Esperança de Biden em agenda democrata depende de 2º turno na Geórgia

WASHINGTON (Reuters) - A esperança do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, de impulsionar grandes prioridades democratas, como ampliar o acesso à saúde, combater a mudança climática e proporcionar mais ajuda contra o coronavírus, dependerá de disputas ao Senado na Geórgia em janeiro.
Os democratas não atingiram a meta de obter uma maioria no Senado, e até perderam assentos na Câmara dos Deputados, deixando os republicanos em boa situação para frear grandes iniciativas legislativas de Biden.
Isso impõe ao Partido Democrata a tarefa árdua de tentar tomar os lugares de dois senadores republicanos justamente em um Estado de inclinação republicana no qual o próprio Biden tem uma vantagem pequena sobre o presidente, Donald Trump, em meio à contagem de votos ainda em andamento.
"Vamos vencer na Geórgia, depois mudamos o mundo", declarou o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, em Nova York no sábado. O governador republicano da Geórgia, Brian Kemp, também ressaltou a votação de janeiro, pedindo que os correligionários se unam e dizendo que "a luta está longe de ter acabado".
Os republicanos parecem prestes a manter ao menos 50 das 100 cadeiras do Senado no ano que vem, supondo que suas dianteiras na Carolina do Norte e no Alasca se mantenham – o que torna vitórias nos segundos turnos da Geórgia cruciais para os democratas controlarem o Senado. A vice-presidente eleita, Kamala Harris, pode dar o voto de desempate no Senado.
David Perdue, senador republicano da Geórgia que está buscando um segundo mandato, recebeu 49,8% dos votos, e o democrata Jon Ossoff outros 47,9%.
Na outra disputa, o reverendo democrata negro Raphael Warnock teve 32,9% dos votos e a senadora republicana Kelly Loeffler 25,9%. Já o deputado republicano Doug Collins só obteve 20% dos votos e não foi para o segundo turno.
A Geórgia não elege um senador democrata há duas décadas, mas a demografia em transformação e os desempenhos democratas cada vez melhores nas últimas disputas levam a crer que o partido tem chance de vencer os segundos turnos de 5 de janeiro, dizem cientistas políticos.
Mas estas possibilidades dependerão muito de se manter os eleitores engajados, disse Andra Gillespie, professora de Ciência Política da Universidade Emory – e a montagem do gabinete de Biden e suas diretrizes políticas enfrentarão águas turbulentas se os republicanos mantiverem a maioria do Senado.
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