Com ajustes do governo, agronegócio sofre corte de R$ 1,1 bilhão

Publicado em 15/09/2015 07:31

O agronegócio não escapou dos cortes promovidos pelo governo federal. O pacote de medidas anunciado em Brasília pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e Planejamento, Nelson Barbosa, no início da noite desta segunda-feira (14/9), inclui redução de subsídios destinados a programas de garantias de preços agrícolas, que devem gerar um impacto de R$ 1,1 bilhão. Ao todo, o governo pretende deixar de gastar R$ 26 bilhões do Orçamento previsto para 2016. O plano para reequilibrar as contas inclui ainda o retorno da CPFM, de 0,20%, além da suspensão de concursos públicos, redução de programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida, entre outros.

A redução de subsídios para o agronegócio tende afetar principalmente produtores de alimentos que dependem mais do mercado interno que das exportações, avalia o economista Flávio França Junior. Produtos como arroz, feijão, trigo e milho estão entre os que mais demandam recursos públicos para sustentação dos preços. “Neste momento, o câmbio está empurrando as cotações para cima. Mas os mercados de alguns grãos são muito voláteis. Essa notícia é extremamente ruim no aspecto psicológico do setor, que agora não poderá contar com ajudar governamental em caso de problemas no mercado”, afirma.

Normalmente, quando os preços de grãos, frutas e outros produtos  caem significativamente, o governo intercede, geralmente em leilões, para melhorar a liquidez no mercado e garantir preços suficientes para ao menos cobrir os custos dos produtores.

Para Júnior, o agronegócio também será impactado pelo rebaixamento da nota de crédito para investimentos, promovido pela agência internacional Standard & Poor´s na última semana. “Parte do dinheiro de capital especulativo vai sair e consequentemente teremos alta do dólar, o que traz inflação, aumento de custos. Além disso, encarece os empréstimos com juros altos. Isso que o setor já está apanhando com escassez e encarecimento do crédito. Essa nova situação vai tornar o cenário ainda pior”, diz.

Leia a notícia na íntegra no site Revista Globo Rural.

Ministério do Desenvolvimento Agrário deve ser mantido, diz Patrus Ananias

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, disse hoje (14/9) que a presidente Dilma Rousseffsinalizou que a pasta deve ser mantida. O governo anunciou, no fim de agosto, a redução do número de ministérios,

“Há cerca de um mês, quando os movimentos sociais levaram à presidenta sua solidariedade e defenderam o estado democrático de direito no Brasil, ela disse claramente que não haveria nenhuma alteração com relação ao Ministério do Desenvolvimento Agrário”, afirmou Patrus Ananias. Ele disse que não vê compatibilidade entre as pastas da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário para que sejam unificadas.

O ministro ressaltou que a destinação de investimentos para a agricultura familiar em tempos de recessão e o lançamento do  Plano Safra de Agricultura Familiar 2015/2016  são outros sinais da importância da pasta do Desenvolvimento Agrário para o país. “Defendo o nosso ministério, pois o Brasil tem uma dívida histórica que precisamos resgatar, que é efetuarmos efetivamente a reforma agrária. O fato de não termos realizado ainda a reforma agrária nos impede inclusive de realizar outras reformar estruturantes, como a urbana e a tributária.”

Patrus Ananias disse esperar que a presidente anuncie, até o fim deste mês, o novo plano de reforma agrária, que propõe assentar, até o final de 2018, 120 mil famílias que vivem acampadas no país. Ele ressaltou que, embora sua expectativa seja essa, sabe do momento político que o país está vivendo, de outras demandas ao governo. "Mas vamos insistir”, afirmou.

Ele informou que viaja agora ao Espírito Santo, onde visitará assentamentos e acampamentos, espaços da agricultura familiar, e volta a Brasília quarta-feira (14/9) para novamente reivindicar uma audiência com a presidente e avançar com essa proposta. De acordo com Patrus, a meta é assentar pelo menos 40 mil famílias ainda neste ano.

Segundo o ministro, já foram previstas alternativas para driblar possíveis cortes no Orçamento devido à crise econômica. “Temos que trabalhar com criatividade. Por exemplo, para assentar as famílias acampadas, propomos alternativas de recursos, como o Imposto Territorial Rural, que é federal e pode ser cobrado pelos municípios”, disse ele. “A maior parte dos municípios não tem feito essa cobrança. Então, estamos trabalhando junto com a Receita Federal para trazer de volta esses tributos para o governo federal e usá-los para promover a reforma agrária e o reassentamento das famílias acampadas.”

Fonte:
Globo Rural + Agência Brasil

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