima, preços avançam no mercado interno e na BM&F

Publicado em 28/10/2014 17:06 e atualizado em 29/10/2014 08:41 726 exibições

Na BM&F, a sessão foi de ganhos aos contratos futuros do milho. Em mais um dia de alta, as principais posições do cereal conseguiram avançar e terminaram o pregão com valorizações entre 0,07% e 0,65%. O vencimento março/15 se manteve em R$ 29,00 a saca.

Como principal fator de suporte às cotações do cereal está a especulação em relação ao clima. Em muitas regiões, principalmente no Centro-Oeste os trabalhos nos campos estão atrasados devido às chuvas irregulares. Cenário que, além de preocupar os produtores rurais, também afeta a janela ideal do milho safrinha do próximo ano. 

Algumas regiões produtoras do país até receberam algumas precipitações nos últimos dias, mas não foi o suficiente para dar tranquilidade aos agricultores, uma vez que o atraso já está consolidado. Na localidade de Santa Terezinha do Itaipu (PR), as lavouras de soja estão sem chuvas há mais de 22 dias, situação que, juntamente com o sol forte têm afetado o desenvolvimento das plantas, conforme escreveu o produtor rural do município, Emerson Luiz Romanha, no espaço do Fala Produtor.

Em Nova Mutum (MT), a semeadura da soja também permanece atrasada e até o final da última semana apenas 15% da área havia sido cultivada. No mesmo período dos anos anteriores, cerca de 50% da área já tinha sido plantada. A situação se repete nas principais regiões produtoras pelo país. 
Por enquanto, as previsões climáticas apontam para a chegada de uma nova frente fria entre quinta e sexta-feira. O evento irá provocar chuvas e baixar a temperatura na Região Sul e avançar para o Sudeste e Centro-Oeste durante o final de semana, de acordo com informações reportadas pela Climatempo.

"Deveremos ter uma redução na área cultivada com o milho segunda safra. Ainda não está claro, pois não tivemos a regularização do clima. E com essa situação, teremos uma menor oferta mais adiante. Na composição dos preços do milho temos fatores sustentáveis", sinaliza o consultor em agronegócios, Ênio Fernandes.

Mercado interno

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, as cotações registraram valorizações em algumas praças nesta terça-feira. Em Londrina (PR), a valorização foi de 2,78%, com a saca do cereal cotada a R$ 18,50, já em Tangará da Serra (MT), o preço avançou para R$ 15,00, com ganho de 3,45%. Em Campo Novo do Parecis (MT), o dia também foi de alta, de 3,70%, com a saca negociada a R$ 14,00, em São Gabriel do Oeste (MS) a alta foi de 5,56%, para R$ 19,00 a saca.

Na contramão desse cenário, as cotações recuaram levemente em Jataí (GO), 0,41% para R$ 19,25. Já no Porto de Paranaguá, o dia foi de queda de 1,89%, com a saca negociada a R$ 26,00. Nas demais praças pesquisadas o dia foi de estabilidade nos valores praticados. O cenário é decorrente da queda registrada no dólar, que terminou o dia com perda de 2%, cotado a R$ 2,47.

Nas últimas semanas, o mercado já vem mostrando uma firmeza maior. A retração nas vendas por parte dos produtores rurais, assim como, a demanda mais aquecida dão suporte aos preços também. Com a pior seca dos últimos 70 a 80 anos, os pecuaristas estão alimentando os animais com ração, o que aumenta a demanda pelo cereal.

"Isso sem contar o valor do frete que recuou, especialmente no Centro-Oeste. Consequentemente, o preço do cereal se tornou mais competitivo e a perspectiva é que fechemos o mês de outubro com as exportações acima dos 3 milhões de toneladas", acredita Fernandes.

Ainda assim, para o consultor, Flávio França, o produtor deve estar atento às retenções de vendas no milho, principalmente porque temos um excedente de produção no Brasil. “Agora com a melhora nos valores, os agricultores devem negociar o milho também, pois precisamos exportar pelo menos 19 milhões de toneladas para ficarmos com estoques próximos de 10 milhões de toneladas. Precisamos embarcar o cereal para limpar os armazéns e receber a soja mais adiante”, orienta França. 

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta terça-feira (28) em campo positivo. Pelo segundo dia consecutivo, os futuros do cereal terminaram o dia com altas entre 1,00 e 1,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,64 por bushel.

Assim como os futuros da soja, os do milho também foram influenciados positivamente pelos ganhos registrados no farelo de soja, conforme destaca o site internacional Farm Futures. A commodity tem sido impulsionada, especialmente pela demanda vinda do setor de rações, frangos e suínos.

Enquanto isso, a colheita em ritmo mais lento nos Estados Unidos também dão sustentação aos preços futuros do cereal. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que a colheita está completa em 46% da área. O número ainda está abaixo da média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida no mesmo período. 

A situação é decorrente, especialmente das chuvas registradas recentemente no país, que interromperam os trabalhos nos campos. E também deu sustentação aos preços do milho no mercado internacional. No entanto, o consultor da França Junior Consultoria, Flávio França Junior, destaca o tempo deve permanecer favorável nos próximos dias.

"E, até o momento, os relatos vindos dos campos apontam para a uma boa produtividade das lavouras norte-americanas. Com isso, a perspectiva é que o USDA possa trazer um novo ajuste para cima na projeção para a safra de milho dos EUA, que será reportado no início de novembro. O que seria um fator negativo aos preços do cereal", explica o consultor.

Paralelo a esse cenário, outro fator que também contribui para a firmeza dos preços futuros registrados na sessão anterior foi o relatório de embarques semanais do departamento norte-americano.  Até o último dia 23 de outubro, os embarques do cereal totalizaram 702.906 mil toneladas. O volume ficou abaixo do indicado na semana anterior, de 717.653 mil toneladas do grão.

Veja como fecharam os preços do milho nesta terça-feira:

>> MILHO

 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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