Soja: Mercado tem dia de estabilidade e pouca movimentação em Chicago

Publicado em 01/12/2014 12:41 337 exibições

Apesar das movimentações pouco intensas nesta segunda-feira (1), os preços da soja na Bolsa de Chicago trabalham com volatilidade, oscilando entre os campos positivo e negativo. Mais cedo, os principais vencimentos exibiam ligeiros ganhos, porém, por volta das 13h (horário de Brasília), as cotações voltaram a recuar e perdiam pouco mais de 4 pontos. 

Assim, o contrato janeiro/14 era cotado a US$ 10,12 por bushel e o maio/15, referência para a safra brasileira, operava a US$ 10,25. E esse mercado de variações menos expressivas se dá depois da forte queda registrada na última sexta-feira (28), quando o mercado voltou do feriado da  Ação de Graças nos EUA na quinta-feira, segundo explica Bryce Knorr, editor sênior do site norte-americano Farm Futures. 

Ao mesmo tempo, o mercado internacional de commodities agrícolas - incluindo o da soja - segue recebendo uma influência negativa do cenário macroeconômico, principalmente em função de uma derrocada dos preços dos petróleo. Nesta segunda-feira, os preços do brent caíram mais de US$ 2,00 por barril, levando as cotações para menos de US$ 68,00 e, nos Estados Unidos, o barril já é cotado a menos de US$ 66,00, quando especialistas afirmavam que esse mercado não poderia perder o importante patamar dos US$ 70,00. 

Apesar desse forte declínio dos preços, a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) mantém sua decisão de não cortar sua produção e, de acordo com especialistas, em 2015 os preços globais deverão se manter na casa dos US$ 70,00/barril, segundo apurou a agência de notícias Reuters. Por outro lado, alguns analistas em baixas mais acentuadas ainda e os preços podendo chegar a US$ 40,00. 

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"É impossível o preço do petróleo continuar caindo e não afetar as outras commodities. Podemos ter uma visão positiva e uma negativa. Com o preço do petróleo mais barato, a energia no mundo fica mais barata, podemos ter um crescimento da Europa e acelerar o crescimento dos Estados Unidos, essa é uma visão positiva. Agora, essa queda no preço poderia ser não só uma super oferta de produção, mas também o mundo não crescendo. Então, ainda é muito cedo para ver o que está acontecendo e entender o que há com o mercado de petróleo para depois transportar isso para as outras commodities", explica o consultor de mercado Ênio Fernandes. 

Entre os fundamentos, o mercado continua atento às notícias de oferta e demanda, principalmente observando de que forma a nova safra da América do Sul irá se consolidar e compor o quadro geral de produto da safra 2014/15. 

"O Brasil está com 85% plantado e a Argentina com 48%. A safra ainda não está toda plantada e essa safra, no Centro Sul brasileiro, teve uma implantação muito irregular (...) Temos lavouras lindas e lavouras mal desenvolvidas, então, essa safra está muito incerta, podemos ter uma média de produtividade baixa (...) E essa série de incertezas que nós temos, os grandes players e demandadores do mundo também têm", diz Fernandes. 

Sobre a demanda, o consultor confirma a robustez do consumo, porém, é mais cauteloso sobre sua atuação na sustentação das cotações. "A demanda está robusta e era previsível que ela seria assim porque os preços caem. A função do preço barato é comprar demanda e é isso que está acontecendo, só que há um momento em que você satisfaz essa demanda e com a certeza de uma boa safra na América do Sul (mais adiante) e os chineses bem comprados, eles vão continuar demandando, mas, mais paulatinamente", explica.

Ainda nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz um novo boletim semanal dos embarques de grãos do país e os dados podem definir uma direção melhor para as cotações. Na última semana, o órgão mostrou que, na semana que terminou no dia 20 de novembro, os EUA haviam embarcado 2.784,91 milhões de toneladas e, no acumulado da temporada comercial, esse número era de 19.410,09 milhões de toneladas, volume que é mais de 3 milhões de toneladas maior do que o registrado no mesmo período da temporada 2013/14. A estimativa do USDA para as exportações de todo o ano comercial é de 46,81 milhões de toneladas.

No link abaixo, confira a íntegra da entrevista de Ênio Fernandes:

>> Ênio Fernandes - Consultor de Mercado

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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