Plantio do milho safrinha começa em diversas regiões do Brasil com expectativa de boa produtividade e aumento das exportações

Publicado em 21/01/2019 15:38 e atualizado em 24/01/2019 02:38
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Os trabalhos com a segunda safra de milho já se iniciaram em diversas localidades do Brasil. Com a antecipação do plantio de soja, as colheitas também começaram mais cedo e propiciaram o aparecimento de áreas já plantadas do milho safrinha, em especial no dois maiores estados produtores do país, Mato Grosso e Paraná.

Segundo informações do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), até a terceira semana de janeiro já haviam sido plantadas 6,61% do total de 4,6 milhões de hectares esperados para o milho no estado. Esses números representam um aumento de 1% com relação ao plantado na safra 2018 e a expectativa é de crescimento na produtividade de 2,36% de 99 sacas por hectares para 101 esse ano.

“Vamos ter bastante área plantada de milho, até com um acréscimo no plantio do ano passado aqui no município, já que algumas usinas de etanol na nossa região estão buscando a nossa produção de milho. Logicamente que vai depender do clima lá na frente, mas a tendência é de que a safra seja boa para o produtor nesse ano”, conta Albino Castilho Ruiz, presidente do Sindicato Rural de Nova Ubiratã/MT, uma das primeiras cidades do estado a iniciarem a colheita da soja.

Já no estado do Paraná, o Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento aponta que cerca de 9% do total da área de milho, que deve der de aproximadamente 2,1 milhões de hectares, já foi plantada para a segunda safra do grão, que até o final de segunda semana de janeiro registrava 90% da área plantada em boas condições de qualidade e 10% como média.

Entre as cidades que tem os plantios mais avançados estão Irati, que já plantou 50% dos 10 mil hectares previstos, Pato Branco com 25% dos 50 mil hectares e Cascavel com 22% dos 315 mil hectares.

De acordo com o presidente da Aprosoja Paraná, Márcio Bonesi, a falta de chuvas que atingiu o estado, principalmente no mês de dezembro, deve deixar os produtores atentos com relação ao desenvolvimento do milho. “Muitas áreas de soja já foram colhidas e plantadas o milho e, como as chuvas ainda estão irregulares, temos algumas áreas de milho sofrendo para emergir. O produtor tem que estar atento à previsão do tempo, que não estão firmes de chuva, e ter muito cuidado para plantar esse milho segunda safra que é muito arriscado o produtor plantar esse milho sem ter previsão de chuva boa e ele não vir a emergir como está acontecendo em algumas áreas do Paraná”.

A expectativa no estado é de aumento da área plantada para esta segunda safra de milho. “Houve a proibição do plantio da soja safrinha no Paraná, então os produtores que plantavam soja safrinha passaram a plantar milho safrinha, principalmente produtores da região do Sudoeste do estado, como as cidades de Pato Branco, Mariópolis e Itapejara do Oeste. Dessa maneira, acredito que deva ter aumento de área de safrinha neste ano. Outro fator são os preços, embora os custos tenham aumentado, os contratos do milho foram feitos a preços compensadores entre R$ 30,00 e 34,00 por saca de 60 kg de milho”, explica Valdir Edemar Fries, produtor rural de Itambé/PR.

O Notícias Agrícolas seguiu ouvindo relatos de outros estados produtores pelo Brasil. No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a seca do mês de dezembro ameaçou prejudicar também a cultura do milho, mas as chuvas voltaram em janeiro e as expectativas aumentaram também. “O produtor aproveitou as chuvas do começo do ano para iniciar o plantio do milho dessa safra, que já estava programada antes de termos a seca de dezembro no estado. O produtor vem aplicando os adubos e insumos no solo e estudando muito as estratégias de como se defender em anos difíceis. O produtor vai seguir utilizando as tecnologias para buscar grandes produtividades”, diz Juliano Schmaedecke, presidente da Aprosoja MS.

O fator climático segue sendo uma preocupação para os produtores de Goiás iniciarem os plantios. De acordo com o presidente da Aprosoja GO, Adriano Antônio Barzotto, o plantio do milho deve acontecer dentro da melhor janela possível para diminuir os possíveis impactos do clima adverso. “O produtor está organizado e faz o planejamento de uma safra seguinte a outra. Então o plantio do milho safrinha já está totalmente definido, mas o que nos preocupa é clima. Sabemos que vai haver um pouco de variação climática também para a safrinha, mas o produtor tem o calendário com a melhor janela de plantio. A orientação que a gente dá aos produtores é que façam o plantio da safrinha 2019 dentro do período correto que é o mês de fevereiro, não invadindo março porque a tendência de termos uma frustração de safra é maior a cada dia que passa de março”.

Segundo levantamento do IBGE, a safrinha de milho vem cada vez mais ganhando importância dentro da agricultura do Brasil. O Instituto aponta que em 2006 essa segunda safra representava 25% do total de milho do país, crescendo para 50% em 2012 e representando quase 70% do total de área plantada de milho atualmente.

Com essa crescente no percentual no plantio de milho da safrinha, a importância da rentabilidade também cresce para essa segunda safra do grão. De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq de Piracicaba, os preços domésticos do milho têm apresentado comportamentos distintos dentre as regiões acompanhadas, refletindo as ofertas e demandas regionais. Quanto ao ritmo de negócios, especulações com relação ao impacto das chuvas irregulares no desenvolvimento das lavouras têm feito com que produtores posterguem a venda de grandes lotes e negociem apenas pontualmente. Compradores, por sua vez, ainda não têm retomado as aquisições de forma mais expressiva, o que, de certa maneira, sustenta as cotações internas. 

Os preços devem favorecer os produtores também na hora de exportar o milho nos portos brasileiros. “As vendas da safrinha vão acontecer entre julho e agosto e o mercado deve se balizar pela exportação, que deve voltar a crescer em 2019. Nossa expectativa é de preços entre 9,5 e 10,5 dólares no porto, podendo atingir picos entre novembro e dezembro de até US$ 11,00. Com isso, o volume exportado deve sair dos 23,9 milhões de toneladas registradas em 2018 para algo em torno de 27 ou 28 milhões em 2019”, analisa Vlamir Brandalizze, analista de mercado da Brandalizze Consulting.

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Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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