Dólar avança contra real em dia de feriado nos EUA; segue fiscal sem radar

O dólar avançava contra o real nesta quinta-feira, em dia de volumes reduzidos pelo feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, com os investidores continuando a avaliar as incertezas fiscais domésticas.
Às 10:18, o dólar avançava 0,28%, a 5.3357 reais na venda.
Na B3, o dólar futuro subia 0,22%, a 5.336 reais.
Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, "com o feriado nos EUA, um feriado importante para os norte-americanos, a liquidez tende a ficar comprometida, não só hoje como amanhã também".
Com Wall Street de portas fechadas nesta quinta-feira, o foco passava para as questões domésticas, com "as reformas, o Orçamento do ano que vem e afetando o auxílio emergencial" dominando as considerações, explicadas, em meio a uma incerteza persistente sobre a saúde das contas públicas brasileiras.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, repetiu na quarta-feira a necessidade de o país se comprometer com uma dinâmica sustentável para o fiscal, defendendo a continuidade das reformas, e disse que a fragilidade fiscal do país contribuiu para a forte desvalorização do real, que tem ficado para trás em relação a seus pares emergentes.
Sua fala provocou reação do ministro da Economia, Paulo Guedes, que relatou uma série de medidas já recuperada e disse haver "falsas narrativas" contra ele, rechaçando ainda estar "desacreditado".
O tempo econômico da Guia escreveu dessas manchetes que, "de fato, o plano para a sustentabilidade futura das contas públicas, existe o que não temos é um cronograma confiável em que o mesmo será posto em prática (e aprovado)."
Enquanto isso, um Covid-19 continua ganhando força no Brasil. Na quarta-feira, o país registrou 47.898 novos casos da doença, o que representa a maior contagem diária em duas semanas.
Rostagno, do Mizuho, alertou que esse avanço gera o temor de uma retomada de restrições às atividades favorecedoras, como o fechamento de comércios, o que ajudava a "induzir uma realização nos mercados depois da forte valorização do real ontem, e, num dia de liquidez reduzida, esse movimento fica mais pronunciado. "
O dólar negociado no mercado interbancário fechou a última sessão em queda de 1,03%, a 5.3206 reais na venda.
Nesta quinta-feira, o Banco Central fará o leilão de swap para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em abril e agosto de 2021.
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