Soja: ainda com foco no clima do EUA, mercado tem sexta negativa

Publicado em 19/09/2014 07:44 1283 exibições

Nesta sexta-feira (19), na última sessão da semana, os futuros da soja seguem operando em campo negativo e, por volta das 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos perdiam entre 4,75 e 5,75 pontos. O contrato novembro/14, referência para a safra dos Estados Unidos, já trabalhava valedo US$ 9,66 por bushel. 

A pressão contínua às cotações se dá por conta do bom desenvolvimento da nova safra de grãos dos Estados Unidos, bem como as boas condições de clima nas principais regiões produtoras do país e o avanço da colheita em algumas localidades, onde a produtividade reportada tem sido recorde. 

Para Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, essa ainda deve ser uma tendência para os preços, já que o mercado mantém suas atenções voltadas para as informações de oferta, mesmo com boas notícias chegando do lado da demanda. 

"Agora, esse é um mercado frágil e que ainda olha muito para a situação de clima, e como para os próximos 5 a 7 dias não são esperados problemas climáticos, o mercado continua pressionado, mesmo tendo demanda", diz. 

Ainda de acordo com Brandalizze, esse mercado deve permanecer frágil e pressionado pelo menos até que cerca de 80 a 90% da área de soja norte-americana já estejam colhidos, ou seja, até o final de outubro, caso tudo continue ocorrendo normalmente em solo americano. 

Leia mais sobre o clima nos EUA no link abaixo:

>> EUA 2014/15: Corn Belt tem clima favorável, avanço da colheita e produtividade recorde

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira (18):

A soja encerrou a sessão regular desta quinta-feira (18) com baixas de dois dígitos nos principais vencimentos e preços, novamente, abaixo dos US$ 10,00 por bushel na Bolsa de Chicago. 

O quadro climático no Meio-Oeste americano mostra-se muito favorável à conclusão da nova safra de grãos dos Estados Unidos e, consequentemente, age como principal fator de pressão para as cotações no mercado futuro norte-americano. 

Assim, o vencimento novembro/14, referência para a produção dos EUA, encerrou os negócios valendo US$ 9,71 por bushel, com perda de 11 pontos, enquanto o maio/15, referência para a safra do Brasil ficou em US$ 9,94, recuando 12 pontos. 

De acordo com informações de sites internacionais, a situação é de clima favorável nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos e, em algumas áreas, a colheita já começou e, com esse cenário, vem ganhando ritmo e trazendo reportes de produtividade recorde. 

"Os sinais de atraso na maturação, que passaram a ser uma das preocupações (dos produtores e do mercado) porque poderia inviabilizar a colheita de áreas extensas, parece ter diminuído. E as ameaças com as geadas, por hora, estão confinadas ao que aconteceu no último final de semana", explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora, Camilo Motter. 

No Arkansas, ao sul do Meio-Oeste americano, dois produtores de soja já registram produtividade recorde no estado para este ano. De acordo com informações do site norte-americano AGWeb, um deles já passou das 110 sacas por hectare (cerca de 100 bushels por acre), enquanto o outro já registra um rendimento de, aproximadamente, 127 sacas (112 bushels/acre). 

Passado o susto inicial das primeiras geadas da temporada - que ainda geram incertezas sobre os reais danos causados no último final de semana - a DTN prevê agora que a continuidade da tendência de dias mais quentes, com temperaturas ligeiramente mais baixas, pelo menos para os próximos sete dias. 

No curto prazo, menos chuvas do que eram esperadas, porém, ainda em bons volumes, e que favorecem os trabalhos de campo, principalmente em áreas onde a colheita já se iniciou. E são condições como essas que deverão beneficiar também a maturação das plantas, principalmente de soja que estão em fase de enchimento de grãos. 

"Tivemos algumas lavouras afetadas por geadas nos EUA, mas elas tiveram mais um efeito estético nas plantas do que de perda de produtividade, efetivamente. Agora, o mercado aguarda essa entrada do produto físico, que deve ser muito grande", afirma o analista de mercado Stefan Tomkiw, da Jefferies Corretora, de Nova York. 

Demanda 

Nesta quinta-feira, boas informações chegaram também do lado da demanda, porém, nem mesmo esses dados foram suficientes para limitar as baixas registradas em Chicago. Hoje, o USDA anunciou a terceira venda de soja para a China somente nesta semana - de 110 mil toneladas neste caso. 

Além disso, ainda de acordo com o departamento norte-americano, as vendas semanais para exportação dos EUA ficaram em 1.466,6 milhão de toneladas. O número, no entanto, ficou bem abaixo do registrado na semana anterior, de 2.324,7 milhões de toneladas, porém, acima de 1,25 milhão estimados pelo mercado. O USDA trouxe ainda a vende 2,4 mil toneladas da safra 2015/16.

"A demanda está presente, está acompanhando o mercado. Mas, ela tem sido relativamente modesta nos volumes comprados, até porque os compradores observam que há esse grande volume de soja entrando no mercado e compram em escalas de baixa. De qualquer forma, porém, a demanda está presente, mas, nesse momento, é insuficiente para enxugar todo esse excesso de oferta que há no mercado", diz Tomkiw. 

No Brasil

Enquanto isso, no Brasil, os preços tentam se manter próximos da estabilidade diante dessa forte volatilidade em Chicago, que segundo o consultor de mercado Ênio Fernandes, deve se manter ainda por um bom tempo, com as cotações oscilando entre os US$ 9,50 e US$ 10,00 por bushel. 

Nos portos, o preço da oleaginosa apresentou pouca oscilação. Em Paranaguá, o valor se manteve nos R$ 57,00 por saca, bem como em Rio Grande, que encerrou o dia com R$ 57,20. A comercialização segue travada e os produtores concentram seus esforços agora no início do plantio da nova safra. 

Em estados onde o vazio sanitário já se encerrou, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, no entanto, as chuvas ainda não chegaram em volumes suficientes para permitir que os sojicultores iniciem os trabalhos no campo. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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