FMI corta estimativa de crescimento na América Latina em 2019; vê expansão de 0,8% no Brasil

Publicado em 23/07/2019 10:39 e atualizado em 23/07/2019 12:07
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SANTIAGO (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) realizou nesta terça-feira um forte corte nas estimativas de crescimento econômico da América Latina, dada uma desaceleração mais profunda no Brasil e no México, exacerbada por disputas comerciais globais e uma deterioração na confiança de investidores e analistas.

Em seu relatório Perspectiva Econômica Global, o FMI disse que agora espera que a região como um todo registre expansão de 0,6% este ano, um corte de 0,8 ponto percentual em relação ao último cálculo de abril. Para 2020, a previsão também foi ajustada ligeiramente para baixo, para 2,3%.

No Brasil, onde a confiança está diminuindo após as reduções no rating de crédito e dúvidas sobre a viabilidade da reforma previdenciária, a estimativa é de que a economia tenha expansão de 0,8% neste ano, 1,3 ponto percentual a menos do que em abril, Para 2020 o crescimento seria de 2,4%, queda de 0,1 ponto.

"Na América Latina, a atividade desacelerou significativamente no início do ano em várias economias, principalmente devido a fatores regionais", disse o fundo, que pediu aos governos que regulem os gastos fiscais e o endividamento.

As disputas tarifárias e os embates por acordos comerciais, junto com o aumento da dívida e a incapacidade de levar adiantes as grandes reformas macroeconômicas, prejudicaram as perspectivas do Brasil e do México, as principais economias latino-americanas, disse o FMI.

O Fundo também apontou para uma desaceleração do PIB no México, que atualmente espera finalizar um novo acordo comercial com os Estados Unidos e o Canadá. A segunda maior economia regional crescerá 0,9% neste ano e aumentará para 1,9% no ano que vem, com uma redução de 0,7 ponto percentual na estimativa de 2019.

A América Latina tem vivido uma desaceleração econômica nos últimos anos e em 2018 cresceu apenas 1%, segundo o FMI, prejudicada por fatores geopolíticos, declínio nos investimentos, dados mais moderados na China e, mais recentemente, por um cenário comercial mais tenso.

Em seu relatório divulgado nesta terça-feira, o Fundo reduziu suas projeções de crescimento global para este ano e o próximo ano em 0,1 ponto percentual, para 3,2% e 3,5%, respectivamente, com riscos de queda em grande parte das estimativas.

As ameaças incluem "uma intensificação das questões sobre comércio e das tensões tecnológicas" que podem gerar um período prolongado de aversão ao risco, deixando as vulnerabilidades das economias emergentes ainda mais expostas.

O FMI também ressaltou que a economia argentina contraiu no primeiro trimestre, mas em um ritmo mais lento do que em 2018, por isso reduziu ligeiramente sua estimativa para este ano para o país sul-americano.

O relatório também chamou a atenção para a crise humanitária e o "efeito devastador" da crise venezuelana, onde a economia irá contrair em torno de 35% este ano.

FMI reduz previsão de crescimento global por incertezas ligadas a comércio e Brexit

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Por Andrea Shalal

WASHINGTON (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou nesta terça-feira sua estimativa para o crescimento global neste ano e no próximo, alertando que mais tarifas entre Estados Unidos e China, taxas sobre automóveis ou um Brexit desordenado podem desacelerar ainda mais o crescimento, enfraquecer investimentos e prejudicar cadeias de fornecimento.

O FMI disse que os riscos baixistas se intensificaram e agora espera um crescimento global de 3,2% em 2019 e 3,5% em 2020, uma queda de 0,1 ponto percentual para os dois anos na comparação com sua projeção de abril, e o quarto corte desde outubro.

O Fundo disse que dados econômicos divulgados até agora neste ano e inflação em geral fraca apontam para atividade global mais fraca que o esperado, com tensões comerciais e tecnológicas e crescentes pressões desinflacionárias representando riscos futuros.

O Fundo cortou sua previsão de crescimento do comércio global em 0,9 ponto percentual, para 2,5% em 2019. O comércio deve se recuperar e crescer em 3,7% em 2020, cerca de 0,2 ponto percentual a menos do que o projetado inicialmente. O crescimento do volume de comércio caiu para cerca de 0,5% no primeiro trimestre, disse o FMI, com a desaceleração atingindo principalmente países asiáticos emergentes.

"O principal fator de risco à economia global é que desdobramentos adversos -- incluindo tarifas adicionais entre EUA e China, tarifas de automóveis dos EUA, ou um Brexit sem acordo -- minam a confiança, enfraquecem o investimento, deslocam cadeias globais de fornecimento e desaceleram severamente o crescimento global para abaixo do cenário básico", disse o FMI.

Fracas perspectivas comerciais estavam criando obstáculos para investimento, e o sentimento empresarial estava particularmente pessimista sobre novos pedidos, embora o sentimento no setor de serviços tenha se mostrado resiliente, impulsionando empregos e confiança do consumidor.

Outros riscos, incluindo tensões no Golfo Pérsico, ganharam força nos últimos meses, e conflitos civis em muitos países levantaram o espectro de "custos humanitários horríveis, pressões migratórias... e volatilidade elevada nos mercados de commodities."

O FMI disse que o crescimento foi melhor que o esperado em economias avançadas como os EUA, e fatores pontuais que abalaram o crescimento na zona do euro estavam se dissipando, conforme esperado.

O Fundo elevou sua previsão de crescimento da economia dos EUA a 2,6% em 2019, mas manteve sua projeção de crescimento para 2020 em 1,9%.

Também aumentou a projeção de crescimento para a zona do euro a 1,6% em 2020, mantendo a previsão para 2019 em 1,3%.

O aumento das tarifas dos EUA e o enfraquecimento da demanda externa pressionam a economia da China, que já está no meio de uma desaceleração estrutural. A expectativa agora é de que a China cresça 6,2% em 2019 e 6,0% em 2020, queda de 0,1 ponto para cada ano, disse o FMI.

FMI diz que comércio global no 1º tri cresceu em menor ritmo desde 2012

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SANTIAGO (Reuters) - O comércio global cresceu apenas 0,5% no primeiro trimestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior, o ritmo de crescimento mais lento desde 2012, disse Gita Gopinath, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Santiago, no Chile, nesta terça-feira.

O FMI baixou nesta terça-feira sua previsão de crescimento global para este ano e o próximo, alertando que mais tarifas entre Estados Unidos e China, tarifas de automóveis ou um Brexit sem acordo podem desacelerar ainda mais o crescimento, enfraquecer o investimento e interromper as cadeias de fornecimento. [nL2N24O0EA]

Gopinath disse que o Fundo não viu sinais de uma recessão, mas viu "riscos de queda significativos" para o crescimento global daqui para frente.

(Por Andrea Shalal e Jonas Ekblom)

Fonte: Reuters

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