Soja foca clima adverso nos EUA e BR e fecha com forte alta

Publicado em 13/10/2014 17:41 2112 exibições

EUA Radar 14.10.2014 - AccuWeather

Imagem de Radar - EUA - Chuvas fortes no Meio-Oeste - Fonte: AccuWeather - 17h40 (Brasília) 

Áreas em amarelo indicando chuvas fortes 

Na sessão desta segunda-feira (13), os preços da soja fecharam com mais de 20 pontos de alta na Bolsa de Chicago. O foco dos investidores se voltou, novamente, para as condições de clima adverso no Brasil e, principalmente nos Estados Unidos, o que fez com o que o mercado recuperasse boa parte das perdas registradas na última sexta-feira (10). 

Nos campos norte-americanos, os produtores sofrem com o excesso de chuvas que impedem o bom andamento da colheita no país. Em muitas regiões, os trabalhos de campo estão paralisados por conta dos elevados acumulados de precipitações. O último final de semana foi de muita chuva em importantes estados produtores de soja e milho e essa semana também começou com um clima bastante úmido. 

O Serviço Nacional de Clima dos EUA acredita que as tempestades de hoje e terça-feira (14) se estendam até os estados localizados na costa do Golfo e também para a área central do Meio-Oeste, além da possibilidade ventos muito fortes e até de alguns tornados. Já as previsões de mais longo prazo, para o final de outubro, mostram um tempo mais seco. 

Segundo analistas, os números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última sexta-feira (10) em uma atualização do boletim mensal de oferta e demanda acabaram perdendo a atenção dos investidores diante desse complicado cenário climático. Além disso,as condições no Brasil também não são favoráveis ao plantio da nova safra e também atuam como fatores positivos para os negócios e atraem os olhares dos traders.

Nesta terça-feira, o departamento agrícola norte-americano traz seu novo boletim de acompanhamento de safras e então o mercado conhecerá o índice de área colhida até o último domingo (12), outra informação que poderia mexer com o ânimo dos negócios. O reporte deveria ser divulgado nesta segunda, porém, em função do Columbus Day, feriado para alguns setores nos EUA, o foi adiado para o dia seguinte. 

Serão divulgados também  os dados de embarques semanais, trazendo informações da demanda pela soja norte-americana. 

Outro fator que estimulou o expressivo avanço das cotações da soja no mercado futuro norte-americano foi o recuo do dólar frente a uma cesta de moedas internacionais. "Um dólar mais baixo adiciona algum suporte ao mercado, já que torna o produto norte-americano mais competitivo nos mercados mundiais", explica o analista de mercado Bob Burgdorfer, do site norte-americano Farm Futures. 

Recuo no Brasil

Por outro lado, a queda de mais de 1% da moeda norte-americana frente ao real pressionou as cotações no mercado interno brasileiro. Nesta segunda-feira, o dólar caiu 1,27% e fechou a R$ 2,39 frente ao avanço de Aécio Neves nas pesquisas eleitorais. 

"Cada vez mais, está ficando aparente que o Aécio está chegando ao segundo turno em uma posição relativamente boa", disse o economista da Lerosa Investimentos Carlos Vieira à agência Reuters. 

Assim, no porto de Paranaguá, o preço da soja com entrega em maio de 2015 caiu 0,54% e fechou em  R$ 55,00 por saca. Já em Rio Grande, a soja disponível também recuou - nesse caso 0,34% para R$ 59,00 -, porém, o produto futuro registrou uma valorização de 0,70% e ficou em R$ 57,40. 

Com esse quadro, um levantamento feito pela AgRural mostrou que o Brasil registra, esse ano, o ritmo de vendas mais lento desde 2009. A comercialização está travada, com os produtores aguardando melhores oportunidades de comercialização, o que vem sendo refletido em prêmios positivos pagos nos portos brasileiros. 

De acordo com o levantamento, somente 13% da temporada 2014/15 estava vendida, contra 31% registrados no mesmo período do ano passado. Para essa época, a média dos últimos cinco anos é de 32%. 

Clima atrapalha colheita nos EUA e plantio no Brasil

Excesso de chuvas nos EUA

O final de semana foi de chuvas excessivas no Corn Belt e a semana também começou bastante úmida na principal região produtora de grãos do país. O cenário significa, portanto, mais atrasos para a colheita da safra 2014/15 tanto para a soja quanto para o milho, bem como para o plantio da nova temporada de trigo no país. 

"As chuvas deverão ser pesadas e generalizadas em todo o Meio-Oeste, um pouco menos intensas nas regiões do noroeste nesta segunda e terça-feiras, o que irá paralisar as colheitas de soja e milho", disse o agrometeorologista sênior do MDA Weather Services Kyle Tapley. 

EUA - Radar 13.10.2014

Imagem de Radar - EUA - Chuvas fortes no Meio-Oeste - Fonte: AccuWeather - 13h15 (Brasília) 

EUA Radar - Illinois - 13.10.2014

Imagem de Radar - EUA/Illinois - Chuvas fortes - Fonte: Farm Futures + Google

De acordo com o meteorologista do instituto Freese-Notis Weather, Inc., Wayne Ellis, o terço mais a oeste do Corn Belt deverá estar menos úmido no final desta terça-feira (14), porém, as chuvas continuarão atingindo as áreas centro e leste até quinta (16) e sexta-feira (17). 

"As chuvas mais pesadas serão registradas nas áreas centro e sudeste do Meio-Oeste. Nos próximos cinco dias, as precipitações deverão totalizar de 25,40 a 76,20 mm, com algumas áreas isoladas podendo receber até mais do que isso. As demais regiões, mais a o oeste e noroeste, deverão receber até 25,4 mm" explica Ellis. 

Complementando o quadro adverso, essas chuvas excessivas são acompanhadas de baixas temperaturas. No último sábado, as mínimas desceram para zero grau no nordeste de Nebraska, norte de Iowa em quase todo o sul de Wisconsin . "Quase toda a região norte do Corn Belt ficou sob temperaturas congelantes no final de semana", disse o meteorologista da Freese-Notis Weather, Inc.

Completando, Kyle Tapley afirma que "as geadas foram mais esparsas que o esperado neste último final de semana no centro de Iowa e Michigan e no sul de Wisconsin, mas, o clima um pouco mais quente esta semana deve limitar a ameaça dessas geadas".

Previsões mais distantes - As previsões para os próximos sete dias indicam que enquanto o clima excessivamente úmido e chuvoso limitou a colheita na região sul do Corn Belt na última semana, agora as chuvas se movem para o leste. Para as próximas semanas, no entanto, na segunda quinzena de outubro, esse quadro deve mudar e as chuvas devem ser menos intensas e, aos poucos, irem se dissipando, permitindo a retomada dos trabalhos de campo no Corn Belt. Veja abaixo os mapas do NOAA para as próximas semanas:

Chuvas nos EUA - 18 a 22 de outubro - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA - 18 a 22 de outubro - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA - 20 a 26 de outubro - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA - 20 a 26 de outubro - Fonte: NOAA

 

No Brasil, clima segue irregular

No Brasil, o clima segue irregular e comprometendo um avanço mais significativo do plantio. No Centro-Oeste, os trabalhos de campo estão parados por conta da falta de chuvas e as previsões continuam indicando uma semana ainda muito quente e seca no país. 

Segundo o boletim semanal da Climatempo, "estamos sob influência de uma grande e forte massa de ar seco, que está atuando como um bloqueio atmosférico. Isso impede a formação de nuvens de chuva e a entrada de frentes frias no País.  A chuva vai continuar concentrada em poucas áreas nas regiões norte e sul do Brasil (...)  No sul e leste gaúchos, há inclusive risco de temporais".

Chuva acumulada entre 14 e 18 de outubro

Baixo acumulado de chuvas para todo o Brasil - Fonte: Climatempo

Por conta disso, as temperaturas em boa parte do Centro-Oeste do Brasil, principal região produtora de soja, devem registrar médias bastante elevadas. O calor deverá ser intenso e bater perto dos 40°C. 

Média da temperatura máxima para a 1ª pêntada

Média de Temperaturas - Fonte: Climatempo

De acordo com Ana Maria Heuminski, meteorologista do Cepagri, a chegada das chuvas deve ficar ainda mais atrasada, prevista para os dias 20 e 21 de outubro, primeiramente nos estados de São Paulo e Minas Gerais. 

"Essas chuvas devem chegar no dia 21 no estado de São Paulo e atingir toda a região central do país, ou seja, esse quadro de baixa umidade que temos observado nos últimos dias deve mudar a partir desse dia, com essas precipitações chegando da região Amazônica", explica Ana Maria. "Essa umidade da região Amazônica precisa se espalhar e as chuvas regionalizadas deverão se generalizar", completa. 

Com informações do site FarmFuturesAgriculture.comNOAA e Climatempo

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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