Preço do milho encerra a semana em alta com oferta limitada e dólar elevado

Publicado em 02/10/2020 16:47 e atualizado em 05/10/2020 09:24 1015 exibições
Chicago cai nesta 6ªfeira, mas acumula ganhos na semana

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A sexta-feira (02) chega ao final com os preços do milho valorizados no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, a única desvalorização foi percebida na praça de Brasília/DF (1,82% e preço de R$ 56,00).

Já as altas apareceram em Não-Me-Toque/RS, Pato Branco/PR (0,88% e preço de R$ 57,20), Ubiratã/PR, Londrina/PR, Marechal Cândido Rondon/PR, Eldorado/MS, Rio do Sul/SC, São Gabriel do Oeste/MS, Rio Verde/GO (2,73% e preço de R$ 56,50), Amambaí/MS, Jataí/GO, Maracaju/MS e Campo Grande/MS (5,77% e preço de R$ 55,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, o estresse do dólar dos últimos 10 dias tem sido o principal fundamento de alta para as cotações no mercado físico. “No final desta semana não está diferente. A atratividade em negociar nos portos reduz o fluxo de ofertas no interior do estado”.

A análise da SAFRAS & Mercado aponta que o mercado brasileiro de milho teve mais uma semana de preços firmes e fechou setembro com valorização predominante entre as principais regiões de comercialização.

“A oferta limitada, restrita, garantiu suporte para as cotações. O dólar elevado e a Bolsa de Chicago atingindo para o milho os valores mais elevados em quase sete meses foram fatores de alta para o cereal no Brasil”, diz a consultoria.

A SAFRAS ressalta que houve momentos ao longo do mês em que a oferta melhorou, refletindo enfim a entrada maior do milho safrinha na comercialização, e os preços caíram. “Porém, depois a oferta novamente encurtou, com o dólar dando suporte aos preços nos portos e com a Bolsa de Chicago fortalecendo mais ainda o sentimento positivo para o milho”.

B3

Os preços futuros do milho operaram a maior parte do dia em alta na Bolsa Brasileira (B3). As principais cotações registravam movimentações positivas entre 0,18% e 0,44% por volta das 16h47 (horário de Brasília).

O vencimento novembro/20 era cotado à R$ 66,87 com valorização de 0,44%, o janeiro/21 valia R$ 67,00 com ganho de 0,18%, o março/21 era negociado por R$ 67,10 com elevação de 0,37% e o maio/21 tinha valor de R$ 63,80 com alta de 0,42%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o que está balizando o mercado neste momento são as exportações.

“O nível de porto está de R$ 64,00 a R$ 67,00 o que fica dentro dos limiares que está a B3. Internamente estamos no começo do mês com o setor de rações esperando para ver como vão ser as vendas de proteínas e atuando da mão para a boca porque não sabe se terá giro nos próximos dias”, diz.

Brandalizze também destaca que o mercado está na calmaria, já que o plantio da safra verão avançou nesta semana, com estados que estavam entre 15% e 20% plantados indo para 50% e devendo seguir forte nos próximos dias. “Isso dá uma calmaria do lado dos compradores”.

Por fim, o analista aponta que os indicativos para o milho seguem fortes, sem muito espaço para baixas, porque tem pouco milho ainda disponível no mercado.

Mercado Externo

Os preços internacionais do milho futuro operaram durante toda a sexta-feira com muita volatilidade e encerraram o dia caindo na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram movimentações negativas entre 2,50 e 3,00 pontos ao final do dia.

O vencimento dezembro/20 foi cotado à US$ 3,79 com desvalorização de 3,00 pontos, o março/21 valeu US$ 3,89 com perda de 2,75 pontos, o maio/21 foi negociado por US$ 3,94 com baixa de 2,50 pontos e o julho/21 teve valor de US$ 3,98 com queda de 2,50 pontos.

Esses índices representaram desvalorizações, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 0,79% para o dezembro/20, de 0,77% para o março/21, de 0,76% para o maio/21 e de 0,75% para o julho/21.

Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam valorizações de 3,84% para o dezembro/20, de 4,29% para o março/21, de 4,23% para o maio/21 e de 4,19% para o julho/21 na comparação com a última sexta-feira (25).

Segundo informações do site internacional Farm Futures, os preços do milho dobraram sob a pressão da safra e a fraqueza do spillover de uma ampla gama de commodities externas na sexta-feira.

A publicação destaca também que os traders estão começando a especular se o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) irá rebaixar suas estimativas de rendimento atuais de 178,5 bushels por acre (186,7 sacas por hectare) quando divulgar sua próxima previsão de oferta e demanda agrícola mundial (WASDE) daqui a uma semana.

A IHS Markit Agribusiness reduziu sua previsão para os rendimentos de milho dos Estados Unidos de 178,1 bushels por acre (186,3 sacas por hectare) no mês passado para 177,8 bpa (185,9 sc/ha). Isso deixaria a produção total estimada em 14,812 bilhões de bushels (376,224 milhões de toneladas), de acordo com a empresa de análise.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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