PIB MIXURUCA – Mercado antevê crescimento de apenas 0,2% neste ano e de 0,8% em 2015

Publicado em 10/11/2014 14:03 e atualizado em 12/11/2014 06:43 334 exibições
em Veja.com

PIB MIXURUCA – Mercado antevê crescimento de apenas 0,2% neste ano e de 0,8% em 2015

Na VEJA.com:
Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) para o relatório Focus desta semana reduziram as estimativas de crescimento econômico deste ano e de 2015. Para 2014, a média das projeções passou de 0,24% para 0,2%, enquanto que para ano que vem, a expectativa agora é de expansão de apenas 0,8% – ante 1% esperada na semana passada. Nesta semana, os analistas mudaram a estimativa para a taxa básica de juros ao fim do ano, de 11% para 11,5%, depois de o Banco Central elevar os juros para 11,25% ao ano na última reunião. Para 2015, a expectativa se mantém em 12%.

Com isso, a inflação esperada para este ano caiu, já que o aumento da Selic é uma das ferramentas para conter o avanço dos preços ao consumidor. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está agora em 6,39% para este ano – ante 6,45% na semana anterior. Mesmo assim, ela continua muito próxima do limite da meta, de 6,5%. Contudo, para 2015 o mercado aumentou a perspectiva com relação aos preços, com inflação esperada de 6,4%, acima dos 6,32% apontados no Focus anterior.

A projeção do mercado para o dólar também subiu, passando de 2,45 reais para 2,50 reais no fim deste ano e de 2,55 reais para 2,60 reais em 2015.

Por Reinaldo Azevedo

O dilema da catraca: não há populismo que dure para sempre

Todos se lembram do estopim para as manifestações de junho de 2013: o aumento fora de hora da tarifa de ônibus. É verdade que os manifestantes gritavam que não eram só os vinte centavos, mas o aumento do transporte público foi o símbolo da revolta contra a má qualidade dos serviços prestados pelo estado ou por meio de concessões controladas por ele. A solução encontrada foi ganhar tempo, empurrar o problema com a barriga.

Mas a defasagem das tarifas já está acima de 15%, como mostra reportagem do Valor. É inevitável um aumento, e o risco de quebra de contratos é alto, o que prejudicaria os investimentos tão necessários ao país.

“Governos estaduais e municipais se veem agora diante do seguinte dilema: ou aumentam o valor da passagem, contrariando a voz das ruas, ou colocam mais dinheiro em subsídios, fragilizando as contas públicas”, resume o jornal. E continua:

A alternativa – ignorar o assunto – implica o risco de encarar uma espiral de ações judiciais movidas pelo setor. “É preciso que haja respeito aos contratos”, diz o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha. Segundo ele, se não houver resposta à defasagem na remuneração garantida em contrato pela prestação dos serviços, a tendência é uma onda de cobranças no âmbito administrativo e na Justiça.

Governos populistas conseguem fingir que a realidade não existe, mas apenas por algum tempo. É impossível manter o populismo indefinidamente, ao menos sem impor um custo insuportável a todos. O barato sai caro. Ao fingir que bastava decretar o congelamento de tarifas, os governos estaduais e municipais plantaram as sementes de uma bomba relógio que deve estourar agora.

Nesse caso, a culpa não é do governo federal. Mas ele tem dado o caminho das pedras, ao ser o primeiro a praticar represamento de preços, modicidade tarifária e outras medidas populistas. Essa prática já causou um rombo de dezenas de bilhões no setor elétrico e na Petrobras. Agora é a vez dos transportes. Um dia a conta do populismo chega. É inexorável…

Rodrigo Constantino

 

Por que a indústria definha e o rentismo continua vivo?

Uma reportagem do GLOBO mostra que, segundo a Fiesp, a indústria deverá cair para apenas 12,6% do Produto Interno Bruno (PIB). Grandes empresas como a Gerdau têm revisado para baixo seus planos de investimentos. No caso da gigante siderúrgica, os projetos já foram reduzidos em quase 30%.

Enquanto isso, o Brasil passou de exportador para importador de alumínio, e fabricantes tradicionais fecham as portas, gerando greves e revolta. Além das metalúrgicas, as montadores paralisam a produção e concedem férias coletivas. A indústria brasileira está em crise:

A Fiesp lembra que em 1947, quando o Brasil possuía uma economia baseada na agricultura, a então embrionária indústria doméstica já contribuía com 11,3% do PIB. E acrescenta: “A participação da indústria no PIB encolheu 30,8% (entre 2004 e 2012). Se o atual cenário não se alterar, em 2029 a indústria de transformação vai representar apenas 9,3% do PIB.”

Nas lojas, um produto nacional custa, em média, 34% mais caro que o similar importado de qualquer dos 15 países que mais exportam para o Brasil.

Nas empresas, acionistas adiam planos para maximizar os ganhos em aplicações financeiras. Quem investiu R$ 1 bilhão numa indústria em 2008 obteve cerca de R$ 460 milhões de retorno em cinco anos. Quem adiou investimentos e aplicou o dinheiro em títulos de renda fixa, por exemplo, obteve retorno de R$ 620 milhões no período.

Ou seja, enquanto a indústria definha, o rentismo continua vivo. Por quê? Será que ainda vamos culpar banqueiros, mesmo depois do que fez o governo Dilma ao reduzir na marra as taxas de juros, sob os aplausos de industriais como Benjamin Steinbruch? Até quando vamos atacar sintomas e ignorar as causas do problema?

A Fiesp tem sua parcela de culpa. Sempre preferiu, por ser mais fácil, focar nos sintomas e demandar queda artificial dos juros, medidas protecionistas, subsídios do BNDES e outras formas de driblar a livre concorrência. Eis o resultado: alguns “amigos do rei” se deram bem, mas o ambiente de negócios é cada vez mais hostil e competir no mundo globalizado cada vez mais difícil.

O rentismo sobrevive porque o governo é muito gastador e endividado. Para se financiar no mercado, precisa pagar juros altos. Sem atacar essa raíz do problema, jamais o rentismo será derrotado e os investimentos produtivos, inclusive na indústria, ficarão mais atraentes em termos relativos.

Além disso, a indústria sofre com o Custo Brasil: infraestrutura capenga, mão de obra pouco qualificada, leis trabalhistas anacrônicas e com viés marxista em que patrão é visto como explorador, carga tributária absurda e complexa, rombo previdenciário crescente que drena recursos da poupança doméstica, etc.

Como competir assim? Não dá. Qual a saída? A paliativa de curto prazo, para quem pode, é pleitear privilégios estatais para compensar tais obstáculos. Não resolve nada e só piora as coisas a longo prazo. A verdadeira solução é atacar o modelo de estado inchado e gastador, pressionar pelas reformas estruturais, tornar o ambiente mais amigável à iniciativa privada, que cria riqueza.

O cerne da questão está no estado perdulário e populista. Sem mexer nisso, não vamos jamais recuperar a indústria. Infelizmente, seguimos à contramão do que necessitamos, com um BNDES hiperativo selecionando os “campeões nacionais”, com sindicatos impedindo qualquer reforma trabalhista decente e demandando mais benefícios irreais, com um governo que só aumenta gasto público e reduz a capacidade de investimento, com uma mão de obra com péssima qualificação e o país caindo nos rankings internacionais de educação.

E Dilma acha que o Pronatec vai fazer milagre? Resta recomendar a uma economista de 50 anos um cursinho do Senai mesmo, pois falta visão abrangente da coisa. Enquanto os pilares desse modelo estatizante não mudarem, a indústria seguirá seu curso rumo à asfixia, e os rentistas terão remuneração considerável só ao emprestar para o governo, sanguessuga dos nossos recursos.

Rodrigo Constantino

 

A presidente deveria interditar a economista, mas é pouco provável que aconteça

Quem manda aqui sou eu!

Em artigo publicado no GLOBO, o economista Kenneth Rogoff comenta sobre o status de celebridade dos banqueiros centrais da atualidade. Levanta algumas hipóteses para explicar o fenômeno, como o enfoque da mídia para atender aos interesses de seus anunciantes e o uso como bodes expiatórios que os políticos fazem desses tecnocratas. Diz ele:

A maioria dos dirigentes de BCs põe o foco em crescimento, inflação e estabilidade financeira, não necessariamente nessa ordem. A bolha política é um produto inevitável da independência do banco central, e evitar que a política monetária se torne um alvo dos funcionários eleitos requer esforço constante. A bolha da previsibilidade é, talvez, a mais complicada para navegar, embora meu instinto diga que menos é mais. Importância exagerada é um tipo de bolha que os presidentes de BCs deveriam estar sempre dispostos a estourar.

A crença de que os gestores da política econômica são oniscientes é realmente tola e perigosa, mas sem dúvida é mil vezes melhor ter bons tecnocratas com independência em vez de os próprios políticos comandando as decisões econômicas. O risco de abuso populista neste caso é total. Por isso mesmo os países desenvolvidos possuem bancos centrais independentes e costumam indicar ministros da Fazenda com força e autonomia também. Mesmo que tais “celebridades” ofusquem um pouco o próprio presidente.

Não foi o que fez a presidente Dilma em seu primeiro mandato. Preferiu ela mesma ser a ministra de fato e colocar um presidente no BC sem força, subserviente aos anseios do Planalto. O resultado está aí: estagflação e perda de credibilidade. Guido Mantega é um futuro ex-ministro contando os dias para sair, sem que Dilma tenha nomeado seu sucessor. E Alexandre Tombini demonstrou completa falta de autonomia ao subir os juros logo depois das eleições, sem critério técnico para tanto (o cenário justificava uma alta antes).

Paulo Guedes, em sua coluna de hoje, fala do dilema de Dilma, justamente essa necessidade que a presidente tem de interditar a economista. Dilma escolheu paus-mandados e preferiu ser a própria gestora da economia. Tornou-se, assim, indissociável do equivocado rumo tomado pela economia. “O segredo de gestões bem-sucedidas no governo e nas empresas é a escolha de gente preparada para a formulação e execução das melhores estratégias”, escreve Guedes.

Ou seja, os líderes bons se cercam dos melhores e delegam poder a eles, enquanto os medíocres ficam cercados de servos obedientes. Para Guedes, Dilma deveria ouvir Lula para não repetir Cristina Kirchner. Deveria aceitar um nome forte e independente para tocar a área econômica. Mas, para tanto, teria de deixar de ser a arrogante economista que acha que sabe das coisas, e assumir o papel de líder política. Pouco provável.

Fabio Giambiagi, em coluna no mesmo jornal, também defende a tese de que agora é a hora da política, de o governo mostrar capacidade de liderança, apresentar reformas necessárias e explicar aos parlamentares e à opinião pública as suas razões. Diz ele:

Não precisamos de indivíduos que sejam candidatos para defender diante da população o que as pesquisas de opinião indicam que ela quer. Para isso, bastam as empresas que pesquisam a opinião do eleitorado. O que o Brasil requer é um debate que se trave no Congresso em torno de agendas, em que cada grupo político exponha suas idéias e o cidadão acompanhe e opine, como ocorre em qualquer democracia.

Goethe dizia que “as frases que os homens estão acostumados a repetir incessantemente acabam se tornando convicções e ossificando os órgãos da inteligência”. Está na hora de perceber que, por trás da retórica vazia das grandes platitudes, há apenas isso: grandes platitudes. Estamos completando o ciclo de crescimento iniciado em 2004 e precisamos de propostas firmes, que possam ser defendidas, com convicção e empenho, diante do Congresso Nacional. No Parlamento brasileiro, quando o Governo articula e convence, ele vence. E — nunca é demais lembrar — o papel da liderança política é liderar. Fechadas as urnas, é isso o que o país espera.

É isso que esperam todos aqueles mais esclarecidos. Mas será que é aquilo que esse governo fará? Pouco provável. Para tanto, Dilma deveria se mostrar uma líder responsável, com humildade para assumir seus vários erros, com capacidade de delegar para terceiros o poder econômico, com disposição para enfrentar os grupos de interesse no desafio de aprovar reformas necessárias. Alguém acha mesmo que Dilma fará isso? Ela teria que deixar de ser… Dilma!

Aplaudo o esforço desses economistas de trazer o bom senso para o debate, mas invejo um pouco o otimismo. Otimistas vivem com mais esperança e, portanto, melhor. Até o dia da decepção, claro. Confesso não ver a menor possibilidade de Dilma seguir nesse caminho. A presidente jamais terá coragem de interditar a economista desenvolvimentista que habita seu corpo e mente. É de sua natureza tal ranço ideológico. Acho melhor os economistas e os empresários se prepararem para o plano B mesmo…

Rodrigo Constantino

 

Criador dos Brics agora reconhece que seu otimismo com Brasil foi um erro

Jim O’Neill, do Goldman Sachs, criador da sigla Brics

O economista britânico Jim O’Neill, do Goldman Sachs, foi o criador da sigla Brics, que uniu no mesmo bloco Brasil, Rússia, China e Índia. Alguns suspeitaram, à época, que a inclusão do Brasil era só para tornar a sigla mais interessante, fazendo uma analogia com “tijolos” em inglês. Mas o fato é que o mundo viveu um período de euforia com o Brasil e o analista do banco de investimentos americano virou uma espécie de guru.

Nunca me convenceu. Seu otimismo para com o Brasil sempre me pareceu um tanto infundado. Cheguei a ler seu livro e vi ali uma ingenuidade impressionante, uma crença de que o governo petista faria as coisas certas para deslanchar os investimentos. O’Neill ignorava a essência do PT, a arrogância ideológica de Dilma, e a verdade de que nossa prosperidade era ilusória e insustentável, calcada apenas nas commodities e no crédito sem lastro.

Antes tarde do que nunca. Em entrevista à Folha, O’Neill reconhece que errou, atitude nobre, e aponta justamente para a falha: o governo Dilma se mostrou intervencionista demais, dirigista demais, usando o estado como alavanca do progresso e fomentando o consumo com base no crédito. Diz ele:

Um problema real é que o governo brasileiro se tornou muito chinês, ao tentar direcionar demais a economia. O famoso efeito crowding-out (queda do investimento privado diante de uma política fiscal expansionista do Estado) ocorre no Brasil. Uma consequência disso se vê na situação fiscal do país. Se o governo continuar tentando controlar tudo, gastar mais e mais, e não usar o dinheiro de forma eficiente, o déficit nas contas [como o registrado em setembro, o primeiro em nove anos] será o novo normal para o Brasil.

[...]

O papel do BNDES na concessão de empréstimos é algo muito chinês, e é também um grande problema. Junte-se a isso o fato de que ela não fez nada para tornar o Brasil mais competitivo globalmente, fora do negócio de commodities. O que o Brasil tem para oferecer ao mundo, além de matéria-primas? Qual seu diferencial? Não há apoio a um ambiente de tomada de risco, à inovação de alto impacto. Só commodities não é suficiente.

Ou seja, copiamos o que há de pior no modelo chinês, seu calcanhar de Aquiles, o setor financeiro totalmente concentrado no estado, com decisões políticas em vez de econômicas. É preciso, afirma, dar mais espaço à iniciativa privada, permitir o funcionamento mais dinâmico dos mercados, estimulando novos negócios. O Banco Central deveria ter mais independência também.

Ele não está confiante de que tais mudanças ocorrerão. Quem já foi mordido por cobra tem medo até de linguiça. Mas muitos investidores estão apostando em uma guinada pragmática de Dilma no segundo mandato. Doce ilusão. É colocar o desejo acima da razão, o sonho acima da experiência, e ignorar novamente o fator ideológico da presidente.

Quem insistir no otimismo infundado irá quebrar a cara uma vez mais. Os mesmos fatores que justificavam meu “pessimismo” (realismo) lá atrás, no auge da euforia com o Brasil, continuam válidos. No fundo, pioraram. Agora teremos uma situação externa bem mais difícil, e Dilma não resistirá à tentação de insistir nos mesmos equívocos, quiçá dobrar a aposta. Quem viver, verá…

Rodrigo Constantino

 

O pesadelo das contas públicas no vermelho: de novo não!

“Poucas coisas são mais perigosas do que deixar algumas pessoas tomarem decisões cujos custos serão pagos por outras pessoas”, disse Thomas Sowell. É exatamente o que já está acontecendo no Brasil hoje. Manter as contas públicas equilibradas é um desafio constante, pois a tendência é dos governantes gastarem mais do que podem, uma vez que não são eles que pagarão o preço. Quando o governo Fernando Henrique Cardoso conseguiu aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal, apesar da oposição do PT, isso foi um marco do avanço institucional de nosso país., escreveu Thomas Sowell. Quando temos populistas e demagogos tomando tais decisões, pior ainda: temos a garantia de um abuso irresponsável que custará cada vez mais aos que são obrigados a pagar pela fatura.

Qualquer administrador de um lar compreende a importância de não se gastar mais do que ganha, pois isso, inexoravelmente, trará problemas para as finanças familiares, gerando inúmeros riscos de inadimplência e dependência de agiotas ou do cheque especial, que dá praticamente no mesmo. Vale a mesma lógica para o governo.

O estado, afinal, é apenas um instrumento para a administração das coisas públicas, custeado por cada um de nós. O grande perigo é quando ele é encarado como uma abstração pela qual todos querem viver à custa de todos, como alertava Bastiat. Os populistas abusam dessa percepção equivocada dos leigos para transferir custos a ombros alheios, enquanto gastam de forma irresponsável para permanecer no poder.

Foi o que fez o governo Dilma. As contas públicas entraram no vermelho, e ainda há muitos no PT que condenam qualquer tipo de ajuste fiscal. Economistas liderados por Maria de Conceição Tavares, aquela que sempre esteve do lado errado da História, chegaram a assinar documento contra a austeridade fiscal, vista como coisa “neoliberal”. Ou seja, a esquerda gosta mesmo da irresponsabilidade que pune os trabalhadores pagadores de impostos!

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira publicou um artigo no GLOBO hoje sobre o assunto, afirmando que não aguentamos mais pagar pela irresponsabilidade dos governantes perdulários. Diz ele:

Já faz tempo que as contas públicas brasileiras me provocam pesadelos. Agora, o assunto tornou-se motivo de insônia. Em setembro, tivemos o quinto mês consecutivo, e o pior resultado mensal dos últimos vinte anos. No ano, o setor público acumula déficit de R$ 15 bilhões, quando se comprometeu a economizar mais de R$ 90.

[...]

De fato, a aventura fiscal passou do ponto. E o risco é novamente a sociedade brasileira ter que pagar a conta. Afinal, é isso que a história econômica brasileira nos mostra. Até a década de 1990, a inflação fechava as contas públicas de duas maneiras: diminuindo o valor real das despesas e gerando o imposto inflacionário necessário para cobrir a diferença remanescente entre o gasto efetivo e a arrecadação de impostos.

[...]

De novo não! Já trabalhamos mais de cinco meses por ano para pagar tributos, e definitivamente não queremos voltar a ver nosso dinheiro derreter ao longo do mês por conta da inflação. Não dá mais para o país inteiro sempre pagar a conta da irresponsabilidade fiscal de diferentes governos.

É preciso interromper este padrão de comportamento da política fiscal com um ajuste verdadeiro dos gastos públicos. Isso liberaria recursos para o setor produtivo, permitindo ao país retomar uma trajetória de crescimento saudável e sustentável. Tenho certeza de que os meus colegas empresários — e toda a sociedade brasileira — estão comigo nessa briga.

Sim, todos aqueles que têm um pingo de juízo, que entendem minimamente o funcionamento do governo e como ele se financia, que sabem como custa caro ao país como um todo bancar a orgia fiscal dos governantes populistas, e que não suportam mais labutar até maio só para arrecadar os tributos e impostos estão com você nessa briga.

Do outro lado, estão os inconsequentes, os demagogos, os analfabetos econômicos e todos osconsumidores de impostos, pagos por nós. Os eleitores do PT, enfim.

Rodrigo Constantino

 

“Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História”, diz Aécio Neves

Aécio Neves. Fonte: GLOBO

Em entrevista ao GLOBO, Aécio Neves diz que a candidata Dilma estaria envergonhada da presidente Dilma, que o PT deseduca a população com suas campanhas mentirosas e populistas, que está assustado com uma oposição revigorada e conectada com a sociedade, e que não adianta tentarem o jogar para a direita, pois ele é um político de centro, como seu avô Tancredo. Vale a pena ler na íntegra. Seguem alguns trechos:

A candidata Dilma estaria muito envergonhada da presidente Dilma. Para a candidata, aumentar juros era tirar comida da mesa dos pobres. Três dias depois da eleição, o BC aumentou os juros. Para a candidata, não havia inflação. A presidente agora admite que há e que é preciso controlá-la. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem, e descobrimos que tivemos um setembro com o pior resultado da história. A candidata dizia que cumpriria o superávit fiscal, e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História. O choque de gestão, que incomoda tanto o PT, nada mais é do que gastar menos com o Estado e mais com as políticas fins. É o contrário do que o PT pratica. O próximo mandato, que se inicia, já começa envelhecido. 

[...]

A oposição sai extremamente revigorada da eleição. A campanha teve duas marcas muito fortes. A primeira, protagonizada pelo PT e pela candidata que venceu: a utilização sem limites da máquina pública, do terrorismo eleitoral, aterrorizando beneficiários do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida. Inúmeras regiões ouviram durante meses, isso sim uma grande lorota, que, se o 45 ganhasse, seriam desfiliados dos programas. Infelizmente, essa é uma marca perversa. Mas há uma outra, extraordinária, que é um combustível para construir essa nova oposição. O Brasil acordou, foi às ruas. Minha candidatura passou a ser um movimento. Nosso  desafio é manter vivo esse sentimento de mudança, por ética.

[...]

Chega a ser risível ouvir o PT falar que é hora de descer do palanque. O PT, sempre que perdeu, nunca desceu. E quando venceu também não desceu. E quem paga a conta são os brasileiros. 

[...]

O marketing petista deseduca a população porque não permite o debate. Será que vai dar certo sempre? Queremos transformar o Bolsa Família em política de Estado para que saia dessa perversa agenda eleitoral. Apresentamos o projeto, e agora ficou claro porque o PT votou contra. O PT prefere ter um programa para manipular as vésperas das eleições, como se fosse uma bondade. Há uma manipulação vergonhosa de instituições como Ipea e IBGE. A presidente usou o marketing de que tinha tirado não sei quantos milhões da miséria já sabendo que a miséria aumentara. Mais um estelionato. 

[...]

Esse documento do PT, lançado depois das eleições, é muito grave. Fala no cerceamento da liberdade da imprensa, de um projeto hegemônico de país, sem alternância de poder. Fala de uma democracia direta que, de alguma forma, suplantaria ou diminuiria a participação do Congresso na definição das políticas públicas. 

Os tucanos têm um grande desafio pela frente, que é manter a promessa de fazer uma oposição firme e responsável contra o governo Dilma, em um modelo bastante centralizador em que todos dependem do Executivo para tudo. Já tem gente do PSDB querendo se aproximar de Dilma, pois possui projetos para seus estados que dependem da parceria com o governo federal.

É preciso resistir à tentação de suavizar na fiscalização e nas cobranças, e agir realmente em prol do Brasil e de olho no longo prazo. Espera-se que o PSDB cumpra esse papel, e que Aécio Neves seja o líder nesse desafio.

Rodrigo Constantino

 

Enem ideológico: o governo que nos (des)educa

A prova do Enem neste fim de semana, como de praxe, trouxe questões de cunho ideológico, cuja resposta “correta” deixa transparecer o viés dos formuladores, alinhados com o governo. Demétrio Magnoli comenta o caso emartigo no GLOBO, lembrando que tal prática nos remete ao fascismo, em que cabia ao governo autoritário impor sua visão de mundo aos alunos. Escreve o sociólogo:

A propaganda explícita das políticas racialistas é uma marca do Enem. Na prova aplicada anteontem, emerge duas vezes. Por meio da questão 42 (Prova Branca), o jovem candidato é conduzido a aplaudir o Parecer do Conselho Nacional de Educação que instituiu a “Educação das Relações Étnico-Raciais”. A formulação da questão cita um trecho do documento oficial, consagrado a difundir “posturas que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial” – ou seja, uma pedagogia do “orgulho racial”. Num outro trecho, não citado, o Parecer conclama as escolas a desfazer os “equívocos quanto a uma identidade humana universal”, o que equivale a rasgar a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

[...]

O antiamericanismo é um traço obsessivo do Enem. Ele aflorou desta vez na questão 26, a mais panfletária de toda a prova. Segundo a formulação, o grupo dos BRICS é formado por “países que possuem características político-econômicas comuns”, uma tese ousada que deve ser compulsoriamente admitida pelos candidatos, chamados a “comprová-la” pela seleção da alternativa “correta”. A única alternativa coerente com a formulação cimenta a unidade do grupo na lenda de que seus integrantes constituem uma “frente de desalinhamento político aos polos dominantes do sistema-mundo”. Por esse caminho, o Enem sacrifica no altar da retórica de nossa política externa as profundas divergências geopolíticas entre os países dos BRICS, notadamente o alinhamento estratégico da Índia com os EUA.

Além da cartada racial e do antiamericanismo, a imprensa aparece como algo ruim, apoiando ditadura, e a Comissão da Verdade surge como uma heróica iniciativa dos movimentos sociais. É a doutrinação ideológica por meio do estado. Não bastasse nas salas de aula essa politização invadir o ensino, na hora de filtrar para ver quem entra nas universidades federais se cobra o grau de alinhamento também.

Como resume Demétrio, o Enem não “faz a cabeça” de ninguém, obviamente. “Mas certamente contribui para a miséria intelectual em nossas escolas”, conclui. Até quando vamos aturar essa praga marxista destruindo o ensino em nosso país?

Rodrigo Constantino

 

Fonte:
veja.com

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1 comentário

  • wilfredo belmonte fialho porto alegre - RS

    A exportação de "commodities", gera uma falsa impressão de riquezas, pois estamos enviando para fora matérias primas, que são geradoras de um ciclo interminável de empregos. Geramos empregos

    lá fora em detrimento de nossa força de trabalho. Pagamos caro pela importação de produtos manufaturados, de alto valor agregado principalmente em termos de tecnologia. A nossa indústria por consequência fica sub-utilizada, o nosso produto sofre por falta de competitividade até mesmo pela falta de investimento em tecnologia e nossa mão de obra torna-se essencialmente primária o

    que nos ocasiona baixa produtividade. O Brasil precisa de um choque de eficiência, mão de obra

    altamente qualificada mas, acima de tudo que o governo deixe de intervir no mercado que as coisas

    começam a se arrumar. A incompetência do governo, a interferência política, é um dos motivos da

    nossa baixa produtividade, e irrelevante participação do Brasil no comércio internacional. Todo mundo enxerga isto e, sómente o governo não vê e, nos compele para este atrazo.

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