Milho: Com perspectiva de redução na safra dos EUA, mercado sobe até 4,27% na semana em Chicago

Publicado em 09/09/2016 17:55 e atualizado em 12/09/2016 08:14
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Novamente, o saldo da semana foi positivo aos preços do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). De acordo com levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, as principais posições cereal acumularam valorizações entre 3,81% até 4,27%. Nesta sexta-feira (9), as cotações da commodity também subiram e exibiram ganhos entre 2,50 e 3,00 pontos. O vencimento setembro/16 era cotado a US$ 3,30 por bushel e o dezembro/16 a US$ 3,41 por bushel.

"Os preços do milho encerraram a semana em alta em meio às previsões de que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) corte sua estimativa para a safra do cereal em seu próximo boletim de oferta e demanda, que será divulgado na próxima segunda-feira (12)", disse Bob Burgdorfer, analista e editor do portal Farm Futures.

Durante essa semana, as agências internacionais reportaram suas estimativas para o boletim da próxima semana. Segundo apostas da Farm Futures, os produtores americanos poderão colher uma safra próxima de 377,44 milhões de toneladas nesta temporada. Já a pesquisada realizada pela agência Reuters, aponta uma produção em cerca de 381,71 milhões de toneladas. Em agosto, o USDA estimou a safra americana em pouco mais de 384 milhões de toneladas.

Em relação aos estoques finais, as estimativas indicam números entre 57,41 milhões e 59,16 milhões de toneladas. No último mês, o departamento indicou os estoques finais de milho em 61,19 milhões de toneladas.

Ainda hoje, os números das vendas para exportação, indicados pelo USDA, também contribuíram para dar sustentação aos preços do cereal, conforme ponderam os analistas. Na semana encerrada no dia 1 de setembro, as vendas de milho somaram 1.123,8 milhão de toneladas. Do total, em torno de 1.093,3 são referentes à temporada 2016/17 e o restante, de 30,5 mil toneladas, do ciclo 2017/18.

Mais uma vez, o número ficou acima das apostas dos participantes do mercado, que estavam entre 700 mil a 800 mil toneladas do cereal. Na última semana, as vendas totalizaram 861,6 mil toneladas de milho, sendo 214,1 mil toneladas do ano comercial 2015/16 e mais 647,5 mil do atual.

Além da demanda, os relatos trazidos dos campos americanos diante do início da colheita também continuam no radar os participantes do mercado.  Em Illinois, importante estado produtor do grão no país, a colheita já está completa em 1% da área semeada nesta temporada.

"Paralelamente, ambos, soja e milho, estão recebendo algum apoio das chuvas indesejáveis em algumas localidades do Meio-Oeste. Situação que poderá atrasar a chegada da nova safra e causar alguma tensão no mercado", informou o site Agrimoney.com.

"Tempestades se moveram ao longo de toda essa semana no Corn Belt e ainda há indicativos de chuvas mais fortes em Kansas, Missouri Nebraska e Iowa. As preocupações são decorrentes do real impacto da condição climática no milho maduro e na soja. Tempo mais seco deve chegar no domingo", explica Bob Burgdorfer.

Mercado financeiro

"Hoje, os mercados não foram favoráveis. As esperanças de um acordo de controle da oferta entre os exportadores mundiais de petróleo parece estar suavemente desaparecendo", informou o Agrimoney.com

Ainda nesta sexta-feira, as atenções também estiveram voltadas para a Coreia do Norte, que realizou um teste nuclear. "Por outro lado, o comentário de um oficial do Federal Reserve, banco central americano, que sugeria uma elevação na taxa de juros adicionou mais pressão para as ações", destacou o site Farm Futures.

Mercado brasileiro

No mercado brasileiro, a semana foi de ligeira movimentação aos preços do cereal. Em Itapeva (SP), a saca caiu 7,35% e encerrou a semana a R$ 34,39 a saca. Já na região de Sorriso (MT), o recuo ficou em 5,26%, com a saca a R$ 27,00. Em Jataí (GO), a queda foi de 2,70% com a saca a R$ 36,00. E no Oeste da Bahia, as cotações caíram 2,06%, com a saca do milho a R$ 47,50. No Porto de Paranaguá, a alta foi de 9,38%, com a saca a R$ 35,00.

A semana foi de lentidão aos negócios no mercado brasileiro diante do feriado na última segunda-feira nos EUA, em comemoração ao Dia do Trabalho. E, depois do feriado do dia 7 de setembro no país, em comemoração ao Dia da Independência, o que afastou os compradores e vendedores do mercado, conforme reforçam os especialistas.

Ainda essa semana, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) revisou novamente para baixo a projeção para a safrinha de milho 2016. Em agosto, o número ficou em 42,59 milhões de toneladas, já para setembro, o órgão estimou a segunda safra em 41,12 milhões de toneladas. Com isso, a produção total deverá ficar próxima de 66,97 milhões de toneladas, uma queda de 20% em relação ao ano anterior, quando foram colhidas 84,67 milhões de toneladas.

Além disso, a entidade realiza na próxima semana, dia 15 de setembro, novo leilão dos estoques públicos. Ao todo, serão ofertadas 50 mil toneladas de milho.

Dólar

A moeda norte-americana fechou a sexta-feira a R$ 3,2800 na venda, com alta de 2,17%. O ganho é o maior desde 3 de maio, quando o câmbio subiu 2,33%, de acordo com dados da Reuters. Na semana, o dólar acumulou valorização de 0,82%.

A movimentação positiva foi decorrente da aversão ao risco no exterior e indicações de que o Federal Reserve possa elevar a taxa de juros no país.

Confira como fecharam os preços nesta sexta-feira:

MILHO

Importação de milho pelo Brasil dispara em agosto, aponta MDIC

SÃO PAULO (Reuters) - As importações de milho pelo Brasil saltaram para 295 mil toneladas em agosto, maior volume do ano e uma alta 1800 por cento ante o mesmo mês de 2015, com empresas de aves e suínos voltando-se para fornecedores externos em função da escassez no mercado interno, mostraram dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

No acumulado dos primeiros oito meses do ano, as importações já chegam a quase 1,1 milhão de toneladas, volume que supera os 12 meses de cada um dos últimos seis anos.

Na média mensal de desembarques, o ritmo de 2016 equipara-se às importações de 2000 e 1997, anos de recorde na série histórica do governo iniciada em 1997.

Em agosto, o Brasil comprou apenas de parceiros do Mercosul. Do Paraguai, entraram 170 mil toneladas, e da Argentina vieram 125 mil toneladas.

Empresas que usam o milho como insumo, como granjas de aves e suínos, têm tido dificuldade de encontrar carregamentos para abastecer operações. No fim de 2015 e início de 2016 houve fortes exportações de milho do Brasil, o que somou-se à quebra na produtividade da colheita da safra em meados deste ano.

Tomando como base o ano comercial, iniciado em fevereiro e que terminará em janeiro de 2017, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o país precisará importar 1,5 milhão de toneladas.

Segundo o MDIC, desde fevereiro as importações somam 1,09 milhão de toneladas.

O Cepea, centro de pesquisa ligado à Universidade de São Paulo, destacou em relatório nesta sexta-feira que os preços do milho caíram nos últimos dias em diversas praças, pressionados pela retração de compradores, que estão atentos às paridades de importação e exportação.

"Apesar disso, estimativas oficiais apontam estoques ainda mais apertados para a temporada", disse o Cepea, lembrando que a previsão do governo federal é terminar o ano comercial com estoques no país de 5,5 milhões de toneladas, 47 por cento menos que na temporada anterior.

"Esse cenário gera expectativa de que os preços se sustentem no último trimestre do ano", disse o centro de pesquisa.

O Cepea afirmou ainda que importações eventualmente acima dos patamares recentes "também podem influenciar com mais força o mercado".

(Por Gustavo Bonato)

Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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