Alimentos farão Inflação subir 1 ponto percentual ao mês

Publicado em 05/10/2010 08:43
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A alta nas cotações das commodities agrícolas já impacta na inflação. Segundo Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal e professor de economia da Fundação Instituto de Administração (FIA), os alimentos devem responder pelo avanço de um ponto percentual ao mês na inflação. Outros itens, como vestuário, rações, calçados, biocombustível, madeiras e óleos vegetais podem representar mensalmente um aumento de 0,5 ponto percentual. Para 2011, ainda de acordo com Grisi, com a previsão de pouca oferta diante da forte demanda por alimentos a inflação no Brasil deve seguir em ritmo altista. "Tudo vai atingir a mesa do consumidor", afirma.

Entre os vilões para a elevação da inflação no País estão o trigo, a carne, a laranja, hortifruti, feijão, açúcar, lácteos e algodão. Além do excesso de crédito para pessoas físicas, a entrada de dinheiro estrangeiro para conter o câmbio e o dissídio salarial.

Para Grisi, a inflação deve fechar 2010 entre 5,5% e 6%.

Estatística do Banco Central que apontava na semana passada uma projeção de 5,05%, elevou a estimativa para 5,07%.

De acordo com Gian Barbosa, economista e analista de inflação da Tendências Consultoria, a primeira alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,30% ocorreu em meados do dia 15 de setembro. "Apesar de fraca, a oscilação foi rápida", observa.

Segundo Ariadne Vitoriano, economista da Rosenberg Associados, já houve alta ao consumidor, mas o repasse ainda não foi total. "Até o fim do ano, a tendência é de preços ainda mais elevados. Projetamos uma inflação em 2010 de 5,1%", afirma.

Para a economista, apesar de estimar uma inflação na casa dos 4,4% em 2011, o peso do índice deve ocorrer no início do ano.

De acordo com Grisi, outro agravante para o cenário da inflação e o fortalecimento na demanda está no fato de o grão ser disputado para biocombustível. "As cotações da soja e do milho devem ter trajetória para cima até março de 2011", estima.

Grisi considera ainda que a rota de preços do algodão tende a ser mais tranquila, mas mesmo assim as cotações devem continuar firmes. "Os valores já chegaram no patamar que deviam."

Os produtos in natura, segundo Barbosa, são os maiores responsáveis por jogar a inflação mais para cima. De acordo com Grisi, a alta demanda pela carne deve manter a valorização do produto pelo menos até abril. "Em dezembro pode ocorrer alguma queda e a arroba se estabilizar em R$ 80, mas entre março e abril a alta deve voltar", prevê.

Em São Paulo, neste mês, a carne bovina deve ser responsável pelo avanço da inflação.

Levantamento feito em setembro pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por meio do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), aponta que o valor médio da carne subiu 6,6% ante alta de 2,30% verificada em agosto. O comportamento do item foi decisivo para puxar para cima a variação do subgrupo Semielaborados, de 0,54%, em agosto, para 3,22%, no mês seguinte, fazendo com que o grupo Alimentação apresentasse elevação de 1,57% no mês passado ante recuo de 0,15% em agosto.

Substituição

Para Grisi, o mercado deve buscar alternativas para contornar a elevação de preços substituindo produtos. Segundo o presidente, a substituição da farinha de trigo por de mandioca, ou o sorgo por milho são possíveis. "Mas mesmo assim, deve acompanhar o ritmo de elevação", diz.
Fonte: DCI

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