Milho: Preços dão continuidade às altas e março/15 chega a R$ 29,65 na BM&F

Publicado em 29/10/2014 12:41 e atualizado em 29/10/2014 17:26 386 exibições

Durante os negócios desta quarta-feira (29), os futuros do milho na BM&F Bovespa ampliaram os ganhos registrados. Por volta das 12h19 (horário de Brasília), as principais posições do milho exibiam valorizações entre 2,21% e 3,41%. O contrato março/15 era cotado a R$ 29,65, contra R$ 29,18 registrado no início da sessão.

Os investidores ainda observam o clima no Brasil e, consequentemente a evolução do plantio da soja da safra 2014/15. Para essa semana, os institutos meteorológicos indicam que as chuvas deverão permanecer especialmente na região Centro-Oeste. Com isso, a expectativa é que os produtores consigam evoluir com os trabalhos nos campos.

Segundo dados do IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), até o momento, cerca de 20% das áreas foram cultivadas com o grão no estado. No mesmo período do ano passado, a área semeada era de 50%. Porém, apesar do atraso, o boletim do instituto indica que a produtividade das lavouras da oleaginosa não é uma preocupação, ao contrário, a redução do potencial da área segunda safra, principalmente com o milho.

Já nos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo, como as precipitações ainda não foram regulares, o atraso no cultivo do grão ainda é maior em comparação com a safra anterior. No Paraná, local onde cerca de 40% da área já foi semeada, as chuvas retornarão a partir do dia 1º de novembro, conforme dados dos meteorologistas.

A situação é tão preocupante que, em algumas localidades os produtores sinalizam que poderão cancelar, ou até mesmo diminuir as compras da próxima safrinha de milho. Claro que, segundo os analistas, essa situação dependerá das condições climáticas e da evolução da semeadura da soja nos próximos dias.

De acordo com economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, com a valorização nos preços praticados também no mercado interno, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cancelou o leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor). A 5ª operação seria realizada na semana passada, com oferta de 910 mil toneladas do cereal.

"Essa situação também fez com que o produtor recuasse ainda mais nas vendas, ele adotou uma postura ainda mais defensiva. E o entendimento do agricultor é que é possível esperar um pouco para fazer a comercialização", conforme explica o economista.

Outro fator que também viabilizou o aumento dos embarques, especialmente com origem do Paraná, foram os ganhos no mercado internacional, segundo destaca Motter. "Claro que o câmbio também contribuiu para essa situação. Com isso, tivemos negócios até a R$ 22,50 pela saca do milho na região Oeste do estado. Porém, hoje, com a queda no câmbio, deveremos retornar ao valor de R$ 21,50, o que deve fazer com que os produtores segurem as vendas", diz o economista.

Bolsa de Chicago

Em uma sessão volátil, os preços futuros do cereal chegaram a reduzir os ganhos, mas voltaram a subir, ao longo dos negócios. Por volta das 13h31 (horário de Brasília), as principais posições do cereal registravam altas entre 4,25 e 5,00 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a R$ 3,69 por bushel.

Segundo informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, os preços caminham para aumento de 15% somente em outubro. Se confirmado, esse será a maior evolução mensal desde julho de 2012. No último pregão, os futuros do cereal foram impulsionados pelos ganhos do farelo de soja, que encontra suporte na demanda aquecida do setor de rações.

Os investidores também acompanham o avanço da colheita do milho norte-americano. Apesar da melhora no clima nos Estados Unidos, a colheita alcançou 46%, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O número ainda é menor do que a média dos últimos cinco anos, de 65% da área colhida.

Ainda na visão do economista, o clima está favorável nos EUA e a perspectiva é que no próximo relatório de acompanhamento de safras, na próxima segunda-feira, o departamento indique um avanço nos trabalhos nos campos.

Em contrapartida, os relatos vindos dos campos norte-americanos indicam que a produtividade das lavouras possa ficar acima do esperado inicialmente. Inclusive, alguns analistas apostam que, no próximo relatório de oferta e demanda que será reportado no início de novembro, o USDA revise para cima as projeções dos rendimentos e da produção do país.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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