Ministro pede ajuda da PF para apurar apagão de energia e critica privatização da Eletrobras
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SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) -O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que vai oficiar ao Ministério da Justiça para que seja encaminhado à Polícia Federal um pedido de abertura de inquérito policial para apurar detalhes sobre a interrupção de energia que atingiu boa parte do país nesta terça-feira.
Em coletiva de imprensa, Silveira também aproveitou para fazer duras críticas à privatização da Eletrobras, dizendo que, embora não se tenha relação comprovada do episódio com ativos da companhia, o governo perdeu um importante "braço operacional" em um setor "altamente estratégico" quando a empresa foi privatizada. Ele também fez críticas à nova gestão da empresa.
O fornecimento de energia elétrica no Brasil foi afetado nesta terça-feira por um desequilíbrio no Sistema Interligado Nacional (SIN), ainda inexplicado, que levou à perda de cerca de 25% da carga total e afetou um terço dos consumidores brasileiros de todos os Estados do país, com exceção de Roraima, que não recebe energia do SIN. O suprimento foi totalmente restabelecido ao longo da tarde.
Segundo Silveira, um dos episódios que levou à interrupção de energia ocorreu no Ceará, possivelmente em uma linha de transmissão. Ele não deu mais detalhes ou informou qual seria a concessionária responsável pelos ativos onde o problema ocorreu, afirmando que o operador nacional está sendo "muito cuidadoso" em sua apuração.
Um segundo evento, que seria necessário para que a interrupção de energia ocorresse, ainda não foi identificado pelo ONS, explicou o ministro.
"O epicentro da causa ocorreu no Norte e Nordeste, especificamente no Ceará, perto de algumas linhas de 500 kv. Dentro dessas subsestações, existem diversos agentes transmissores, existe a Chesf, outras empresas que atuam nessas regiões", detalhou Danilo Genil, secretário de Energia Elétrica do ministério, durante a coletiva."São diversos eventos concatenados em milissegundos que vão acontecendo e que vão espalhando para o Sistema Interligado Nacional o efeito que chegou a derrubar 21 GW", acrescentou Gentil.
O ONS pediu 48 horas para apresentar um relatório completo com o diagnóstico do ocorrido, disse Silveira.
Além da apuração técnica, o ministro também ressaltou que o governo pedirá ajuda do Ministério da Justiça e da PF, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), no caso.
Ele disse que ainda não há indícios de sabotagem no sistema elétrico nesse caso, mas que o pedido se dá por um critério estabelecido pelo governo após a derrubada de várias linhas de transmissão no início deste ano.
"Não há insinuação (de que houve sabotagem), porque a insinuação é leviana, há um critério que eu estabeleci em consequência da gravidade dos ocorridos no início deste ano no setor elétrico nacional", afirmou.
CRÍTICAS À ELETROBRAS
O ministro usou boa parte do tempo da coletiva de imprensa sobre o apagão desta terça-feira para criticar a privatização da Eletrobras, em meio a ações do governo para ampliar seu poder de voto na companhia. As críticas também ocorreram um dia após a renúncia do até então CEO da empresa, Wilson Ferreira Júnior.
"Eu seria leviano em apontar que há uma causa direta com relação à privatização da Eletrobras, o que não posso faltar é com a coerência, a minha posição sempre foi essa e não vai deixar de ser, que um setor estratégico como esse deve ter uma mão firme do Estado brasileiro", disse.
"A Eletrobras era o principal braço do governo brasileiro do ponto de vista operacional e ela detém esmagadoramente a maior parte da transmissão e da geração do Brasil", acrescentou.
Silveira ressaltou ainda que a interrupção no fornecimento de energia não tem relação com questões relacionadas ao planejamento do sistema elétrico e que se trata de uma situação muito diferente da ocorrida em 2021, quando o país enfrentou uma crise hídrica que ameaçou causar um racionamento ao afetar a geração hidrelétrica, principal fonte da matriz brasileira.
(Reportagem de Leticia Fucuchima, em São PauloReportagem adiciona de Ricardo Brito, em BrasíliaEdição de Roberto Samora e Pedro Fonseca)
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