Chove no Brasil, mas não o bastante para início do plantio da nova safra de verão

Publicado em 06/09/2016 10:30 e atualizado em 07/09/2016 06:08
1730 exibições

Segundo números da Climatempo, as chuvas voltaram a ocorrer em algumas regiões do Brasil. Como indica o mapa a seguir, nos últimos cinco dias, no Centro-Oeste o estado de Mato Grosso recebeu de 5 a 20 mm; Mato Grosso do Sul, de 15 a 25 mm, parte do Goiás de 1 a 10 mm; já no Sul do país, Rio Grande do Sul registrou de 15 e 30 mm, enquanto Paraná e Santa Catarina receberam de 5 a 15 mm. 

No Sudeste, chove mais de 20 mm nesta terça-feira (6) e, nos últimos cinco dias, os acumulados mais elevados foram em São Paulo, no Espírito Santo e Rio de Janeiro - de 1 a 10 mm -, enquanto em Minas Gerais, apenas o sul do estado registrou a ocorrência de precipitações. No Nordeste, o leste da Bahia contou com chuvas de 5 a 10 mm nos últimos cinco dias. 

Acumulado de Chuvas nos últimos 5 dias - Fonte: Climatempo

Essas chuvas começam a se intensificar nesta semana, ainda segundo a Climatempo, com a instensificação de um sistema de baixa pressão ao largo da Costa do Rio Grande do Sul e que ganha força a partir desta terça-feira, a nove dias do final do período do vazio sanitário na maior parte dos estados produtores de soja do Brasil. No entanto, a pergunta da maior parte dos produtores brasileiros neste momento, prestes a darem início ao plantio da nova safra de soja, é se essas condições de clima permanecem e se estendem até o início dos trabalhos de campo.

Por enquanto, a resposta ainda é não. De acordo como climatologista Luiz Carlos Molion, a estação chuvosa deve se atrasar este ano e a previsão é de que as precipitações regulares possam ser registradas somente no segundo bimestre do ano, podendo atrasar a semeadura da safra de verão em boa parte do Brasil. 

“O produtor rural deve ter paciência e esperar a estação chuvosa se formar”, aconselha Molion. “Se cair uma ou outra chuva [antes da terceira semana de novembro], esta deverá ser localizada”.

Diante de situações como estas que a tecnologia e o cruzamento de informações são fundamentais para minimizar os impactos dos riscos climáticos sobre a safra. Com isso, uma equipe de profissionais com larga experiência no agronegócio desenvolveu uma ferramenta que visa contribuir com o dia a dia do produtor rural. Trata-se do Crop View. 

"Cropview é uma ferramenta de gestão que auxilia o produtor nas grandes decisões de investimentos. Calcula como o clima afeta a produtividade, se existem alertas de geadas ou aparecimento de doenças por causa do clima. Com o Cropview você acompannha o histórico de produtividade dos últimos 10 anos na sua região e até da sua propriedade, além de saber qual a janela ideal para plantio e colheita. No site é possível fazer simulação de safra a acompanhar a previsão do tempo para 15 dias e a tendência climática para os próximos 6 meses", explica a equipe do projeto.

Próximos dias

Já na próxima semana, no período de 11 a 15 de setembro, o tempo volta a secar e as chuvas ficarão ainda mais escassas, de acordo com as previsões da Climatempo. "A temperatura irá subir e o predomínio será de bastante calor na maioria das áreas", informa o boletim semanal do instituto de meteorologia.

Figura 3


>> Chuvas: Acompanhe as imagens de cinco satélites em tempo real

Chuvas Regulares

Como explica Molion, o planejamento e a cautela devem ser as palavras dessa nova safra brasileira, uma vez que a possibilidade de que o período ideal para o plantio possa chegar somente na terceira semana de novembro é grande. Há ainda, de acordo com suas previsões e estudos, a probabilidade de chuvas regulares e acima da média ainda em dezembro, porém, com a chance de um veranico antecipado em janeiro. 

“Quem for fazer safrinha está bem servido, mas o produtor precisa tomar cuidado porque nós estamos vindo de um período crítico”, diz o climatologista. 

Além disso, Molion segue reforçando a necessidade de se acompanhar os efeitos do La Niña e o fortalecimento deste fenômeno. Seus estudos mostram ainda que, em comparação com os números de 1998, o mesmo poderia ter duração de até três anos. 

No link abaixo, confira a íntegra de sua última entrevista ao Notícias Agrícolas, em 29 de agosto:

>> Chuvas regulares previstas apenas para o último bimestre do ano podem atrasar plantio da safra de verão em boa parte do país.

NA FOLHA DE S. PAULO (por MAURO ZAFALON,  coluna VAIEVEM DAS COMMODITIES):

Clima afeta produção, e Brasil tem 1ª queda de safra em 7 anos

A crise chegou ao setor agrícola. Não tanto pelos efeitos da desaceleração da economia brasileira, mas mais pelos efeitos climáticos.

Embora o país tenha semeado uma área recorde de 58,3 milhões de hectares na safra 2015/16, a produção total de grãos será a menor desde 2012. É o primeiro recuo em sete anos.

Os dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) desta terça-feira (6) apontam para novo recuo de produção de grãos. Desta vez, para 186,4 milhões de toneladas.

O volume de produção deste ano é 21,4 milhões de toneladas inferior ao da safra passada, quando o país produziu 207,8 milhões de toneladas.

O principal motivo dessa desaceleração na produção foi a queda generalizada na produtividade brasileira de grãos. Considerando um dado médio para o país, ele é o menor em cinco anos.

A queda de produção ocorreu em praticamente todos os itens da safra semeada no verão.

Além da queda de produção, boa parte dos principais produtos brasileiros exportáveis teve redução de preços no exterior, como soja e milho.

Essa conjugação de recuos na produção e nos preços faz com que a renda dos produtores, representada pelo Valor Bruto de Produção, tenha queda neste ano em relação ao anterior. A redução média do VBP das lavouras será de 1% no ano.

A desaceleração da produção agrícola fez com que o PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio tivesse uma redução em todas as fases de comparação.

A atividade da agricultura no segundo trimestre deste ano recuou 2% ante o trimestre imediatamente anterior; caiu 3,15% em relação ao mesmo período de 2015; recuou 2,4% nos quatro trimestres acumulados e 3,4% no acumulado do ano em relação a igual período de 2015, segundo dados do IBGE.

Uma das consequências dessa quebra de ritmo da produção de grãos brasileira recai sobre os consumidores.

A produção de feijão cai 22% neste ano, reduzindo os estoques finais da safra para apenas 49 mil toneladas. Esse volume é suficiente para apenas seis dias de consumo nacional. O preço disparou.

O clima afetou também a produção de arroz, que caiu para 10,6 milhões de toneladas, 15% menos do que na safra anterior. Com isso, os estoques finais recuam para 316 mil toneladas, o suficiente para 36 dias.

Para que esse volume de arroz seja atingido no final de safra, o governo estima um aumento de 158% nas importações do cereal e recuo de 19% nas exportações.

*
 

Soja - A mais recente estimativa da Conab indica produção de 95,4 milhões de toneladas, 1% menos do que na safra anterior.

Milho - Com recuo previsto de 25% na segunda safra, a chamada safrinha, a produção total do país recua para 67 milhões de toneladas, a menor em cinco anos.

Verão - A produção de verão ficou em 25,9 milhões de toneladas, com queda de 14%, e a de inverno deverá cair para 41,1 milhões de toneladas.

Mais afetas 1 - A região Nordeste foi a mais afetada pelo clima neste ano. A produtividade das lavouras teve recuo de 34%. Piauí esteve na liderança, com recuo de 51%.

Mais afetadas 2 - A região Centro-Oeste, líder em produção, teve a segunda maior queda: -17%. Em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, as quedas foram de 20% e 19%, respectivamente. 

Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas + FOLHA

0 comentário