Milho: Preços sustentados no Brasil mesmo com recorde histórico; Safrinha também será recorde

Publicado em 30/03/2020 16:59 e atualizado em 30/03/2020 19:28 1497 exibições
Chicago cai 1% em meio a preocupações com o setor de etanol

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A segunda-feira (30) foi mais um dia de preços sustentados para o mercado interno, que registrou o maior patamar nominal da série histórica do Cepea na última sexta-feira (27) ao fechar a saca de 60 kg à R$ 59,50 na região de Campinas/SP.

Em levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, não foram registradas valorizações neste início de semana. Já as desvalorizações apareceram nas praças de Luís Eduardo Magalhães/BA (0,66% e preço de R$ 45,20), Oeste da Bahia (1,42% e preço de R$ 45,10), São Gabriel do Oeste/MS (2,04% e preço de R$ 48,00) e Brasília/DF (6% e preço de R$ 47,00).

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), as cotações de milho continuam em elevação na maior parte das regiões acompanhadas. “Vendedores estão retraídos, com perspectiva de que os preços continuem avançando nas próximas semanas, fundamentados nos estoques baixos e na oferta enxuta de milho primeira safra”.

Na região de Campinas/SP, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa acumulou altas de 11,74% na parcial de março (até o dia 27) e de 0,78% em sete dias (entre 20 e 27 de março), fechando a R$ 59,50/sc de 60 kg na última sexta-feira – se sustentando, portanto, no maior patamar nominal da série histórica do Cepea.

“Além da menor presença de vendedores, o ritmo de negociação esteve limitado na semana passada por incertezas quanto a possíveis restrições na circulação de mercadorias – diante das medidas de controle do Coronavírus”, aponta o Cepea.

Ainda nesta segunda-feira, a Radar Investimentos divulgou sua nota diária apontando que, o mercado físico ficou firme durante toda a semana anterior. “Com o dólar em níveis históricos elevados, o interesse em negociar no momento no mercado interno é pequeno por parte do produtor e há cautela para escoar o volume dos estoques”.

Confira como ficaram todas as cotações nesta segunda-feira.

Mercado Externo

A segunda-feira (30) chega ao final com os preços internacionais do milho futuro mais baixos na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram perdas entre 4,00 e 4,75 pontos ao final do dia.

O vencimento maio/20 foi cotado à US$ 3,41 com desvalorização de 4,75 pontos, o julho/20 valeu US$ 3,47 com queda de 4,25 pontos, o setembro/20 foi negociado por US$ 3,52 com baixa de 4,00 pontos e o dezembro/20 teve valor de US$ 3,59 com perda de 4,45 pontos.

Esses índices representaram quedas, com relação ao fechamento da última sexta-feira, de 1,45% para o maio/20, de 1,14% para o julho/20, de 1,12% para o setembro/20 e de 1,37% para o dezembro/20.

Segundo informações do site internacional Farm Futures, os preços do milho caíram mais 1% na segunda-feira, já que a produção de etanol entre março e maio pode cair em mais de 700 milhões de galões, segundo algumas projeções.

A publicação ainda destaca que, alguns dados otimistas de plantio e estoques trimestrais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a partir de amanhã, podem conter o sangramento embora, na visão do site, o mercado pareça ter muitos desses dados já incorporados.

“Amanhã o USDA divulgará seus relatórios de plantios prospectivos e estoques trimestrais de grãos. Os analistas esperam que o USDA mostre estoques de milho em 8,125 bilhões de bushels, queda moderada ano a ano. Mas os acres de milho nos EUA devem se recuperar significativamente este ano, com um palpite comercial médio de 94,328 milhões de acres”, aponta o analista Ben Potter.

“Enquanto o relatório do USDA está à frente, a realidade é que as decisões finais das áreas cultivadas parecem muito mais fluidas do que o normal e pode haver muito mais itens mais importantes para o processo de descoberta de preços durante os próximos 90 dias do que os relatórios do USDA de terça-feira”, argumentam os analistas de mercado Duane Lowry e Chris Barron da Ag View Pitch.

Brasil caminha para recorde na 2ª safra de milho, diz consultoria Céleres

SÃO PAULO (Reuters) - A segunda safra de milho 2019/2020 do Brasil deve registrar um recorde de 73,5 milhões de toneladas, avaliou a consultoria Céleres nesta segunda-feira, mantendo por ora sua estimativa apesar de preocupações com o tempo seco em algumas áreas.

O desempenho se deve à disponibilidade adequada de umidade do solo nos Estados de Goiás e Mato Grosso, e uma esperada reposição nos níveis de chuva em abril no Paraná e Mato Grosso do Sul.

"No Paraná e Mato Grosso do Sul, a situação (de chuvas) não é tão confortável... mas os mapas climáticos têm apontado para reposição de chuvas em abril que deverá trazer certo alívio", disse à Reuters Daniely Santos, analista de mercado da Céleres.

A partir de 1º de abril, uma frente fria avançará sobre o Rio Grande do Sul e trará chuvas para toda a região Sul e parte do Sudeste, afirmou nesta segunda-feira Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, em boletim.

"Nessa primeira quinzena de abril (ou) até o dia 20, há previsão de chuvas em todas as regiões produtoras tanto de milho safrinha quanto algodão, café... possibilitando condições excepcionais para o desenvolvimento das lavouras".

O milho segunda safra é o principal cereal cultivado nesta época do ano e tem Mato Grosso e Paraná como seus maiores Estados produtores.

A safra total de milho 2019/2020 do Brasil, incluindo a colheita de verão, foi estimada pela Safras & Mercado em 105,8 milhões de toneladas, na última semana, ante previsão de 104,75 milhões de toneladas divulgada no mês passado.

A consultoria Safras & Mercado elevou a projeção de colheita do cereal cultivado na primeira safra, para 23,2 milhões de toneladas, enquanto reduziu a perspectiva da segunda safra, a safrinha, para 73,8 milhões de toneladas. 

PLANTIO E COLHEITA

A semeadura de milho segunda safra havia atingido 99% da área prevista para o centro-sul do Brasil até a última quinta-feira, informou nesta segunda-feira a consultoria AgRural.

Na soja, a colheita da safra 2019/2020 alcançou 76% da área cultivada, até a quinta-feira passada, avanço de dez pontos percentuais em uma semana.

O desempenho da colheita da oleaginosa está igual ao apurado um ano antes, mas supera a média registrada nos últimos cinco anos.

"O tempo seco tem favorecido o avanço dos trabalhos no Rio Grande do Sul, onde a quebra de safra já está consolidada e os produtores não esperam mais recuperação das produtividades."

Nas lavouras entre Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia, por outro lado, as chuvas frequentes dificultam a colheita em parte da região, embora os produtores sigam com as máquinas para evitar eventuais perdas de qualidade, disse a AgRural. 

No início de março, a AgRural reduziu sua estimativa de produção de soja na safra 2019/20 do Brasil para 124,3 milhões de toneladas devido aos prejuízos por estiagem no Rio Grande do Sul, parcialmente compensados pelas boas produtividades de outros Estados.

Uma nova revisão da estimativa será feita no início de abril.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas/Reuters

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