Milho: Em dia de realização de lucros, preços recuam em Chicago e na BM&F, março/15 chega a R$ 30,15

Publicado em 30/10/2014 17:09 e atualizado em 31/10/2014 08:03 252 exibições

Após as altas expressivas registradas nos últimos dias, os futuros do milho negociados na BM&F Bovespa terminaram a quinta-feira do lado negativo da tabela. As principais posições da commodity fecharam a sessão com desvalorizações entre 0,60% e 2,36%. Porém, apesar do recuo, o contrato março/15 se manteve acima dos R$ 30,00, cotado a R$ 30,15 a saca.

Para a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, os preços registraram um movimento de realização de lucros, depois dos ganhos recentes. “Claro que a queda registrada nas cotações no mercado internacional e também no câmbio contribuíram para a formação desse cenário”, destaca.

Entretanto, os participantes do mercado ainda observam as condições climáticas para o país e a evolução do plantio da soja. Para a próxima semana, entre os dias 2 e 6 de novembro, as previsões climáticas indicam chuvas para boa parte do país, conforme dados da Somar Meteorologia. Nas principais regiões produtoras, o acumulado de precipitações pode ficar entre 30 mm a 50 mm, podendo alcançar até 70 mm em algumas localidades. 

Para a semana seguinte, a perspectiva é que também haja chuvas, com bons volumes acumulados também. Com isso, a perspectiva é que os agricultores consigam evoluir com os trabalhos nos campos. “O mercado acompanha, mas ainda é cedo para prever perdas em relação à próxima safrinha. Apesar do atraso na semeadura da soja, especialmente no MT, se tivermos chuvas poderemos ter o avanço no cultivo da oleaginosa”, destaca Ana Luiza.

A analista também alerta que, apesar da reação recente nos preços praticados no Brasil, os produtores devem estar atentos aos números dos estoques. Para essa safra, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta os estoques acima de 15 milhões de toneladas, o que é um fator negativo para a formação das cotações.

“Nesse momento, os agricultores devem avaliar a situação e também pensar em relação aos armazéns, pois terão que ser esvaziados para a estocagem da soja. Com isso, é hora de fazer as contas para decidir a comercialização do milho”, orienta Ana Luiza.

Mercado interno

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, a quinta-feira foi de estabilidade nas principais praças pesquisadas. Em Jataí (GO), os preços registraram leve alta de 0,46% e a saca terminou o dia cotada a R$ 19,75. Em contrapartida, São Gabriel do Oeste (MS), o dia foi de queda de 2,56%, com a saca do cereal cotada a R$ 19,00.

No Porto de Paranaguá, o preço da saca do cereal recuou para R$ 25,20, uma queda de 4,18%. Além da queda registrada no mercado internacional, o dólar fechou o dia com forte queda. A moeda norte-americana caiu mais de 2%, para R$ 2,40, conforme dados reportados pela agência de notícias Reuters.

Bolsa de Chicago

Os futuros do cereal na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia com leves perdas. Ao longo dos negócios, as cotações do cereal reverteram os ganhos apresentados no início da sessão e terminaram o pregão com quedas entre 1,00 e 1,50 pontos nas principais posições. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,74 por bushel.

O mercado passou por um movimento de realização de lucros, após as altas recentes alavancadas, principalmente pelo atraso da colheita do milho e as altas registradas no farelo de soja, conforme destaca a analista da FCStone. “O milho tem uma relação com o farelo de soja, para a produção de alimentação animal”, afirma Ana Luiza.

No entanto, as perdas foram moderadas, uma vez que o mercado do cereal ficou mais sustentado pela divulgação de que nos EUA, a produção de etanol foi a melhor das últimas 10 semanas, segundo dados do economista Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter. “O que permite pensar que a demanda doméstica pode ter mais um ponto de suporte”, conforme diz o economista. 

De acordo com informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o mercado foi pressionado, especialmente pela queda nas vendas para exportação, reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Até o dia 23 de outubro, as vendas totalizaram 489,9 mil toneladas do cereal, volume abaixo do estimado pelo mercado, de 800 mil toneladas.

O volume também é inferior ao divulgado na semana anterior, de 1.031,2 milhão de toneladas. No acumulado do ano safra, em torno de 18.7742,2 milhões de toneladas já foram embarcadas, ou seja, 42% do volume total previsto pelo departamento norte-americano, de 44,45 milhões de toneladas. 

"A queda nos negócios de exportação é uma indicação de que os consumidores não irão comprar suprimentos a preços mais altos", disse o analista sênior de grãos da Jefferies, Shawn McCambridge, em entrevista à Bloomberg.

Outra variável que também exerceu pressão negativa sobre os preços do cereal foi a revisão para cima na estimativa da produção mundial de milho anunciada pelo IGC (Conselho Internacional de Grãos). A previsão é que a produção global totalize 980 milhões de toneladas, uma alta de 6 milhões de toneladas frente à projeção do mês anterior.

Ainda assim, apesar do aumento na estimativa, o número ainda é menor do que o registrado na temporada anterior. Conforme dados do IGC, o cenário é reflexo da diminuição das safras projetadas para a China e também América do Sul.

Além disso, outro fator que também movimentou o mercado e deu o tom negativo aos preços foi a informação de que o Banco Central norte-americano irá reduzir os incentivos para a economia e que os juros no país poderão subir. Consequentemente, os investidores migraram das commodities, de maior risco, para ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro Americano.

Veja como fecharam os preços do milho nesta quinta-feira:

>> MILHO

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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