Pressão do financeiro acentua perdas da soja em Chicago

Publicado em 18/03/2013 12:19 e atualizado em 18/03/2013 13:07
1652 exibições
A soja despenca nesta segunda-feira (18) na Bolsa de Chicago. Na sessão de hoje, os futuros da oleaginosa iniciam mais uma semana com expressiva queda em seus principais vencimentos, dando continuidade à semana anterior que também foi bastante negativa. O mercado financeiro é o principal fator de pressão negativa para os preços não só da soja, como de demais commodities agrícolas. O milho e o trigo, também negociados em Chicago, o algodão, o açúcar e o café, em Nova York, também trabalham no vermelho. 

A notícia que pesa sobre os negócios nesta segunda é a proposta de resgate à economia do Chipre com um pacote de 10 bilhões de euros, que inclui a taxação de 10% sobre os depósitos bancários locais. Diante disso, a crise na Zona do Euro, bem como a confiança do bloco econômico, voltam ao foco e estimulam uma maior aversão ao risco por parte dos investidores. 

O cenário, portanto, se complementa com bolsas de valores em baixa ao redor do mundo e o dólar em alta. Os players do mercado acabam migrando para ativos mais seguros, como a moeda norte-americana, e deixam suas posições em ativos como as commodities agrícolas. O avanço do dólar acaba também pesando os preços e pressionando ainda mais o mercado. 

Essa é a primeira vez, desde o início da crise financeira na Uniao Europeia, que um pacote de ajuda conta com uma medida tão impopular. Ao mesmo tempo, o temor agora é de que possa se tornar mais comum e até mesmo um precedente para outros pacotes de ajuda. Dessa forma, volta a crescer a desconfiança sobre a real situação do sistema bancário da Zona do Euro. 

"Hoje o mundo financeiro acordou espantado, com uma atitude geral de "risk off", ou aversão ao risco, devido á decisão da União Europeia de cobrar impostos de até 10% sobre depósitos bancários na nação do Chipre, para que este país possa receber 10 bilhões de Euros em forma de resgate da União Europeia. O valor total estimado dos impostos sobre depósitos gira em torno de pouco mais de 5,5 bilhões de euros,ou seja, a União Europeia diz "você paga 5,5 bilhões e recebe 10 bi". Apesar de ser uma medida completamente controversial, ela não é por seu todo irracional, a não ser pelo fato de que gera "tremores" nos mercados financeiros pela possibilidade de ser uma indicação do que está por vir em países como Grécia, Itália, Portugal, Espanha, e outros. Os US$ 10 bilhões ajudariam o Chipre á diminuir o seu nível de debt-to-GDP, ou dívidas sobre PIB, para pouco acima de 90%, que hoje é a "média" na União Européia. Mas lembro que nos mercados financeiros, percepção é realidade, nem que seja temporariamente, e por isso vemos a reação geral de aversão ao risco em quase todas as classes de ativos nesta segunda feira", explicou o analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos. 

Os movimentos de realização de lucros no mercado internacional da soja foram iniciados na última semana, quando foram registradas expressivas baixas na Bolsa de Chicago. A notícia do pacote de ajuda ao Chipre, portanto, trouxe de volta uma preocupação com a situação da Zona do Euro, e intensificou a liquidação de posições por parte dos investidores, os quais buscam ativos mais seguros. 

No Valor: Pessimismo volta aos mercados com pedido de ajuda do Chipre

Bolsas de valores e juros em queda, dólar em alta. Esse é o resultado do acordo de socorro financeiro de 10 bilhões de euros acordado para o Chipre no fim de semana, que inclui uma taxação sobre depósitos bancários locais. Com isso, a crise da zona do euro retorna aos holofotes e a fuga do risco é geral nesta segunda-feira. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), por volta de 11h35, o Ibovespa perdia 0,50%, aos 56.583 pontos, sentindo as pressões na Europa. A queda generalizada impede que Petrobras colha os benefícios de ter anunciado um plano de investimentos conservador, na sexta-feira, o que preserva o caixa da empresa. Os papéis PN da estatal petrolífera caíam 0,05%, para R$ 19,08.

Veja a notícia na íntegra no site do Valor Econômico
Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

Nenhum comentário