Milho cai acompanhando o dólar e de olho na concorrência do trigo para rações

Publicado em 01/09/2020 16:37 e atualizado em 02/09/2020 09:22 1675 exibições
Chicago sobe nesta 3ªfeira ainda esperando uma safra menor

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A terça-feira (01) chega ao final com os preços do milho mais baixos no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foram percebidas valorizações em nenhuma das praças.

Já as desvalorizações apareceram em Brasília/DF (1,03% e preço de R$ 48,00), Itapetininga/SP (1,67% e preço de R$ 59,00), Castro/PR (1,82% e preço de R$ 54,00), Pato Branco/PR (1,92% e preço de R$ 51,20), Ubiratã/PR e Marechal Cândido Rondon/PR (1,96% e preço de R$ 50,00), Eldorado/MS (2,05% e preço de R$ 47,80), Londrina/PR (2,91% e preço de R$ 50,00), Amambaí/MS (3,04% e preço de R$ 51,00), Campinas/SP (3,13% e preço de R$ 62,00) e Porto Santos/SP (3,17% e preço de R$ 61,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta terça-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, as cotações do milho no mercado paulistas estão sustentadas em função da retenção dos produtores neste momento. “A cautela de ambos os lados, seja do comprador ou do vendedor persiste, o que reduz o fluxo de negócios”.

Para a SAFRAS & Mercado, o mercado brasileiro de milho deve manter preços firmes, com a estratégia do produtor em segurar as vendas do cereal. “As ofertas seguem limitadas, pontuais e regionais, com os preços reagindo a essa curta disponibilidade de milho. O dólar em elevação segue dando suporte aos preços nos portos e no mercado interno”, diz analista de SAFRAS & Mercado, Paulo Molinari.

B3

Os preços futuros do milho operaram durante todo o dia em baixa na Bolsa Brasileira (B3). As principais cotações registravam movimentações negativas entre 1,88% e 2,40% por volta das 16h21 (horário de Brasília).

O vencimento setembro/20 era cotado à R$ 59,45 com baixa de 1,96%, o novembro/20 valia R$ 58,90 com desvalorização de 2,40%, o janeiro/21 era negociado por R$ 59,08 com perda de 2,02% e o março/21 tinha valor de R$ 57,40 com queda de 1,88%.

Influenciando as cotações, o dólar também perdeu força ante ao real nesta terça-feira. Por volta das 16h36 (horário de Brasília), a moeda norte-americana caia 1,84% e era cotada à R$ 5,39.  

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o dólar sinalizando para baixo impacta no custo do milho importado e dificulta a exportação, o que pode impedir que volumes saiam do país e acabem sobrando para o mercado interno nacional.

“Nas próximas semanas vamos ter o trigo que sofreu com as geadas chegando para a indústria de ração e vai ser um importante concorrente. Para aquele produtor que tem milho, talvez seja um bom momento que está passando agora, o produtor não pode ficar especulando para sempre. O mercado está forte, a cotação está alta e a indústria da ração já começa a indicar que está começando a estrangular a margem para o frango e suíno”, destaca Brandalizze.

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços divulgou, por meio da Secretaria de Comércio Exterior, seu relatório semanal que aponta as exportações acumuladas de diversos produtos agrícolas até a terceira semana de agosto.

Nestes 21 dias úteis do mês, o Brasil exportou 6.485.114,6 toneladas de milho não moído, crescendo 33% do que foi registrado até a terceira semana do mês e ficando 56% acima do total embarcado em todo o mês de julho de 2020.

Com isso, a média diária de embarques ficou em 308.815 toneladas, patamar 71% maior do que a média do mês passado. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a média de exportações diárias ficou 7,21% menor do que as 332.793,78 do mês de agosto de 2019.

Em termos financeiros, o Brasil exportou um total de US$ 1,049 bilhão no período, contra US$ 1,246 bilhão de agosto do ano passado. Na média diária, o mês contabilizou decréscimo de 11,78% ficando com US$ 49.968,2 contra US$ 56.641,1 do ano passado.

Já o preço por tonelada obtido registrou queda de 4,93% no período, saindo dos US$ 170,2 do ano passado para US$ 161,8 neste mês de agosto.

Mercado Externo

Já os preços internacionais do milho futuro tiveram uma terça-feira bastante volátil com os contratos ganhando e perdendo força ao longo do dia. As principais cotações registravam movimentações positivas entre 0,25 e 1,00 ponto no final do dia.

O vencimento setembro/20 foi cotado à US$ 3,49 com valorização de 1,00 ponto, o dezembro/20 valeu US$ 3,58 com alta de 0,25 pontos, o março/21 foi negociado por US$ 3,67 com elevação de 0,25 pontos e o maio/21 teve valor de US$ 3,74 com ganho de 0,50 pontos.

Esses índices representaram ganhos, com relação ao fechamento da última segunda-feira, de 0,29% para o setembro/20 e de 0,28% para o dezembro/20, além de estabilidade para o março/21 e para o maio/21.

Segundo informações da Agência Reuters, os futuros de milho nos Estados Unidos consolidaram-se na terça-feira após as recentes altas, à medida que as dúvidas persistiam sobre o tamanho das próximas safras.

“A secura no cinturão de grãos do meio-oeste dos EUA, junto com o impacto de uma tempestade de vento em meados de agosto em Iowa, levaram os comerciantes e analistas a reduzir as projeções anteriores para grandes colheitas de milho no outono”, aponta Tom Polansek da Reuters Chicago.

De acordo com Jim Gerlach, presidente da A/C Trading com sede em Indiana, a incerteza sobre o tamanho das safras deve continuar a sustentar os preços. “Até que você defina qual é o tamanho da colheita, você terá dificuldade em levá-la longe demais”, disse ele.

Enquanto isso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), pelo segundo dia consecutivo, disse que exportadores privados venderam 596.000 toneladas de milho dos EUA para a China para entrega na campanha de comercialização de 2020/21 que começou na terça-feira.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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