Conflito entre índios e negros no Mato Grosso do Sul

Publicado em 17/06/2014 15:43 1867 exibições

No início do mês de junho uma família de pessoas negras foi expulsa a flechadas da aldeia urbana Água Bonita, que fica no bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande. De acordo com o Boletim de Ocorrência, indígenas da aldeia liderados pelo ex-cacique guarani-kaiowa, Nito Nelson, de 51 anos, impediram que uma mulher indígena Guarani, trouxesse para a comunidade o marido, que é negro, e o filho, que é mameluco.

Ainda conforme o Boletim, o casal fazia a mudança para casa onde iria morar na comunidade quando foram cercados por um grupo liderado, segundo o boletim, pelo ex-cacique Nito Nelson. O marido da mulher, Sidney Pereira, de 27 anos, ainda desceu do carro para conversar com o indígenas, mas eles acabaram discutindo. Diante da confusão, a mulher pediu para o marido entrar no veículo para eles saírem do local.

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Conforme o Boletim, no momento em que o casal deixava a aldeia, os indígenas dispararam várias flechas, uma delas ficou cravada na borracha que prende uma das janelas do veículo. Uma outra flecha acertou a bolsa do filho do casal. Ninguém da família ficou ferido. O caso foi registrado como injúria racial na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) da Vila Piratininga. 

 

Vida de índio

Neste domingo (15), um índio Fulni-ô, de Águas Belas, em Pernambuco, foi preso pela Polícia Militar após espancar o próprio pai e a sua irmã, e tentar incendiar a casa de seus pais, ateando fogo no guarda-roupas da irmã. Os familiares do índio informaram aos policiais que ele costuma se comportar de forma agressiva após consumir crack. Edijailson Inácio Severo foi detido, conduzido à Delegacia Regional de Garanhuns e encaminhado para a Cadeia Pública de Saloá.

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Depoimento de um leitor: De onde vem o preconceito contra os índios? 

Segue abaixo um depoimento enviado por um leitor do #Qi através da página Fale Conosco. Algumas informações, como o nome da pessoa, foram omitidos para evitar retaliações: 


"Eu moro no interior de Mato Grosso, na vila de Serra Dourada, cidade de Canarana. Convivo diariamente com indígenas, pois a reserva dos xavantes fica encostada da vila. Acontecem aqui diversas coisas revoltantes, que muita gente nem imagina que acontece, como por exemplo, índios pedindo frango, coco, mamão, mandioca, coisas que eles deveriam ter na aldeia, deveria cultivar ou criar, mas não o fazem por pura preguiça! Indios diariamente pedindo combustível para seus carros, para poderem ir até as cidades, e se você não dá, eles acham ruim, se acham no direito de ganhar e não aceitam um "não".

São diversas situações que acontecem aqui que as vezes são inacreditáveis e revoltantes!! Parabéns pelo trabalho de vocês, em meio a tantos "pró-índios", existem ainda pessoas corretas e que são "pró-progresso"!! Continuem assim!"

O mapa mostra a localização do distrito de Serra Dourada em relação à aldeia Água Branca dentro da Terra Indígena Pimentel Barbosa, dos índios Xavante.

A situação descrita pelo leitor mostra um trágica consequência do abandono dos índios por parte da Funai e do poder público depois da demarcação das áreas. Sem interesse no modo de vida tradicional, alguns índios procuraram se inserir na nossa cultura, mas não conseguem porque não têm renda. O resultado, em alguns casos é a mendicância. Recentemente mostramos aqui crianças indígenas da etnia Guajajara pedindo esmolas numa rodovia federal do Maranhão (veja aqui).

Em outros casos, índios buscam vender ilegalmente madeira, carbono, o minério das suas terras, o próprio corpo ou cobram pedágios ilegais. Essa reação dos índios provoca atritos com a população não indígena. Não foi sem razão que a população de Humaitá, no Amazonas, se revoltou contra os índios trenharim (veja aqui), ou que a população de Jacareacanga, no Pará, vem dando sinais de intolerância em relação às peripécias dos índios munduruku (veja aqui). Revoltas contra a Funai e os índios também acontecem no sul da Bahia e no norte do Rio Grande do Sul.

É o indigenismo cultivando o conflito étnico numa das mais plurais e tolerantes sociedades do planeta. Alguém precisa proteger os índios dos indigenistas.

 

Explode a mesa de negociação do Governo para solução do conflito indígena no Mato Grosso do Sul

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Exercida pela Governo como a única saída para conflito entre o movimento indigenista e produtores rurais, a principal mesa de negociação estabelecida pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, explodiu na última sexta feira. A reunião entre o Ministério da Justiça, Funai, Incra e produtores rurais de Mato Grosso do Sul para tentar resolver o problema da Terra Indígena Buriti, terminou sem acordo. A Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul emitiu nota de repúdio em relação ao posicionamento dos prepostos de Cardozo.

O Governo pretende comprar 30 fazendas cobiçadas pela Funai e invadida por índios na região de Sidrolândia. A justiça considera que a área NÃO é indígena, mas a expectativa de demarcação criada pela Funai e pelo Ministério Público induziu os índios a invadirem as fazendas. A justiça mandou que os índios desocupassem o local, mas, ao tentar cumprir a ordem judicial de reintegração de posse, um índio foi morto pela Polícia Federal.

Incapaz de fazer cumprir a lei e considerando que a justiça afirma que a área NÃO É INDÍGENA, o governo decidiu compra as fazendas. Para quem não sabe, o governo não pode comprar áreas consideradas indígenas.

O Incra e a Funai, habituados a avaliar terras improdutivas e ilegais, propuseram uma indenização de R$ 78 milhões. Mas uma avaliação técnica feita pelos produtores rurais a pedido do Ministério da Justiça, apontou um valor de R$ 120 milhões. A equipe do Questão Indígena estimou que os 15 mil hectares das 30 fazendas valem R$ 93.304.250,00.

Na reunião da última sexta o governo não arredou pé dos R$ 78 milhões que foram recusados pelos produtores rurais.

Em nota divulgada no sábado (14), a Famasul manifestou repúdio ao resultado da reunião. De acordo com a Famasul, o Ministério da justiça recusou a avaliação feita pelos produtores por ser uma "avaliação privada". Mas os produtores dizem que foi o próprio Ministério quem sugeriu os contra laudos.

A explosão da mesa de negociação da Terra Indígena Buriti representa o fim da estratégia do governo para solucionar o problema. Incapaz de apresentar uma solução legislativa real, o governo insiste nas tais meses de negociação. Ninguém, além de Cardozo, acredita que essas mesas solucionem alguma coisa.
 

Funai diz que sequestro de funcionários da Vale por índios não é violência 

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A Funai enviou nota à imprensa informando que o sequestro de 50 funcionários da Vale por índios xinkrin, no Pará, não foi violência. Cerca de 400 índios vedaram as entradas de uma unidade da mineradora, Ourilândia do Norte e ameaçarem atear fogo no local. Os empregados da Vale e de empresas terceirizadas ficaram retidos no local por três dias e foram liberados apenas ontem à noite, por volta das 21 horas. Pedágio de índio é compensação intergeracional. Invasão de terra por índio é retomada. Fogo de índio no cerrado faz bem ao meio ambiente. A Funai e o Ministério Público fazem vistas grossas para o garimpo ilegal dos Cita-Larga e dos Munduruku. Esse tipo de atitude da Funai e do indigenismo de passar a mão na cabeça dos índios quando eles se excedem tem criado um clima e guerra étnica no Brasil e gerado, entre os índios, a sensação de imputabilidade.

Em 92 índios cinta-larga, descontentes com a mesada recebida de garimpeiros autorizados por eles mesmos a explorar diamantes na terra indígena Roosevelt, em Rondônia, assassinaram a pauladas 29 homens. Ninguém foi preso.

Em Humaitá, no Amazonas, a população se insurgiu contra a Funai depois de anos de sentimento de revolta reprimido causado pela cobrança ilegal de pedágio pelos índios. O episódio resultou no assassinato de três cidadãos não indígenas por índios tenharim. Seis índios estão presos e há campanhas na internet pedindo liberdade aos assassinos. O principal argumento da campanha é um relatório antropólgico produzido pelo ministério público federal que põe os índios envolvidos no crime como vítimas.

No Rio Grande do Sul, dois agricultores foram assassinados por índios kaingang. Um deles foi varado por um lança que entrou pelas costas e atravessou o corpo. Ambos levaram tiros, golpes de facão e pauladas. O Conselho Indigenista Missionário soltou uma nota logo depois do crime informando que os índios só cometeram o assassinato porque tentavam salvar uma criança que havia sido sequestrada pelos vítimas.

Recentemente a Revista Ciência Hoje publicou uma matéria relatando pesquisas "científicas" da Fiocruz e da USP que afirma que o fogo e a caça feita pelos índios no Cerrado é bom para o meio ambiente e para a fauna. 

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Na Bahia um grupo de mestiços e afrodescendentes passou a se autodenominar índio e exigir uma área de 47 mil hectres no sul do estado. O grupo de organizou em milícia armadas e iniciou um processo sistemático de invasão de propriedades e expulsão violenta de seus donos. Mais de cem propriedades estão invadidas nesse momento. No último mês de fevereiro, um assentado da reforma agrária que lutava contra a demarcação, foi assassinado a tiros dentro de casa. Os principais suspeitos são da milícia indígena. Os donos dos imóveis procuraram a justiça e obtiveram ordens judiciais de reintegração de posse. Mas, a pedido do MPF, o Supremo Tribunal Federal suspendeu as ordens e autorizou os indigenóides a permanecerem nas áreas invadidas. É a violência do bem. 

Funai treina milícias de índios kaingang e guarani

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Vinte índios Kaingang e Guarani, residentes na Reserva Indígena Mangueirinha, no Paraná, participaram do curso de Vigilância e Proteção de Terras Indígenas, realizado pela Funai entre 27 a 29 de maio. A capacitação abordou dispositivos legais de proteção de terras indígenas, principais ameaças, ações e estratégias de vigilância.

O curso faz parte do Programa de Capacitação em Proteção Territorial da Funai, por meio da Coordenação Geral de Monitoramento Territorial – CGMT. Segundo o cacique Milton Kaingang, "a atividade foi muito importante para discutir nossos direitos e a situação atual da nossa terra. Espero que as novas gerações também saibam a luta que foi para demarcar isto aqui e a necessidade de cuidar da terra".

Com ajuda da Funai os índios mapearam vulnerabilidades da Reserva Indígena Mangueirinha e elaboraram um Projeto de Vigilância. Os indígenas demonstraram bastante disposição em atuar na proteção de suas terras e já iniciaram as ações práticas, percorrendo a parte norte da reserva verificando seus limites.

No ano passado, dentro do mesmo Programa de Capacitação em Proteção Territorial, os indígenas já haviam participado do curso de Cartografia Básica e Uso de GPS, ferramentas que dão suporte às atividades de vigilância indígena.

 


 

Fonte:
Questão Indígena

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