Fogo consome quase 20% da Suiá Missu, diz Ibama

Publicado em 22/08/2013 18:51 e atualizado em 23/08/2013 10:01
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Cerca de 20% dos 165 mil hectares da terra indígena xavante Marãiwatsédé foram consumidos ao longo do último mês por focos de incêndios que, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), têm origem criminosa. Um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial.

De acordo com o Ibama, a estimativa é que ao menos 31 mil hectares haviam sido queimados até a última sexta-feira (16), o que representa 18% da área. Brigadistas do Centro Especializado de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevfogo), do instituto, foram enviados ao local para tentar controlar os focos de incêndio, mas enfrentam dificuldades para trabalhar em função da “ação criminosa de vândalos, que estão ateando fogo em várias partes da terra indígena”, conforme informou o Ibama. A presença policial foi requisitada.

Com base em dados de satélites usados para monitorar os focos de calor na região, os técnicos do Prevfogo identificaram, nos últimos 30 dias, 120 focos de incêndio no interior da área indígena. A maioria próximo às rodovias que cortam ou circundam a área indígena. Além dos danos ao meio ambiente, o Ibama alerta para os riscos que as queimadas oferecem para a comunidade indígena e para as propriedades existentes fora dos limites de Marãiwatsédé.

O cacique Damião disse que a suspeita recai sobre antigos posseiros da área, pessoas que, tempos depois de serem retiradas do local, voltaram a se instalar no interior da terra indígena com o pretexto de reivindicar serem alojadas em um local adequado.

“É fogo criminoso. Não temos dúvida nenhuma de que são as pessoas retiradas da área que agora estão dando problemas. Está queimando tudo. Duas pontes foram queimadas”, disse Damião, comentando que embora os próprios índios tenham organizado patrulhas para ajudar a impedir o ingresso de não índios, não conseguem deter os criminosos. “A área é grande e eles sabem quando não têm nenhum de nós por perto”.

Segundo o secretário nacional de Articulação Social, da Presidência da República, Paulo Maldos, o governo federal não vai permitir que os antigos posseiros retornem ao local. “Aquela é uma área indígena consolidada. O Incra ofereceu aos antigos posseiros [que se encaixam no perfil de beneficiários de programas de reforma agrária], mas muitos nem chegaram a visitar o local e recusaram".

A reserva fica na região norte de Mato Grosso, a cerca de mil quilômetros de Cuiabá (MT). Antes, era conhecida como Gleba Suiá Missú, alusão a antiga fazenda de mesmo nome, criada com a ajuda dos índios que, até então, viviam na região. Embora o Estado brasileiro tenha reconhecido e homologado a área como território tradicional indígena em 1998, só em janeiro deste ano o governo conseguiu concluir a retirada dos não índios do local. Ação que, hoje (22), os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da República, Gilberto Carvalho, classificaram  como uma "verdadeira operação de guerra".

 

Veja imagens divulgadas no site Jornal Montes Claros:

Fogo Consome Suiá Missu 2

Fonte: Nicélio Silva/Ibama

Fogo Consome Suiá Missu

Fonte: Jornal Montes Claros

Fonte: Agência Brasil

5 comentários

  • SR. Wilfredo. Adivinha quem pôs fogo na reserva de onde expulsaram os moradores, produtores. Aproveitando os seus comentários de preservação veja como se encontra a África, bem preservada com sua população passando fome, brigas tribais, pois mato pode ser bonito, pode ser biodiversidade, serve para os arrogantes europeus irem lá caçar e pescar, mas desconheço alguém que sobreviva comendo folhas e raízes de mato. Quanto a monocultura e agregar valor, não vais querer você que nos agricultores também façamos isto, pois este seria a obrigação dos Estudados e Formados da cidade que instalassem uma indústria e agregassem o valor que tanto apregoam, ou vão ficar apenas esperando o produto pronto nas gôndolas dos supermercados. Assim é muito fácil criticar, façam alguma coisa que produza também. Ora, ora...

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  • JOAO AUGUSTO PHILIPPSEN Santo Augusto - RS

    Fui vizinho de uma reserva indigena em Pva do Leste por 15 anos, e todos os anos nesta época eles ateiam fogo na mata em 3 pontas e aguardam na 4 para matarem às CAÇAS. Belo exemplo de presevação, matam os que consseguem escapar do FOGO, e resto merre QUEIMADO. Se tivrem dúvidas, perguntem aos PRÓPRIOS.

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  • Lino Gaspar Rocha Aguiar Rio Paranaíba - MG

    Crime é desalojar famílias que estão buscando seu pão de cada dia a décadas, com os seus titulos de dominios legalizados.

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  • roberto carlos maurer Almirante Tamandaré do Sul - RS

    Sr.WILFREDO SÓ PARA REFLETIR E AUMENTAR SEUS CONHECIMENTOSA PUJANÇA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO** 21/08/2013 - 08:30

    Para algumas pessoas, que, obviamente não apresentam conhecimento de causa, o agronegócio é tido muitas vezes como sinônimo de depredação ambiental, discriminação social e econômica. Contudo, em razão de uma visão superficial e algumas vezes distorcida pela miopia ideológica, não conseguem perceber, holisticamente, a pujança do agronegócio para o Brasil e para o mundo em termos econômicos, sociais e ambientais. Para isso vejamos alguns fatos e números de um agronegócio bem diferente e, as vezes, pouco conhecido pela sociedade.

    A agricultura nacional (grãos, hortaliças, frutas, cana, café e etc.) ocupa cerca de 75 milhões de ha (9% da área do Brasil), distribuídos em 4,5 milhões de propriedades rurais (IBGE, 2013), mantendo preservada 69,4% das matas nativas (sem computar as áreas de florestas cultivadas) comparativamente a 0,3% na Europa. Estima-se que apenas cerca de 2% do lixo urbano brasileiro é reciclado, contrastando com cerca de 95% das embalagens de agroquímicos que são anualmente recicladas (GAZZONI, 2013).

    Em 1992, o Brasil cultivava 1,3 milhões de ha em sistema de plantio direto (4% da área de grãos) contra os atuais 32 milhões de ha (75% da área) reduzindo em cerca de 96% as perdas de solo agrícola pela erosão, e em 66% o gasto de diesel na agricultura, que só no ano de 2011, representou uma economia de 1,34 bilhões de litros de diesel, deixando de serem emitidos para a nossa atmosfera cerca de 3,59 milhões de toneladas de CO2. Em 1992 com um litro de diesel se produzia 25 kg de grãos, hoje, com o mesmo litro se produz entre 105 a 175 kg (GAZZONI, 2013).

    Nos últimos 6 anos, o programa de biodiesel substituiu 7,8 bilhões de litros de diesel e entre os anos de 2000 e 2011 foram consumidos 95 bilhões de litros de etanol hidratado e 75 bilhões de litros de etanol anidro, em substituição a gasolina, que junto com o biodiesel possibilitaram a redução da emissão de 235,5 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera (GAZZONI, 2013).

    Quanto ao consumo de água para a produção de arroz irrigado, por exemplo, nos últimos 20 anos, caiu de 4000 litros/kg para 1300 litros/kg (redução de 67,5%) de arroz. Hoje o Brasil produz alimento para 3 “brasis” ante 1,4 em 1975. Além disso, o custo da alimentação reduziu drasticamente, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), hoje com as mesmas horas trabalhadas de 1974 se adquirem 7 vezes mais comida (GAZZONI, 2013).

    Quanto a questão econômica, o agronegócio responde por 37% dos empregos do Brasil, 22% do PIB brasileiro, 10% da produção mundial de grãos e 25% de seu comércio internacional. A produtividade agrícola brasileira cresce cerca de 3,6% ao ano (176% nos últimos 35 anos), com destaque para as culturas do arroz (crescimento de 3,5 vezes nos últimos 35 anos), milho (3,1 vezes), trigo (2,9 vezes), feijão (2,2 vezes), e soja (1,9 vezes) (GAZZONI, 2013).

    Para encerrar, a FAO, estima que até o ano de 2050 será necessário produzir mais alimentos que o total produzidos nos últimos 12 mil anos de agricultura, sendo depositado no Brasil, a confiança para produzir mais da metade dessa demanda adicional, em razão das vantagens comparativas em relação a outros países grandes produtores agrícolas, que já esgotaram sua área de expansão.

    Engenheiro-Agrônomo Rudinei Luis Richter.

    ** Texto extraído de:

    GAZZONI, Decio, Luiz. “A cara do agronegócio”, Coluna Agronegócios. Revista Cultivar Grandes Culturas. Ano XV, nº 170, Julho de 2013.

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  • Raijan Cezar Mascarello Sapezal - MT

    Adivinha quem colocou fogo?????

    Precisa responder????

    Com certeza foram os que o povo chama de preservadores da natureza!!

    É óbvio que foram os indios!!

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