Soja fecha em alta nesta 3ª na CBOT com novas vendas anunciadas pelo USDA e forte esmagamento no EUA

Publicado em 15/11/2016 16:53
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O pregão desta terça-feira, 15 de novembro, foi bastante calmo para o mercado da soja na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa, durante todo o dia, trabalharam com oscilações bastante tímidas e testando os dois lados da tabela e, agora, apenas as posições mais distantes conseguem se sustentar acima dos US$ 10,00 por bushel. Ainda assim, a commodity encerrou o dia subindo pouco mais de 5 pontos, com o janeiro/17 valendo US$ 9,89. 

O mercado internacional vem buscando um direcionamento depois dos últimos acontecimentos, especialmente no quadro político e financeiro global, com a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. Assim, mais cedo, com um comportamento técnico e bastante limitado, as cotações cederam ligeiramente, porém, na sequência, encontraram suporte em boas novidades no front da demanda e da alta de mais de 5% entre os futuros do petróleo na Bolsa de Nova York  frente aos rumores de que a Opep (Organização dos Países Produtores de Petróelo) possam, enfim, reduzir sua produção. As especulações, porém, ainda são muitas. 

Nesta terça, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou novas vendas de soja em grão de 247,5 mil toneladas, sendo 121,5 mil toneladas para a China e mais 126 mil para destinos não revelados. Este é o segundo anúncio da semana, com o primeiro, desta segunda-feira (14), somando mais de 456 mil toneladas, com boa parte também destinada à nação asiática. Ainda nesta segunda, os embarques semanais norte-americanos da oleaginosa totalizaram mais de 2,5 milhões de toneladas, confirmando esse potencial da demanda. 

Ainda entre as boas novas do consumo, a NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA) informou ainda um volume de soja esmagada acima das expectativas do mercado para o mês de outubro e também favoreceu os ligeiros ganhos em Chicago. Foram 4,48 milhões de toneladas, contra 3,52 milhões de setembro e 3,6% a mais do que no mesmo mês do ano passado. As projeções dos traders eram de 4,37 milhões de toneladas. 

"O reporte do Nopa veio como suporte para os preços depois da pressão sentida pelas vendas no mercado de commodities da China (com a soja cedendo 4% em Dalian nesta terça) e também diante das expectativas de uma grande safra do Brasil", explica o editor sênior do portal internacional Farm Futures, Bob Burgdorfer.

Analistas afirmam que, a partir de agora, o foco do mercado futuro da soja passa a ser a nova safra não só do Brasil, mas da América do Sul e o clima em que deverá se desenvolver, principalmente. Afinal, apesar de os EUA colherem, segundo estimativas do USDA, mais de 118 milhões de toneladas, os estoques americanos são de pouco mais de 12 milhões de toneladas e, no momento correto, a demanda vai se voltar para a necessária oleaginosa sulamericana. 

Financeiro

Ainda de acordo com especialistas internacionais, o comportamento do dólar vem ganhando bastante espaço entre os negócios, uma vez que sua alta frente a algumas moedas, principalmente o real, pressionam as cotações na CBOT, além de trazer oportunidades de vendas para os produtores brasileiros, o que também acaba pesando sobre os preços da oleaginosa norte-americana. E o "efeito Trump" ainda vem sendo avaliado, porém, que a volatilidade será mais intensa, já é certo. 

Tobin Gorey, do Commonwealth Bank da Australia, em nota, acredita que, por outro lado, esse ganho expressivo da moeda americana tem sido um importante fator, principalmente, para o produtor brasileiro de soja neste momento. "O avanço das vendas da safra 2016, agora com cerca de dois terços já plantados, registrou um grande salto na semana passada e chegou a perto de 45%", diz.

Ainda no cenário financeiro, os mercados europeus fecharam os negócios desta terça-feira em alta, motivados principalmente pelo forte avanço do petróleo. 

"Esperanças por grandes estímulos fiscais nos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump têm impulsionado um rali nos rendimentos de títulos públicos e expectativas por alta de juros, levando investidores a preferir o setor financeiro em detrimento de outros como o de serviços públicos ou o imobiliário", explicaram especialistas ouvidos pela Bloomberg. 

E nesta terça, com o feriado da Proclamação da República comemorado no Brasil, o mercado interno não funcionou. A seguir, veja como foram os negócios desta segunda-feira.

Com força do dólar, preços sobem no Brasil e estimulam novos negócios nesta 2ª feira

A segunda-feira, 14 de novembro, foi mais um dia de alta para o dólar frente ao real, levando a moeda americana a encerrar o dia com R$ 3,4408 e avanço de 1,43%. Na máxima da sessão, a divisa foi a R$ 3,4752, com um ganho de 2,44%. A sessão foi, novamente, intensa e bastante volátil e, o movimento do câmbio segue puxando os preços da soja no Brasil para cima. Nos últimos quatro pregões, a alta passa de 8%. 

Apesar da véspera de feriado no Brasil - amanhã se comemora a proclamação da República e os mercados não operam por aqui - as referências em alguns portos e praças de comercialização voltaram a subir. No terminal de Rio Grande, a soja disponível fechou o dia com R$ 78,00 por saca e alta de 2,23%, enquanto no mercado futuro foi a R$ 83,00, subindo 1,22%. Já em Santos, ganho de 0,44% no disponível para R$ 80,00. No porto de Paranaguá, por outro lado, os preços se mantiveram estáveis e suas referências desta segunda-feira foram de R$ 79,00, no disponível, e R$ 80,00, para os negócios do próximo ano. 

No interior do país, novas altas também foram registradas. Em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, o preço subiu 1,49% para R$ 68,00 por saca; no Oeste da Bahia, 2,05%, para R$ 66,33. No Paraná, altas de 0,72% para R$ 69,50 por saca em Ubiratã e Londrina. Nas demais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, algumas registraram alguma queda - como Campo Novo do Parecis e Mato Grosso, onde a cotação cedeu 4,41% para R$ 65,00 - e nas demais, houve estabilidade. 

A movimentação do câmbio tem sido, nos últimos dias, especialmente após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos no último dia 8, o fator mais acompanhado no mercado brasileiro de soja e o responsável por destravar a comercialização no país, mesmo que momentâneamente. E, após os bons negócios feitos nos últimos dias, as expectativas é de que esse melhor ritmo ainda continue. 

" Com expectativa que voltemos a ter oportunidades de bons fechamentos, aqueles que passaram sem fechar na última semana poderão o fazer agora e, principalmente com a safra nova, ir fazendo uma boa media, porque as cotações que têm aparecido já dão boa margem de lucros ao setor. Assim,
deve-se ir aproveitando os bons momentos para não correr riscos em segurar toda a safra para vender no ano que vem", oriente o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

Para o executivo, o dólar deverá continuar flutuando, testando alguns novos patamares, podendo sentir, porém, uma intervenção maior do Banco Central. "Avançando acima dos R$ 4,00, a moeda tende a trazer pressão sobre a inflação e o BC não tem interesse niosso, já que pode voltar a desequilibrar a economia, que anda cambaleante", completa. 

Além disso, há ainda um novo momento na política do Brasil com as especulações de uma possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral e os rumores acentuam ainda mais a volatilidade do dólar e também deverá impactar no ritmo da comercialização no Brasil nos próximos meses.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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