Soja recua em Chicago, mas prêmios no Brasil compensam baixas

Publicado em 17/06/2014 19:16 e atualizado em 18/06/2014 04:05 1025 exibições

Os futuros da soja fecharam o pregão regular desta terça-feira (17) com forte baixa na Bolsa de Chicago. Os vencimentos mais negociados recuaram entre 3,25 e 23,50 pontos e o vencimento julho encerrou os negócios abaixo dos US$ 14 por bushel, valendo US$ 13,98. 

As perdas mais acentuadas no curto prazo são estimuladas, principalmente, por uma liquidação de posições por parte dos fundos de investimentos, nos chamados movimentos técnicos. E, de acordo com analistas, os investidores, ao se desfazerem de suas posições nos contratos mais próximos, compram os contratos mais distantes e amenizam o recuo no longo prazo. 

Porém, um cenário climático nos Estados Unidos que se aproxima da perfeição, também segundo analistas, complementa o quadro de pressão para os preços. "Já que o relatório do USDA não veio altista, o mercado decidiu por liquidar as posições e esse movimento vem sendo confirmado", explicou Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest. Em seu último boletim de acomapanhamento de safras, o departamento norte-americano apontou que o plantio da soja já está concluído em 92% da área e 73% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, o que acaba sendo mais um fator negativo para as cotações. 

A previsão do tempo para os próximos dias também são favoráveis. São esperadas temperaturas mais amenas e chuvas dentro da normalidade, o que deve estimular ainda mais a boa evolução das lavouras norte-americanas. A última estimativa do USDA é de que os EUA colham mais de 98 milhões de toneladas de soja na safra 2014/15. 

O comportamento do clima, nos Estados Unidos, deve manter e intensificar a volatilidade para o mercado nos próximos meses. As lavouras norte-americanas e sua evolução devem ser acompanhadas ainda mais de perto quando entrarem na fase de florada e enchimento de grãos. 

Como explicou Flávio França, consultor em agronegócio, "especialmente em em junho, julho e agosto, temos um tempo para ter uma definição da safra norte-americana. E ainda podemos ter bolhas especulativas de natureza climática nos próximos dois meses”. 

Prêmios no Brasil compensam perdas 

Essas perdas na CBOT, entretanto, estão sendo compensadas pelos compradores e os prêmios para o vencimento agosto, por exemplo, estão positivos em 60 centavos de dólar sobre o preço praticado em Chicago. Dessa forma, como explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, a demanda tenta estimular o interesse dos vendedores em fechar negócio. 

Entretanto, o ritmo de comercialização nessa semana está bastante lento e deve se manter assim, uma vez que hoje, em função do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, é feriado bancário depois do meio-dia e amanhã é véspera de feriado prolongado de Corpus Christi no país. 

"O mercado está parado e as equipes dos portos não acreditam que sairão novos negócios nos próximos dias", explica Brandalizze. Assim, as cotações no Brasil seguem estáveis e sem registrar um recuo expressivo frente à essa forte baixa na CBOT. Além disso, a disponibilidade de oferta no país também é apertada e os produtores que ainda têm produto da safra 2013/14 têm evitado consolidar novas vendas. 

Veja também como fechou o mercado do milho nesta terça-feira:

Milho: Com boas condições das lavouras nos EUA, mercado fecha em queda pelo 2º dia consecutivo

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta terça-feira (17) do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity reduziram as perdas, mas terminaram o dia com quedas entre 2,25 e 2,75 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,38 por bushel, após atingir o nível mais baixo desde 4 de fevereiro, de US$ 4,36 por bushel. 

As boas condições das lavouras norte-americanas, até o momento, têm sido o principal fator de pressão sobre os preços em Chicago. Segundo dados do novo boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 76% das lavouras estão em boas ou excelentes condições. E 20% apresentam condições regulares e 4% estão em condições ruins ou muito ruins. Na última semana, os números eram de 75%, 21% e 4%, respectivamente.

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, a classificação do milho é a quinta maior da história. E as previsões climáticas apontam que, um padrão de chuvas no Centro-Oeste dos EUA deve continuar limitando o risco de calor intenso nas próximas duas semanas. Além disso, a expectativa é que umidade irá contribuir para o crescimento das plantas. 

Apesar do cenário positivo e projeção de safra recorde nos EUA, segundo o USDA o país deverá colher 353,97 milhões de toneladas de milho nesta safra, analistas destacam que é preciso acompanhar o clima no país. Segundo o analista de mercado da Safras & Mercado, Flávio França, as condições climáticas ainda são boas, porém é preciso acompanhar o clima no restante do desenvolvimento da cultura. 

“Especialmente, em junho, julho e agosto, temos um tempo para ter uma definição da safra norte-americana. E ainda podemos ter bolhas especulativas de natureza climática nos próximos dois meses”, explica França. 

Por outro lado, as cotações em patamares menores acabam estimulando a demanda pelo produto. Nesta terça-feira, o departamento norte-americano reportou a venda de 134.500 mil toneladas de milho para o México, o volume deverá ser entregue na safra 2014/15.

No curto prazo, a tendência é que o clima favorável nos EUA limitem as altas, conforme apontam os analistas. Porém, oscilações positivas não estão descartadas, já que as exportações do país e as notícias de clima podem movimentar as cotações. Já no médio e longo prazo, a entrada da safra norte-americana pode manter os preços em patamares mais baixos, conforme informações do boletim da ODS (Serviços em Agronegócios). 

Já na análise técnica, os preços têm potencial para buscar os US$ 4,20 por bushel, uma vez que a cotação rompeu o patamar de suporte de US$ 4,75 por bushel. Entretanto, os analistas questionam se a preços mais baixos, os produtores rurais norte-americanos irão negociar a produção de milho. Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, cerca de 50% da safra dos EUA ainda precisa ser negociada.

BMF&Bovespa

Na BMF, as cotações do cereal encerraram o pregão em terreno misto, próximos da estabilidade. A sessão foi encerrada mais cedo nesta terça-feira, em função do jogo da seleção brasileira contra o México. Com isso, as negociações também foram mais lentas. O julho/14 terminou o pregão cotado a R$ 24,75 a saca. 

Nas últimas semanas, as cotações futuras têm sido pressionadas pelo recuo registrado em Chicago, assim como, o dólar em patamar mais baixo. Do mesmo modo, com os preços nos portos do país menos atrativos também contribuem para a formação desse cenário. Já as exportações permanecem mais lentas nesse momento, e a expectativa dos participantes do mercado é que ganhe ritmo a partir do segundo semestre. 

Enquanto isso, temos os preços do cereal no mercado interno com mais pressão, nesse momento, já que a colheita da segunda safra já teve início no país. Consequentemente, a estratégia de parte dos produtores rurais será segurar o produto à espera de melhores oportunidades de negócios. Com o aquecimento das exportações, a partir do segundo semestre, a perspectiva é que as cotações fiquem mais atrativas aos agricultores. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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