Preço do milho sobe mais uma vez no físico e na B3

Publicado em 13/08/2020 16:38 e atualizado em 14/08/2020 09:28 909 exibições
Chicago salta mais de 3% com clima quente e danos da tempestade

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A quinta-feira (13) chega ao final com os preços do milho em alta no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas desvalorizações em nenhuma das praças.

Já as valorizações apareceram em Palma Sola/SC (1,03% e preço de R$ 49,00), Cascavel/PR e Cafelândia/PR (1,10% e preço de R$ 46,00), Jataí/GO e Rio Verde/GO (1,18% e preço de R$ 43,00), Ponta Grossa/PR (2,08% e preço de R$ 49,00), Amambaí/MS e Luís Eduardo Magalhães/BA (2,27% e preço de R$ 45,00), São Gabriel do Oeste/MS (2,38% e preço de R$ 43,00), Tangará da Serra/MT (2,50% e preço de R$ 41,00), Campo Novo do Parecis/MS (2,56% e preço de R$ 40,00) e Campinas/SP (3,51% e preço de R$ 59,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta quinta-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, as cotações do milho não tiveram nenhum alívio e estão em alta há 15 dias nas praças paulistas. “O agricultor segue retendo o cereal enquanto o dólar ficou firme com as preocupações com o lado fiscal do Brasil”.

A segunda safra de milho no Brasil já está 74% colhida até o final da última semana, levemente atrasada com relação a media dos últimos 5 anos que é de 78%. As produções também estão dentro do esperado, mas os preços do cereal seguem subindo em plena colheita.

Segundo o chefe do setor de grãos da Datagro Consultoria, Flávio França Jr., a atual safra já está 70% comercializada, com isso o produtor colhe e já cumpre estes contratos, mantendo a falta de oferta no mercado, já que não há necessidade de alavancar recursos neste momento. “Estamos em entressafra antecipada”, diz.

Apesar das valorizações recentes, o analista enxerga uma queda no preço da saca de milho entre R$ 2,00 e R$ 3,00 para os meses de setembro e outubro visando alavancar a parte final das exportações. Segundo seus dados, o país já vendeu 28 milhões de toneladas para exportação e precisa de mais 7 ou 8 milhões para reduzir a oferta.

“Hoje os preços nos portos estão entre 55 e 56 reais e a base Campinas em R$ 55,00. Isso desestimula a exportação e pode levar à um excedente de oferta no final do ano. Com essa pequena queda os volumes embarcados devem aumentar, a oferta volta a ficar ajustada e os preços podem retomar altas entre novembro e dezembro”, explica França.

Diante deste cenário, o conselho é que aquele produtor que precise vender novos lotes nos próximos meses para pagar novas contas deve optar por vendas neste momento. Já que está bem vendido e capitalizado pode aguardar momentos futuros na entressafra de virada do ano.

B3

Os preços futuros do milho subiram nesta quinta-feira na Bolsa Brasileira (B3). As principais cotações registravam movimentações positivas entre 0,54% e 2,74% por volta das 16h21 (horário de Brasília).

O vencimento setembro/20 era cotado à R$ 57,82 com valorização de 2,74%, o novembro/20 valia R$ 57,00 com elevação de 1,79%, o janeiro/21 era negociado por R$ 56,90 com alta de 1,07% e o março/21 tinha valor de R$ 55,60 com ganho de 0,54%.

O cenário é positivo também para as próximas safras, tanto a verão 2020/21 quanto a segunda safra em 2021. A Datagro estima um aumento na área cultivada de 2% para o plantio de verão e 3% para a safrinha, mas este segundo índice pode ser ainda maior de acordo com o clima e as condições de semeadura da soja na primeira safra.

França destaca ainda que, cerca de 25% da produção estimada em 2021 já foi negociada e acredita que ainda há espaço para novos negócios, já que a tendência é que o dólar caia no ano que vem e estes patamares se retraiam um pouco.

“Este é um número extremamente acelerado, não se tem nenhum caso parecido e o produtor não vai deixar de plantar milho já tendo tanto vendido. A safra 2021 tem potencial de produzir 112 milhões de toneladas contra as 103,5 milhões de 2020”, afirma o analista.

Mesmo com o aumento de produção, o mercado ainda deve ser positivo para o produtor de milho brasileiro, uma vez que a demanda seguirá aquecida nos setores de proteínas animais, etanol de milho e nas exportações, que deve absorver entre 30 e 35 milhões de toneladas.

Mercado Externo

Os preços internacionais do milho futuro dispararam na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta quinta-feira. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 10,50 e 11,50 pontos ao final do dia.

O vencimento setembro/20 foi cotado à US$ 3,25 com ganho de 10,75 pontos, o dezembro/20 valeu US$ 3,38 com valorização de 11,50 pontos, o março/21 foi negociado por US$ 3,49 com alta de 11,00 pontos e o maio/21 teve valor de US$ 3,57 com elevação de 10,50 pontos.

Esses índices representaram ganhos, com relação ao fechamento da última quarta-feira, de 3,50% para o setembro/20, de 3,36% para o dezembro/20, de 3,25% para o março/21 e de 3,18% para o para o maio/21.

Segundo informações da Agência Reuters, os preços do milho em Chicago subiram para uma alta de quatro semanas na quinta-feira, com as previsões de clima mais quente e as preocupações com os recentes danos causados ​​pelas tempestades no meio-oeste dos EUA, contrariando a pressão das enormes previsões governamentais de colheita.

“Traders disseram que uma queda recente no milho, que levou a União Europeia a reintroduzir uma tarifa de importação de milho nesta semana, também ajudou a alimentar a alta dos preços de quinta-feira para o abastecimento dos EUA”, relata P.J. Huffstutter da Reuters Chicago.

Em previsões mensais amplamente seguidas, o USDA disse na quarta-feira que os agricultores dos EUA colheriam uma safra recorde de milho, impulsionada pelo clima favorável. Porém, o mercado também estava avaliando o impacto da tempestade Derecho de segunda-feira, que veio após o ponto de corte de 1º de agosto para as condições da safra para o relatório do USDA.

“A tempestade afetou potencialmente 10 milhões de acres de terras agrícolas em Iowa, o principal estado produtor de milho dos EUA, de acordo com as autoridades estaduais. Não se sabe quanto da colheita foi destruída”, relata Huffstutter.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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