USDA anuncia nova venda e soja opera com boas altas em Chicago

Publicado em 28/07/2014 12:26 2681 exibições

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou uma nova venda de soja para a China nesta segunda-feira (28) e os preços da oleaginosa na Bolsa de Chicago, que já operavam em campo positivo, foram ainda mais estimulados. Foram 486 mil toneladas de soja em grão da nova safra e a notícia vem reforçando a força da demanda que tem permitido uma recuperação das cotações em Chicago depois das últimas quedas.

Assim, por volta das 11h50 (horário de Brasília), o vencimento novembro, referência para a safra dos Estados Unuidos, era cotado a US$ 10,99, subindo 15,20 pontos, e o maio, referência para a safra brasileira, valia US$ 11,17, com alta de 15 pontos. 

Segundo explicou o analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora, o mercado precificou rapidamente as variáveis negativas que foram colocadas, principalmente depois do último boletim de oferta e demanda do USDA em 11 de julho, e agora os preços precisam buscar se estabilizar. Agora, fatores novos que chegam ao mercado permitem, portanto, essa estabilidade e esse recuperação. 

Um desses fatores é a demanda e as novas informações que chegam sobre o consumo. Para Motter, o mercado observa agora uma antecipação da demanda e um impacto muito positivo sendo sentido pelas cotações no mercado internacional. Na última semana, o USDA já vinha reportando várias vendas não só de soja em grão, mas também farelo e óleo em boas quantidades. 

As baixas recentes tornaram os preços mais atrativos e os consumidores e fundos de investimentos vêm agora boas oportunidades e voltam às compras. "Assim como o vendedor tem recuado bastante (esperando melhores momentos para comercializar), os compradores  vêm uma oportunidade de compras. Na média geral, se vê uma maior pressão compradora, portanto", acredita Motter. "Nós tivemos os menores preços em quatro anos nas últimas semanas", completa. 

Atuação dos fundos

E depois do forte movimento de venda de posições por parte dos fundos de investimentos, muito deles agora voltam ao mercado na ponta compradora. "Fundos que estão até sobrevendidos em algumas posições, dado a avalanche de vendas que tivemos nessa primeira parte de julho, também vêem uma oportunidade no campo especulativo de atuar com compras, imaginando que qualquer tensão climática nos EUA em agosto possa mudar o quadro", diz o analista. 

Clima nos Estados Unidos

Outro componente que permite um avanço mais expressivo dos preços é a especulação sobre o clima nos Estados Unidos. Para a região Oeste do Corn Belt ainda há previsão de clima mais seco nos próximos 12 a 15 dias, o que é bom nesse momento depois de excessivas chuvas no mês de junho, porém, é preciso acompanhar e saber se, ao final desse período, ainda se projete essas chuvas mais limitadas. "Podemos ter especulações no mercado climático pela frente e, nesses últimos dias, os noticiários já estão levando isso mais em conta", explica o analista.  

Mercado Interno

No Brasil, as expectativas seguem positivas para os preços já que, além de uma referência mais alta em Chicago, os prêmios pagos nos portos brasileiros seguem elevados. E, com essa alta na CBOT nesta segunda-feira, os preços nos portos hoje poderiam registrar alguma valorização também.

Na última semana, de acordo com um levantamento feito pelo economista André Lopes, do Notícias Agrícolas, o vencimento agosto praticado em Chicago mais o valor do prêmio teve uma valorização na semana de 3,46% e, no setembro, a alta foi de 2,47%. Em reais por saca, o ganho semanal, com o prêmio, foi de 3,74% e 2,75%, respectivamente. 

Para Camilo Motter, devido a esse quadro de uma menor oferta disponível e baixos preços estimulando as compras, poderão ser registrados preços acima da paridade de exportação, principalmente a partir de setembro e outro, em algumas praças de comercialização. 

"Acredito que oscilaremos entre safra americana, disponibilidade interna e vontade do produtor de vir a mercado e o comportamento do câmbio, esses são os elementos que vão direcionar os preços", explica o analista. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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