Abastecimento de milho: maior preocupação é com o 1º semestre de 2021, diz Paulo Molinari, Analista de Safras & Mercados

Publicado em 07/07/2020 08:15 238 exibições

O mercado do milho não registrou um padrão normal de alta exportação no primeiro semestre. De acordo com o analista Paulo Molinari, do Safras & Mercado, é natural e sazonal que as exportações sejam realmente fracas no período. “Apenas em anos excepcionais, as exportações avançam melhor neste período do ano. Os embarques deste ano ficaram em 3,5 milhões de toneladas, bem abaixo das 9,1 milhões de 2019”, explicou o analista.
Mas, isto não é relevante, conforme ele explica. “Não podemos considerar janeiro como um mês do atual ano comercial, tendo em vista que os embarques em janeiro ainda se referem a safra velha. Isto não quer dizer que estes volumes não sejam compensados com fortes exportações no segundo semestre”, disse.

A safra de verão do Centro-Sul foi novamente discreta, com apenas 23 milhões de toneladas. Isto propiciou uma condição para preços médios recordes no período, com SP operando acima dos R$ 60/saca. “A safrinha vem compensando este quadro é projetando uma produção recorde de 75 milhões de toneladas, contudo atende apenas o segundo semestre. Portanto, tivemos um primeiro semestre tenso devido ao abastecimento novamente mais ajustado e preços médios recordes no Brasil”, destacou Molinari.

De acordo com ele, o quadro somente foi "aliviado" em termos de preços devido a pandemia, a qual segurou um pouco a liquidez de mercado. A safrinha chegando ao mercado também ajudou a acomodar preços no final do semestre. “Em termos de demanda, as mudanças por enquanto são discretas. Algum corte de alojamento de pintos de corte, alguma acomodação pontual na indústria de alimentos e correções na indústria de etanol. Basicamente, perdemos 3 milhões de toneladas em consumo neste ano, no segmento milho, devido a pandemia, até o momento. Esta demanda pode se recuperar no segundo semestre dependendo da atividade econômica”, explicou Paulo Molinari.

Soja

Na soja, o volume é recorde. Os embarques do semestre atingiram 62 milhões de toneladas aproximadamente contra 57,5 milhões de toneladas em 2019. Isto se deve a compras preventivas agressivas por parte da China diante do receio de novos átrios comerciais com os EUA e com o risco da pandemia gerar bloqueios nos portos ao redor do mundo. O aumento de estoques na China, com estas compras, é o destaque para o resultado brasileiro. “Apesar da safra recorde de 124,6 milhões de toneladas neste ano, o quadro da soja é muito ajustado. A forte demanda por parte da China e o câmbio alavancam os preços da soja a patamares recordes. As exportações fortes vão mantendo a comercialização bastante agressiva com 92% da soja brasileira já comercializada nesta safra. Com preços disparados para R$ 100/115 nos portos os níveis praticados aos produtores são excepcionais neste momento”, disse Molinari.

Segundo semestre

No segundo semestre, o primeiro destaque é que a exportação de soja se mostra muito forte e é possível que os estoques de soja sejam zerados até o final do ano. Assim, a grande preocupação está no abastecimento de farelo de soja, principalmente no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. É possível que falte soja nestas regiões para esmagamento e produção de farelo. “Os altos preços deste ano devem motivar os produtores a plantarem mais soja do que outras culturas, mesmo por que perto de 40% da safra nova já está vendida, em um ritmo recorde. Será difícil outra cultura competir com soja no próximo verão”, apontou Paulo Molinari.

No caso do milho, nesta metade do ano, entram 75 milhões de toneladas de safra no mercado brasileiro. Por mais que a exportação venha a ser satisfatória, ainda é um grande volume entrando em 90 dias no mercado brasileiro. “Os movimentos de acomodação nos preços irão ocorrer. Para tal, dependerão da composição do fluxo de embarques na exportação e dos preços no portos. E preços nos portos dependem dos valores na Bolsa de Chicago e do câmbio. Portanto, a volatilidade nestas duas variáveis determinará o perfil dos preços internos. Maior embarque e preços nos portos, maior sustentação interna. Acomodação dos preços externos e do cambio será uma combinação de pressão sobre os preços internos”, explicou.

Ainda segundo o analista, a maior preocupação no milho não está no segundo semestre, no qual não faltará milho internamente. “Porém, o primeiro semestre de 2021 necessita ter forte atenção dos consumidores, pois, estoques baixos de passagem e área de verão discreta podem novamente provocar altas agressivas nos preços no período”, afirmou Paulo Molinari.

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Fonte:
AviSite

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