Soja: Mercados em Chicago e no Brasil, à espera pelo USDA, fecham estáveis nesta 3ª feira

Publicado em 11/10/2016 17:13
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A sessão desta terça-feira (11) foi de pouca movimentação para as cotações da soja negociadas na Bolsa de Chicago e o mercado fechou com estabilidade. O contrato novembro/16 terminou o dia com baixa de 0,25 ponto, valendo US$ 9,54 por bushel, enquanto os demais subiram entre 0,25 e 0,50 ponto, levando o maio/17, indicativo para os negócios no Brasil, a US$ 9,75. 

A cautela dos investidores se dá, como explicam analistas e consultores, pela espera do novo reporte mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que chega nesta quarta-feira, 12 de outubro. Na soja, a média de produtividade, a área colhida e a produção podem, como explicam analistas internacionais, ser revisados para cima. 

"Caso isso, de fato, se confirme, mudam também os números dos estoques norte-americanos, principalmente ao serem cruzados com os números dos estoques trimestrais [divulgados em setembro], e isso tudo enquanto a demanda ainda permanece sendo um mistério [apesar de toda a força exibida nos últimos meses]", diz Darin Newson, analista sênior do portal internacional DTN The Progressive Farmer. 

Os estoques norte-americanos têm média esperada de 11,29 milhões de toneladas, contra as 9,93 milhões de setembro e frente as 5,36 milhões da temporada anterior. A produção de soja deve subir e de forma expressiva, segundo as expectativas do mercado. As projeções variam de 112,86 milhões a 118,56 milhões de toneladas. Assim, a média vai a 116,4 milhões de toneladas, superando largamente o número de setemebro de 114,33 milhões. Na temporada passada, os EUA colheram 106,93 milhões de toneladas da oleaginosa. 

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"Desta forma, há um ambiente negativo neste momento, mesmo que tenhamos bons fundamentos no lado da demanda", explica Vlamir Brandalizze. O consultor da Brandalizze Consulting lembra ainda que, além dessas projeções de uma safra grande nos EUA, há também boas condições de clima para a conclusão da safra americana, o que pode acentuar a pressão sobre as cotações. 

Assim, nem mesmo os fortes embarques semanais norte-americanos de soja de quase 2 milhões de toneladas reportados nesta terça-feira foram suficientes para estimular um ganho mais expressivo e sólido dos preços em Chicago. Na semana encerrada em 6 de outubro, os EUA embarcaram 1.801,074 milhão de toneladas, contra projeções que oscilavam de 1 milhão a 1,2 milhão de toneladas. O volume superou ainda o registrado na semana anterior - 1.109,560 milhão - e elevou o acumulado na temporada a 5.204,688 milhões de toneladas, contra 4.395,507 milhões do mesmo período da temporada anterior. 

Correndo por fora, vem o plantio da safra 2016/17 da América do Sul. Na medida em que os trabalhos de campo avançam, as especulações sobre o tamanho e seu potencial também crescem e ganham mais espaço nos negócios. Juntos, afinal, Brasil, Argentina e Paraguai produzem 51% da soja de todo o mundo. 

Para o consultor internacional Michael Cordonnier, a safra sul-americana deverá chegar as 174,2 milhões de toneladas, de acordo com sua última estimativa divulgada nesta terça-feira (11), contra as 165,5 milhões da temporada 2015/16. As projeções do especialista variam entre 166,9 e 181 milhões de toneladas. 

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Mercado Brasileiro

Cordonnier estima a safra de soja do Brasil em 101 milhões de toneladas, podendo ficar entre 97 e 104 milhões. O número veio ligeiramente maior do que o registrado há uma semana e é reflexo, segundo explica o consultor, do desenvolvimento da semeadura melhor do que o esperado, superando, em algumas regiões, o ritmo do ano passado. Além disso, acredita também que os produtores do sul do país não façam toda a migração para o milho como previam mais cedo. 

Enquanto isso, os preços da soja brasileira pouco evoluem, tal qual a comercialização. Os momentos mais oportunos são aproveitados pelos sojicultores, porém, ainda de forma pontual e com poucos volumes. Ainda de acordo com o consultor internacional, há menos de 30% da soja da nova safra já comercializada - número que fica em linha com o de outras consultorias - contra 40% do ano comercial anterior. 

E nesta terça-feira, os preços mantiveram sua estabilidade na maior parte das principais praças de comercialização, com as referências oscilando entre R$ 65,00 e R$ 75,00 por saca, em média. Nos portos, com a estabilidade também do dólar, as cotações registraram pouca movimentação. Em Paranaguá, R$ 76,00 por saca no disponível e no futuro, ambos estáveis, e em Rio Grande, respectivamente, R$ 75,10 e R$ 77,00, com queda de 0,53 e alta de 0,26%. 

No link abaixo, confira as cotações completas desta terça-feira:

>> MERCADO DA SOJA

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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