Soja: Mercado brasileiro vai assumindo melhores patamares de preços e estimula comercialização

Publicado em 16/11/2016 17:29
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Apesar de algumas novas baixas registradas pela soja no mercado interno brasileiro, os preços já começam buscar absorver este novo cenário em que se encontram, trazido principalmente pela mudança de patamar do dólar, e já dá um novo ritmo à comercialização da oleaginosa no país. Segundo o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora, já resulta em valorizações de até 15% da saca de soja em algumas regiões produtoras nos últimos dias, dependendo do período de entrega. 

Nesta quarta-feira (16), ainda segundo o analista, foram registrados negócios na casa dos R$ 67,00 por saca em Mato Grosso. E este são níveis que, como ele explica, "atendem imediatamente ao interesse do produtor brasileiro". Em Sorriso, por exemplo, o preço foi a R$ 68,00, com um ganho de 4,62%, mesmo com uma ligeira baixa de 0,56% do dólar frente ao real. A moeda americana caiu, pela primeira vez em quatro sessões, nesta quarta. 

"Tivemos um ganho surpreendente e eu acho que o produtor tem que reavaliar sua estratégia, e pensar que agora é hora de vender mais alguma coisa, aproveitando essa rodada de preços maiores que não tínhamos a até 15 dias atrás", acredita o analista. 

Para as cotações nos portos, porém, o dia foi de estabilidade entre as cotações. Em Paranaguá, R$ 78,50 no disponível, com baixa de 0,63% e R$ 80,00 no mercado futuro, sem variação. No terminal de Rio Grande, ganho de 0,38% para R$ 78,30, no disponível e R$ 83,00 estáveis no mercado futuro. Já em Santos, o preço subiu 2,13%, apesar do dólar, e foi a R$ 81,70 no disponível. 

Mercado Internacional

No mercado internacional, os futuros da soja registraram mais um pregão de movimentações limitadas, porém, testando os dois lados da tabela. Assim, no encerramento do dia, as posições mais negociadas perderam de 2,25 a 3,75 pontos, com apenas os contratos maio e julho/17 acima dos US$ 10,00 por bushel. 

Se de um lado a demanda segue atuando com o mais forte e importante fator de suporte para os preços, de outro vem a pressão de uma alta do dólar que, embora caia frente ao real, sobe frente a uma outra série de moedas emergentes na tarde de hoje e pressiona as cotações, alcançando sua máxima em 13 anos. E o mercado ainda recebeu bem os números dos esmagamentos de soja nos EUA reportados nesta terça (15) e indicando o terceiro maior valor mensal já registrado na história norte-americana. 

E ainda nesta quarta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou uma nova venda da oleaginosa para a China - de 165 mil toneladas da safra 2016/17 - em seu terceiro anúncio da semana, o que fez o acumulado dos últimos dias superar as 860 mil toneladas. 

Com a conclusão da safra dos Estados Unidos e a colheita já na reta final, os olhos dos mercados pelo mundo todo se voltam agora para a produção da América do Sul e o momento, como não poderia deixar de ser, é de forte especulação, tanto para a soja quanto para o milho. O quadro climático, portanto, vem sendo acompanhando bem de perto e deverá ser, segundo explicam analistas e consultores, o principal driver dos preços nos próximos meses. 

Para o consultor internacional Michael Cordonnier, um dos mais respeitados do setor, a safra sul-americana de soja deverá ficar entre 163,9 milhões e 179 milhões de toneladas, com uma média de 172,2 milhões. A safra 2015/16 foi de 165,5 milhões de toneladas.

Leia mais:

>> América do Sul: Cordonnier reduz estimativa para safra de soja da Argentina e mantém para o BR

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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