Milho: retração vendedora sustenta cotações no Brasil nesta segunda-feira

Publicado em 03/08/2020 16:42 e atualizado em 04/08/2020 09:26 977 exibições
Chicago sobe após compras de pechinchas

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A segunda-feira (03) chega ao final com os preços futuros do milho elevados no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas desvalorizações em nenhuma das praças.

Já as valorizações apareceram em Pato Branco/PR (1,13% e preço de R$ 44,70), Não-Me-Toque/RS (1,14% e preço de R$ 44,50), Londrina/PR (1,15% e preço de R$ 44,00), Ubiratã/PR e Marechal Cândido Rondon/PR (1,16% e preço de R$ 43,50), Eldorado/MS (1,22% e preço de R$ 41,50), Rio Verde/GO (1,27% e preço de R$ 40,00), Porto Santos/SP (1,92% e preço de R$ 53,00), Itapetininga/SP (2,04% e preço de R$ 50,00), Panambi/RS (2,18% e preço de R$ 45,00) e Brasília/DF (2,56% e preço de R$ 40,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta segunda-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, a semana foi de alta no mercado físico em São Paulo. “Mesmo com a colheita, o ritmo dos negócios está travado e o cereal disponível não foi suficiente para arrefecer as cotações. A firmeza do dólar também colaborou com o movimento”.

Ainda nesta segunda-feira, o Cepea divulgou sua nota semanal apontando que as cotações do milho voltaram a subir na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, devido à retração vendedora e à demanda aquecida.

Segundo pesquisadores, apesar de a colheita avançar, cooperativas e compradores mostram dificuldades em adquirir novos lotes e, quando conseguem, adquirem pequenos volumes para o curto prazo.

Entre 24 e 31 de julho, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa registrou alta de 3,1%, fechando a R$ 50,79/saca de 60 kg nessa sexta-feira, 31.

“No campo, com a colheita ganhando ritmo em todas as regiões, agricultores começam a indicar ajustes negativos na produtividade, especialmente nas lavouras do Paraná, de São Paulo e Mato Grosso do Sul, prejudicadas pela seca durante o desenvolvimento. Esse contexto somado ao fato de que boa parte da produção já está comercializada deve manter limitada a disponibilidade do cereal”, relata o Cepea.

B3

Os preços futuros do milho operaram durante todo o dia em alta na Bolsa Brasileira (B3). As principais cotações registravam movimentações positivas entre 2,76% e 3,53% por volta das 16h42 (horário de Brasília).

O vencimento setembro/20 era cotado à R$ 52,80 com valorização de 3,53%, o novembro/20 valia R$ 53,70 com ganho de 3,47%, o janeiro/21 era negociado por R$ 53,95 com elevação de 2,76% e o março/21 tinha valor de R$ 54,04 com alta de 3,03%.

As flutuações cambiais também atuam para sustentar os contratos futuros do cereal brasileiro. Por volta das 16h54 (horário de Brasília), o dólar era cotado à R$ 5,31 com elevação de 1,86%.

O analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que a demanda brasileira é constante e o mercado está comprador. "A demanda mundial também está muito aquecida com a China comprando 5 milhões de toneladas dos Estados Unidos. No Brasil, 70% da segunda safra já está negociado, então restam apenas entre 20 e 22 milhões de toneladas à disposição, para um consumo interno de 6 milhões de toneladas por mês", diz.

Diante deste cenário, Brandalizze alerta para a oferta enxuta no mercado e afirma que o cenário é positivo também para quem vai plantar milho nesta próxima safra verão 2020/21. "As ofertas nos portos estão em R$ 53,00 para janeiro. Se a produtividade for alta, o milho pode ser mais rentavel do que a soja. Com uma colheita de 9 mil quilos (150 sacas) por hectare a margem já será maior do que a da soja", explica.

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgou, por meio da Secretaria de Comércio Exterior, seu relatório semanal que aponta as exportações acumuladas de diversos produtos agrícolas até o final do mês de julho.

Nestes 23 dias úteis do mês, o Brasil exportou 4.153.433,946 toneladas de milho não moído, volume 1.417.360,1 toneladas maior do que o registrado até a quarta semana, acréscimo de 51,8% nos últimos cinco dias úteis. Com isso, a média diária de embarques ficou em 180.584,1 toneladas.

Em comparação ao mesmo período do ano passado, a média de exportações diárias ficou 29,92% menor do que as 257.671,8 do mês de julho de 2019. Já na comparação com o mês de junho de 2020, a exportações de milho e julho foram 1.093% maiores.

Em termos financeiros, o Brasil exportou um total de US$ 666,090 milhões no período, contra US$ 1,018 bilhão de julho do ano passado, queda de 34,63% Já o preço por tonelada obtido registrou decréscimo de 6,72% no período, saindo dos US$ 171,90 do ano passado para US$ 160,4 neste mês de julho.

Mercado Externo

Os preços internacionais do milho futuro também começaram a semana subindo na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram movimentações positivas entre 1,50 e 2,00 pontos ao final do dia.

O vencimento setembro/20 foi cotado à US$ 3,17 com alta de 1,50 pontos, o dezembro/20 valeu US$ 3,28 com elevação de 1,50 pontos, o março/21 foi negociado por US$ 3,40 com ganho de 2,00 pontos e o maio/21 teve valor de US$ 3,48 com valorização de 2,00 pontos.

Esses índices representaram altas, com relação ao fechamento da última sexta-feira, de 0,32% para o setembro/20, de 0,31% para o dezembro/20, de 0,59% para o maio/21 e de 0,58% para o março/21.

Segundo informações da Agência Reuters, os contratos futuros de milho subiram, após atingir o menor valor de um mês na semana passada, com compra de pechinchas e algum apoio aos ganhos no mercado de soja.

“Mas boas condições para o desenvolvimento das culturas no Meio-Oeste dos EUA e o declínio dos preços futuros do trigo impediram qualquer tentativa de recuperação do milho”, relata Mark Weinraub da Reuters Chicago.    

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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