Fed abre novo capítulo em meio a cenário de política monetária incerto para Warsh, Trump e EUA

Publicado em 18/05/2026 11:57 e atualizado em 18/05/2026 12:41

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Por Howard Schneider

WASHINGTON, 18 Mai (Reuters) - Após oito anos de atritos com a Casa Branca, uma pandemia global e uma batalha contra a inflação elevada, o Federal Reserve dos EUA dará início a uma nova era, com o ex-diretor Kevin Warsh assumindo em breve o comando da instituição.

Também será uma nova era para o presidente Donald Trump. Em breve, ele não terá mais Jerome Powell, o atual presidente do Fed, como seu saco de pancadas favorito, embora Powell permaneça na diretoria do Fed. Warsh, escolhido por Trump para a presidência do Fed, presumivelmente marcará um novo começo nas relações entre a Casa Branca e o banco central.

Em 2016, Powell tinha assumido seu primeiro mandato há apenas poucos meses quando Trump começou a repreendê-lo, irritado com os aumentos das taxas de juros do Fed. Agora, Trump quer cortes de juros, e Warsh também pode decepcioná-lo devido ao risco de inflação mais alta e à perspectiva "hawkish" (favorável a juros mais altos) de outras autoridades do Fed.

Neste momento, os investidores preveem que Warsh terá que aumentar as taxas já em janeiro.

Esta é o cenário no início do mandato de Warsh no Fed:

INFLAÇÃO

Trump prometeu que os preços cairiam desde o início de sua presidência, mas os índices de inflação mostram que isso não aconteceu. Entre o impacto persistente das tarifas de importação, o aumento dos preços do petróleo durante a guerra EUA-Israel contra o Irã e a continuidade de fortes investimentos e gastos, Warsh assume o cargo em um momento em que a inflação está se movendo ainda mais acima da meta de 2% do Fed. Vários diretores do Fed expressaram preocupação com o aumento das pressões sobre os preços.

Nos anos de Powell, a inflação média foi maior do que a de seus antecessores. Mas recentemente, uma "desinflação" ainda em desenvolvimento, ou desaceleração do ritmo da inflação, reverteu o curso após os choques gêmeos de tarifas mais altas e aumento dos custos de energia.

DESEMPREGO

Além do controle da inflação, a missão do Fed é usar a política monetária para manter o emprego forte. Por vezes os dois objetivos entram em conflito. O aumento dos preços pode exigir que o Fed torne a política monetária mais rígida e coloque em risco o crescimento do emprego, ou o desemprego elevado pode exigir juros mais baixos, o que corre o risco de superaquecer a economia. O Fed está tentando determinar se este é um desses momentos de tensão.

No entanto, até agora, embora a inflação precise diminuir, a taxa de desemprego tem se mantido estável e, pelos padrões históricos, bastante baixa, em 4,3%.

Os defensores dos cortes de juros argumentaram que o mercado de trabalho está mais fraco do que parece, com riscos reais de um rápido aumento do desemprego. Porém, ultimamente, os formuladores de política monetária têm se mostrado mais preocupados com o aumento dos preços.

BALANÇO PATRIMONIAL

O conjunto de ativos e passivos do Fed é uma entidade econômica peculiar. Ele inclui as reservas de ouro do país e todos os dólares norte-americanos físicos mantidos em bancos ou enfiados em colchões. No entanto, a maior parte de seus atuais US$6,7 trilhões em ativos e passivos compensatórios está na forma de títulos do Treasury dos EUA e títulos lastreados em hipotecas que têm uma dupla finalidade.

Os grandes saldos representam, na prática, o dinheiro do Fed injetado na economia em troca de títulos do Treasury ou hipotecários. Eles foram acumulados para ajudar a economia dos EUA a enfrentar crises como a pandemia da Covid-19 e estão sendo mantidos como parte do conjunto de ferramentas do Fed para gerenciar as taxas de juros de curto prazo.

Espera-se que Warsh explore várias mudanças regulatórias e de política monetária para reduzir o grande balanço patrimonial. Isso pode levar a uma discussão prolongada com progresso limitado no curto prazo. Warsh expressou confiança em sua capacidade de engendrar uma ampla "mudança de regime", e os observadores do Fed podem considerar o tamanho do balanço patrimonial como um indicador de sua eficácia.

O sucesso será influenciado por fatores como o cronograma de emissão de dívida do Treasury dos EUA ou a reação dos investidores internacionais a qualquer mudança feita por Warsh para reduzir o balanço patrimonial. As taxas de juros de longo prazo sobre a dívida do governo dos EUA, um fator que influencia o que os consumidores pagam por hipotecas de casas e outros empréstimos, já estão subindo, e um balanço patrimonial menor do Fed poderia aumentar ainda mais a pressão de alta.

TAXAS DE JUROS: PARA CIMA, PARA BAIXO OU PARA OS LADOS?

O Fed tem mantido as taxas de juros em suspenso desde dezembro, e as autoridades monetárias, em geral, acham que a taxa atual de 3,5% a 3,75% está adequada. Ela é considerada ainda um pouco "restritiva", o que significa que pressiona a inflação para baixo e reduz a demanda geral, mas não tanto a ponto de arriscar um salto acentuado no desemprego. Os formuladores de política monetária também acham que a taxa atual poderá ser cortada rapidamente, se necessário, para um nível que manteria o mercado de trabalho estável.

Alguns dos pares de Warsh já estão preocupados com a inflação alta e querem usar a comunicação do Fed para sinalizar que aumentos de juros, e não cortes, podem estar próximos.

Essa decisão seria um desafio imediato para Warsh, apresentando a Trump uma mudança de linguagem, em direção a um tom mais duro, logo na primeira reunião de Warsh, em junho.

Mas o debate que se aproxima sob o comando do novo líder do Fed será amplo e pode levar algum tempo para ser resolvido, abrangendo aspectos como o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho e na produtividade, e a evolução contínua de uma força de trabalho limitada pelo envelhecimento da população e pelos níveis de imigração que despencaram sob Trump.

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Fonte:
Reuters

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